Porto Alegre, 31.07.2010  
Ciclone traz vento de 101 km/h e provoca estragos no RS

 Vento de mais de 100 km/h neste sábado provocou estragos e transtornos no Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, a rajada máxima de vento foi registrada às 13:51 da tarde com 101 km/h. A medição foi feita pela estação meteorológica automática mantida pela empresa RBS em sua sede na Avenida Érico Veríssimo, limite entre os bairros Azenha e Menino Deus. No Aeroporto Salgado Filho, no norte da capital gaúcha, o vento ultrapassou os 70 km/h. Conforme o meteorologista Luiz Fernando Nachtigal, o prognóstico constante do alerta da Metsul Meteorologia (ver mapa abaixo) indicava justamente rajadas de 70 a 90 km/h mais ao norte da cidade enquanto nas áreas próximas do Guaíba o vento poderia atingir 100 km/h. A MetSul foi o único instituto público ou privado no país a ter advertido para a grande potência do sistema e a provável ocorrência de vento que poderia superar a marca dos 100 km/h.

O vento muito intenso foi resultado de um profundo ciclone extratropical que se desenvolveu ao longo do litoral gaúcho. Às dez da manhã, as imagens de satélite chegaram a mostrar um pequeno olho no sistema. "Os dados que analisamos durante toda a semana já indicavam que se trataria de um dos mais intensos ciclones extratropicais dos últimos anos junto ao litoral gaúcho", comentou o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall. O meteorologista da MetSul destacou que o ciclone extratropical se formou aproximadamente a cem quilômetros mais ao norte e com maior proximidade da costa do que era projetado inicialmente pelos modelos numéricos de previsão do tempo. A principal consequência foi o registro de vento mais forte em Porto Alegre e no litoral norte gaúcho do que no litoral sul.  Torres experimentou rajadas de até 80 km/h, conforme medição feita pelo Instituto Nacional de Meteorologia.

O especialista da MetSul adverte, contudo, que decorrer das próximas horas haverá uma intensificação ainda maior do ciclone sobre o mar à medida que o sistema se desloca para sudeste. Com isso, a tendência é o vento aumentar muito no litoral sul gaúcho. A MetSul Meteorologia mantém-se o alerta sobre rajadas acima de 100 km/h para a costa sul gaúcha e alerta que os mais recentes dados analisados indicam ainda que o vento se manterá muito forte no litoral sul do estado durante todo o domingo.

A intensa ventania associada ao ciclone extratropical espalhou estragos e provocou muitos transtornos em Porto Alegre e outras cidades do leste do Rio Grande do Sul. Ocorreram quedas de árvores, postes, rompimentos de cabo de energia e falta de luz localizada, assim como indicava o alerta da MetSul Meteorologia sobre o ciclone extratropical publicado na sexta-feira. Informações da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil repassadas à MetSul deram conta de pelo menos dois casos de destelhamentos. Os casos foram registrados nas ruas Dona Otília 100, no Morro Santa Teresa, e João de Oliveira Remião 3026. O caso mais grave ocorreu na Lomba do Pinheiro, onde o prédio do Posto de Saúde da Família foi arrancado, conforme informou a Rádio Guaíba. A Defesa Civil Municipal e o Corpo de Bombeiros atenderam ainda a uma ocorrência na Andradas 1051, Centro de Porto Alegre, onde as janelas de um prédio ameaçavam cair devido à força do vento. A Prefeitura trabalhou também para atender uma ocorrência na Rua Saturnino de Brito com Avenida dos Prazeres, onde houve a queda de um outdoor.

 Muitas árvores e placas caíram por toda a cidade de Porto Alegre, ocasionando sérios incovenientes no trânsito. No caso que mais demandou a atenção das autoridades, o vento derrubou uma placa de sinalização aérea sobre a pista da BR-116 entre Canoas e Porto Alegre. Um grande congestionamento de até cinco quilômetros foi registrado no sentido interior-capital da rodovia, uma vez que o trânsito fluía apenas em meia pista. A lentidão do tráfego determinou pequenos acidentes em ambos sentidos da BR-116 no acesso à capital gaúcha, congestionando ainda mais o trânsito. Na Lima e Silva, o trânsito fluía em meia pista devido à queda de um grande galho de árvore na esquina com a Olavo Bilac. Equipes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM) estavam no local para liberar o trânsito. Houve registro de queda de árvore também na eaquina da Ipiranga com a Azenha. Na Avenida Ganzo, uma grande árvore caiu sobre três automóveis, mas ninguém se feriu. Dois veículos suportaram perda total. Em praticamente todos os bairros da capital gaúcha podiam ser vistos galhos de árvores espalhados pelas ruas, o que mobilizou as autoriodades locais. Devido ao vento muito intenso provocado pelo ciclone extratropical, o show da banda Jota Quest que seria realizado hoje no Anfiteatro Pôr-do-Sol, às margens do Guaíba, foi cancelado. O evento foi transferido para este domingo.

A forte ventania afetou também o abastecimento de energia elétrica em Porto Alegre, cidades da área metropolitana da capital gaúcha e municípios do interior do estado. Levantamento realizado pela Rádio Guaíba de Porto Alegre junto às três principais distribuidoras de energia do estado gaúcho mostrou que o vento deixou dezenas de milhares de pessoas sem luz em todo o Rio Grande do Sul. Só em Porto Alegre, eram mais de dez domicílios sem energia até o meio da tarde e o vento continuava soprando forte. Pelo menos três alimentadores da Companhia Estadual de Energia Elétrica estavam desativados como consequência do mau tempo. A empresa de energia trabalhava para atender ocorrências de queda de galhos de árvores sobre a rede e fios arrebentados em diversos bairros da capital. Os maiores problemas ocorriam nos bairros Nonoai, Cavalhada, Cristal, Jardim Leopoldina e Vila Nova. Conforme a Rádio Guaíba, na zona rural de Guaíba pelo menos cinco mil consumidores estavam sem energia nas proximidade de Barra do Ribeiro. Já informações divulgadas pela Rádio Gaúcha davam conta de quase 60 mil domicílios e prédios sem luz até a metade da tarde no Rio Grande do Sul, sendo 12 mil em Porto Alegre e 15 mil em Barra do Ribeiro. No Vale dos Sinos mais de 30 mil consumidores permaneciam às escuras, indicou a distribuidora AES Sul. Já na região de abrangência da RGE, 15 mil consumidores estavam sem luz, especialmente no Planalto Médio. Os problemas mais graves ocorriam em Passo Fundo e Erechim.


Alexandre Amaral de Aguiar - 02/09/2006 16:27:15
 
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