Porto Alegre, 31.07.2010  
O espetacular halo solar que encantou e impressionou o Rio Grande do Sul

  

Um fenômeno ótico decorrente da refração da luz solar por nuvens de cristal de gelo encantou e impressionou os gaúchos na tarde de 16 de janeiro de 2007. O fenômeno do halo solar foi observado em cidades do centro e do leste gaúcho. Pessoas eram vistas no alto dos prédios e nas ruas olhando para o céu. Era o sinal de um começo de tarde diferente no Rio Grande do Sul.

 Como uma sagrada auréola que circunda a cabeça dos anjos, o halo solar pairava sobre as torres dos sinos da majestosa igreja de Santa Cruz do Sul no Vale do Rio Pardo. Tão rica como a arquitetura do local sagrado, era a imagem proporcionada pela refração da luz solar (foto de Rodrigo Assmann). Quem olhava para o céu percebia algo diferente e especial: um círculo colorido em volta do sol. O efeito ótico comum e já testemunhado diversas vezes nos últimos anos foi diferente desta vez pela sua maior visibilidade. Quem entendia o fenômeno ficava encantado com o halo, contudo houve quem se assustasse. As emissoras de rádio e redações de jornais receberam centenas de ligações telefônicas de pessoas intrigadas com o que ocorria no Sol. Muitos confundiam o halo solar com o aparecimento do cometa McNaught, cuja aparição no hemisfério sul era notícia durante a manhã nos jornais do Rio Grande do Sul. Só que não havia nada de errado no céu nem tampouco era o cometa. Tão-somente a Natureza proporcionava mais um dos seus tantos espetáculos.

Com câmeras digitais e aparelhos de telefone celular munidos de sistema de fotografia, pessoas em todos os cantos do Rio Grande do Sul passaram a registrar o halo solar. Em Porto Alegre, o Diretor de Comunicação da MetSul Meteorologia Alexandre Aguiar descrevia o aparecimento do halo ao lado de nuvens altos conhecidas como "rabos de galo".

Valmir Bloedow (Canoas), Luiz Candido Kehl (Nova Petrópolis), Lais Pereira (Nova Santa Rita) e Denise Diter (Estância Velha) registraram o halo em suas respectivas cidades.

  

O fenômeno também foi fotografado por Charles Ceccagno (Porto Alegre), Eni Silveira Campos (Triunfo), José Nei (Sapiranga) e Gustavo Frasson (Santa Maria).

Com suas câmeras e telefones celulares voltados para o céu, Osvino Afonso Lermen, Júlio César Pereira da Silva (Esteio), Gustavo Priebe e Alexander também acabaram captando as imagens do halo solar de 16 de janeiro.

Em Porto Alegre, o arquiteto Francisco Teixeira fotografou o halo solar em meios aos prédios da "selva de pedra" da capital gaúcha. O fenômeno surpreendia os moradores de Porto Alegre que podiam ser vistos olhando para o céu no começo da tarde.

  


O colorido todo especial do halo solar foi registrado pelas lentes de Marcus Tatsch.

O espetáculo se mostrou completo nas lentes de Pedron Augusto Rucker de Montenegro. E como se a Natureza estivesse na palma da própria mão, Tiane Giusti registrou uma bela imagem do halo solar em Bom Princípio.

O halo nada mais é que um fenômeno ótico e pode se formar tanto ao redor do sol como da lua. Quando a luz do sol incide sobre nuvens com cristais de gelo, ocorre a refração. Justamente a refração proporciona que a luz seja dispersada e sejam observadas as cores que integram o feixe de luz assim como em um arco-íris. Os halos ocorrem na presença de nuvens muito altas, em regra cirrus estratificados ("véu branco"), na parte mais alta da troposfera. O meteorologista Eugenio Hackbart observa que não basta que nuvens cirrus estejam no céu para que o fenômeno seja registrado. Conforme Hackbart, a corrente de jato desempenhou um papel importante para que o halo solar fosse observado em 16 de janeiro porque tal corrente fez com que os cristais de gelo tivessem a mesma orientação, gerando o prisma. A imagem de satélite do começo da tarde mostrava claramente o jato, uma corrente de vento em níveis altos da atmosfera, atuando na parte norte da Lagoa dos Patos como se fosse uma "cano horizontal" de nuvens desenhado pela corrente de vento.

Passado o halo solar, os gaúchos voltaram suas atenções novamente para o céu no final da tarde a fim de observar o cometa McNaught, o mais brilhante em décadas a ser visto da Terra.


Eugenio Hackbart - 17/01/2007 08:24:31
 
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