Porto Alegre, 08.09.2010  
Forte episódio de La Niña provoca resfriamento global em 2007 e 2008

No começo de Janeiro de 2007, Phil Jones, do UK Hadley Center, predizia que o ano passado seria o mais quente da história devido ao El Niño, fenômeno que Jim Hansen, climatologista da NASA e consultor de Al Gore, afirmava poderia ser o mais intenso do século. Claro que o El Niño rapidamente se dissipou e o La Niña gradualmente se instalou ao longo de 2007. A temperatura global começou a diminuir, sentindo-se os efeitos primeiro no inverno do Hemisfério Sul e agora em 2008 no inverno do Hemisfério Norte. No final de 2007, o Hadley Center anunciou que tinha sido o sétimo ano mais quente e culpou o La Niña pelo resfriamento e o prognóstico falho. Neste janeiro, medições por satélite indicaram que o globo estava mais frio que a média pela primeira vez ano em anos. Com o recente resfriamento induzido pelo La Niña moderado a forte, achei oportuno novamente visualizar os dados da última década e verificar como a temperatura do planeta reagiu ao Super El Niño de 1997/1998, os eventos de La Niña de 1998 a 2000/2001, o El Niño de 2002/2003, os episódios borderline El Niño de 2003/2004, 2004/2005 e 2006/2007, assim como o retorno do La Niña em 2007/2008. O gráfico (abaixo) compara a evolução da temperatura global apurada na baixa troposfera pela técnica MSU com o Índice Multivariável ENSO (El Niño e La Niña) de Wolter. A temperatura se relaciona muito bem com a evolução do fenômeno ENSO, assim como se verifica pelo MEI. Existe um aparente tempo de resposta (lag) de dois meses ou mais em relação ao fenômeno ENSO. Veja também abaixo como a temperatura do planeta se relaciona com a evolução dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera.

Se o atual forte La Niña e a PDO muito negativa neste inverno (Hemisfério Norte) marcam o começo de um novo período frio ou é apenas um alarme falso como em 1998/2001, o próximo ano dirá. As últimas três fases da PDO duraram entre 25 e 30 anos e a última mudança de fase do Pacífico (Great Pacific Climate Shift) ocorreu há trinta anos, o que poderia indicar que esta mudança de agora é real. Se realmente o sol entrar num período de inatividade que ocorre a cada 200 ou 400 anos, como antecipam alguns cientistas solares, considerando a previsão de que o ciclo que ora começa será fraco, o cenário será muito interessante.


Joe D'Aleo - 09/02/2008 15:43:08
 
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