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Porto Alegre, 24.10.2014
 

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Documento Histórico: A grande onda de calor de 1917 no Rio Grande do Sul

 Nos tempos recentes, sempre que uma onda de calor mais intenso com marcas acima de 40ºC atinge o Rio Grande do Sul não faltam vinculações entre a temperatura elevada e o chamado aquecimento global. Entretanto, a história climática do estado gaúcho mostra que os recordes mais importantes de calor ocorreram na primeira metade do século XX, quando o planeta sequer havia aquecido e deixava o período da denominada Pequena Idade do Gelo. As conseqüências do resfriamento determinado pela erupção Krakatoa em 1883 ainda se faziam sentir no começo do século passado e os termômetros já indicavam marcas extremamente elevadas no Rio Grande do Sul.

Os recordes de calor no Rio Grande do Sul foram registrados quando a maioria esmagadora da população de hoje sequer havia nascido. Os extremos estaduais se deram durante duas poderosas ondas de calor registradas em 1917 e 1943. A mais alta temperatura até hoje registrada no Rio Grande do Sul é de 42,6ºC, marca observada em 19 de janeiro de 1917 em Alegrete e no dia 1º de janeiro de 1943 em Jaguarão. Já a maior máxima até hoje observada em Porto Alegre foi de 40,7ºC em 1º de janeiro de 1943. Significa dizer que quando os recordes de calor foram estabelecidos no Rio Grande do Sul o mundo lutava a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Em 1917, quando da intensa onda de calor que afetou o Rio Grande do Sul, um dos principais diários do estado era o jornal A Federação. Fundado em 1º de janeiro de 1884 em Porto Alegre, a publicação circulou até o ano de 1937. O jornal, um órgão do Partido Republicano Rio-Grandense, tratava de questões políticas e notícias gerais, além de anúncios que no século XIX ofereciam escravos. O diário apresentava no começo do século uma coluna diária com as condições ocorridas do tempo com dados de temperaturas mínimas e máximas em Porto Alegre, interior gaúcho, Montevidéu, Florianópolis e Rio de Janeiro. Foi na coluna diário do tempo intitulada "O Tempo" do Instituto Astronômico e Meteorológico que apareceu o recorde de Alegrete.

O estado vivia no período uma severa estiagem, conforme os jornais da época. Apesar da grande seca de 2005 ter sido descrita em relatórios como conseqüência do aquecimento global e das mudanças climáticas, dados históricos do Rio Grande do Sul mostram que estiagens arrasadoras foram registradas durante o século XIX e ao longo do século XX. Em janeiro de 1917, o jornal A Federação noticiava que a seca era "assustadora" em Arroio Grande. Já o noticiário por telex que vinha de Pelotas dava conta que continuava "a se fazer sentir a seca em todo o município de maneira extraordinária".

Moradores de outras áreas do estado reclamavam do calor intenso que se fazia sentir naquele começo do distante ano de 1917. Era o caso da população de Pinheiro Machado, na Serra do Sudeste, onde os termômetros indicavam mais de 30ºC.

Assim como Campo Bom Hoje é identificada como a cidade gaúcha que registra os maiores valores de temperatura durante o verão, era Alegrete em que no começo do século despontava como a cidade mais quente do Rio Grande do Sul. Este era o título de matéria do A Federação em 1917 na qual eram foram abordados os recordes de temperatura na cidade.

O lugar mais quente do estado

Em Alegrete tem feito um calor senegalesco, tendo a temperatura nos dias 17, 18 e 19, attingido, naquella cidade, respectivamente a 41,1C, 42,3ºC e 42,5ºC, o que é extraordinário quando nos lembramos que aqui em Porto Alegre a temperatura máxima naquelles dias sufocantes foi de 38,9ºC.

Diz a Gazeta de Allegrete, a propósito:

‘Há muitos anos, ou pelo menos desde que aqui temos estação meteorológica, (1912) nunca tivemos um calor tão sufocante, mesmo se attendermos às condições especiaes de impermeabilidade do nosso sólo, por natureza secco e pedregoso.

A respeito das altas temperaturas, Alegrete sempre tem se manifestado um dos pontos mais quentes do Estado, nos mezes de janeiro, fevereiro, março, novembro e dezembro, que soem ser os de maior calor do ano.

Em 1912 excedeu a todas demais pontas do Estado com 38,5ºC, no dia 21 de março.

De então para cá, em cada anno, tem mantido seus créditos em assumpto de temperaturas elevadas como pode se ver dos seguintes quadros:

  

Em 1917, a temperatura em Alegrete alcançou 38,6ºC no dia 17, uma máxima de 41,1ºC no dia 17, 42,3ºC no dia 18, impressionantes 42,6ºC no dia 19 e 40,0ºC no dia 20. O calor extremo provocou insolação nas pessoas e até morte na comunidade alegretense.

Como até hoje ocorre, o intenso calor produz tempestades no Rio Grande do Sul. No que é muito comum nos meses de verão em dias de temperatura extremamente elevada, granizo atinge as áreas mais elevadas do estado. Foi o que se deu em 1917. Durante a histórica onda de calor daquele ano uma grande tempestade de granizo castigou a cidade de Vacaria. Já em Porto Alegre, a onda de calor eterminou com um temporal de chuva forte e vento durante a tarde, uma realidade também dos dias atuais.

O conhecimento do passado permite compreender melhor o presente e antecipar com maior confiabilidade o futuro. A história oferece lições que não podem ser desprezadas.  

A MetSul Meteorologia agradece  o apoio recebido da equipe do Museu Hipólito José da Costa de Comunicação Social do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.


Alexandre Amaral de Aguiar - 28/12/2006 22:55:43
 
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