O que se transformou em emergência no Paraguai e é motivo de alarme no Uruguai e na Argentina agora traz grande preocupação para o Rio Grande do Sul. A Secretaria Municipal da Saúde de Caxias do Sul confirmou a presença de um foco do mosquito transmissor da dengue na cidade. As larvas foram colhidas no início da semana. Por meio de um exame laboratorial confirmou-se que as larvas eram do Aedes Aegypti. A área onde foi encontrado o foco deverá ser limitada num raio de trezentos metros. É importante ressaltar que foram encontradas larvas, mas o Rio Grande do Sul segue sem registrar até hoje um caso sequer da doença contraído em seu território. Na Argentina, o Ministério da Saúde confirmava até ontem 149 casos de dengue em todo o país. O número de casos cresceu 25% nos últimos dias. Mais de seiscentas pessoas se encontram sob análise porque podem ter sido infectadas. Foram registrados 187 casos em Formosa, 186 na Província de Missiones e 126 em Salta. Na Província de Buenos Aires, 36 pessoas estão sendo avaliadas e na capital 26. A situação, contudo, é mais crítica no Paraguai. A dengue se transformou em epidemia com onze mortes e 18 mil casos confirmados. Outra região severamente afetada pela doença é o Mato Grosso do Sul que concentra 60% dos casos de dengue no Brasil neste verão. Mais de 46 mil pessoas tiveram os sintomas da doença no estado somente neste ano com oito mortes confirmadas. Em Campo Grande, as notificações somam oficialmente 32 mil casos. No Uruguai, país que até hoje não tem um caso de dengue contraído em seu território, o clima é de extrema preocupação. Hoje serão conhecidos os resultados dos exames realizados em um homem que apresentou os sintomas da doença no Departamento de Artigas. O Ministério da Saúde em Montevidéu descartou um caso no Departamento de Rivera, mas a região foi declarada em emergência pela presença de larvas do mosquito.
O meteorologista-chefe da MetSul Meteorologia Eugenio Hackbart explica que as condições atmosféricas com tempo mais quente e úmido neste verão no centro e norte da Argentina, Uruguai, Paraguai, Sul do Brasil e Mato Grosso do Sul estão sendo determinantes para que a doença se espalhe e o número de casos seja elevado. A região hoje atingida pela doença enfrentou três anos consecutivos de estiagem e 2003 teve períodos de temperatura muito baixa no verão. Já no Nordeste do Brasil, onde temn chovido muito pouco nos últimos meses, o número de casos despencou agora em 2007. Nos últimos dois anos, nunca os índices relativos a casos de dengue foram tão baixos em Fortaleza. Em fevereiro de 2006 foram confirmados 202 enquanto no mesmo mês deste ano foram apenas 20 registros. Toda a região que hoje ou testemunha uma explosão no número de casos de dengue ou está em alerta para o surgimento dos primeiros casos no centro da América do Sul vem registrando desde o final do ano passado volumes muito excessivos de chuva, decorrentes da atuação do episódio recém findo do El Niño.

No Vale dos Sinos, região hoje afetada por uma infestação de uma espécie de mosquito não transmissor da dangue (foto acima), dados coletados nos últimos vinte anos na sede da MetSul Meteorologia indicam que a proliferação dos insetos ocorre após o segundo mais chuvoso mês de fevereiro das últimas duas décadas. Em 2007, fevereiro registrou 182,8 milímetros em São Leopoldo, perdendo apenas para os impressionantes 288,0 milímetros registrados no mesmo período em 1994. Tratou-se ainda do primeiro fevereiro chuvoso na região do Vale dos Sinos desde 2003, quando choveu 167,7 milímetros em São Leopoldo, uma vez que nos anos seguintes as estiagens resultaram em baixos acumulados pluviométricos na região com 51,2 milímetros em fevereiro de 2004, 38,2 em 2005 e 57,8 milímetros em 2006.
Porto Alegre também registra um elevado no número de mosquitos, mas não o que traz a dengue. Os bairros mais atingidos são os da zona norte, próximos à várzea do Rio Gravataí e nos bairros Humaitá, Jardim Floresta e Anchieta. Os resultados indicam uma grande densidade de mosquitos do gênero Psorophora (foto ao lado), reconhecidos pela intensidade com que atacam pessoas ou outros vertebrados que estejam na sua área de ocupação. Essa espécie é característica de ambientes alagáveis, várzeas de rios e arroios, banhados e outros locais com acúmulos transitórios de água. Conforme as autoridades de saúde pública da Prefeitura, as condições ambientais dos últimos dez dias com chuva e temperatura elevada favorecem o desenvolvimento dos mosquitos. Os volumes parciais de chuva agora em março em Porto Alegre (até o dia 9) são de 23 milímetros no Centro, 20 na zona leste e 96 milímetros na zona sul. Já desde o começo do ano, os volumes na capital atingem 391 milímetros no Centro, 280 na zona leste e 456,5 na zona sul. Veja nos mapas a seguir a enorme quantidade de chuva que atingiu as áreas com casos ou em alerta sobre risco de dengue no norte argentino, o Paraguai e o Centro-Oeste do Brasil nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro (pela ordem).



A dengue é uma doença transmitida pela picada dos mosquitos Aedes aegypti ou Aedes albopictus, contaminados após terem picado uma pessoa doente. Seu período de incubação é de oito a dez dias.
Os sintomas da dengue são semelhantes a uma gripe: dores de cabeça e nas articulações, fraqueza, falta de apetite, febre e caroços avermelhados na pele. Sua duração varia de cinco a sete dias. A dengue também pode se manifestar na forma hemorrágica que atinge, principalmente, as pessoas anteriormente acometidas pela forma benigna da doença. Não existe tratamento específico contra a dengue. A pessoa doente de dengue deve manter-se em repouso, beber muito líquido e só usar medicamento para aliviar as dores e febre. Não devem ser usados remédios à base de ácido acetil salicílico, como a Aspirina e o AAS. Caso haja piora do estado do doente deve-se procurar orientação médica. O melhor método para se combater a dengue é evitando a procriação do mosquito Aedes aegypti que é feita em ambientes úmidos ou em águas paradas.
