Porto Alegre, 08.09.2010  
MetSul: Ciclone traz quadro de tempo severo no RS, Uruguai e Argentina

A MetSul Meteorologia reitera uma vez mais a sua advertência quanto a um cenário complexo de instabilidade que deve cercar a América do Sul neste final de fevereiro e no começo de março com a atuação de um ciclone extratropical sobre o centro do continente e a possível formação de um ciclone que poderia apresentar características tropicais ou subtropicais em mar aberto a uma grande distância da costa no Atlântico Sul nos próximos dias. O sistema de enorme interesse, entretanto, é o que deve se aprofundar nas próximas 48 a 72 horas sobre a faixa central da América do Sul e que trará profundo impacto para o Sul do Brasil, o centro e norte argentino e o Uruguai. Um sistema de baixa pressão que ora começa a se aprofundar e tem um cavado associado sobre o sul brasileiro deve ser responsável por volumes de chuva muito significativos nos próximos dias na região com risco de alagamentos, inundações e transbordamento de córregos e arroios. É como se a natureza resolvesse descontar tudo que choveu a menos neste verão em questão de poucos dias, reforçando uma vez mais a idéia já tantas vezes exposta neste espaço que eventos extremos de chuva costumam se seguir a períodos secos.

Chuva de natureza convectiva associada a um cavado no norte da Argentina atingia vários pontos do Rio Grande do Sul no final da tarde desta quarta-feira com precipitações localmente intensas no interior e que resultaram em mais de 50 milímetros acumulados em Santana do Livramento e 17 milímetros em apenas uma hora em Bagé. Nas próximas 24 horas começa a se aprofundar muito um sistema de baixa pressão no Uruguai e no norte argentino que aumentar significativamente a instabilidade na região. A chuva pode ser muito intensa a excessiva nesta quinta-feira em parte do Rio Grande do Sul, Uruguai e províncias do centro da Argentina com acumulados que em algumas localidades podem superar 100 milímetros em questão de apenas um dia. O vento também deve começar a ganhar força e no Uruguai tanto a capital Montevidéu como o interior do país podem enfrentar rajadas muito fortes em alguns momentos. O vento deve começar a ganhar força gradualmente também no Rio Grande do Sul. O risco de chuva forte a intensa amanhã no estado é particularmente válido para as metades sul e oeste, apesar de que pontos isolados das demais regiões podem também apresentar chuva forte.

Na sexta-feira o sistema de baixa pressão já deve estar configurado como um ciclone extratropical sobre o continente, trazendo chuva para todas as regiões gaúchas e que deve ser forte a torrencial em diversas localidades, potencializando o risco de transtornos em áreas urbanas. Há possibilidade de chover forte em Porto Alegre na sexta-feira. No final de semana, o ciclone estaria ainda melhor configurado e ainda mais profundo, trazendo valores de pressão próximos ou abaixo de 1.000 hPa para o Rio Grande do Sul, mantendo as condições de chuva forte a intensa no estado com prováveis enxurradas localizadas com potencial de provocar alagamentos e inundações, risco que se adverte também para a capital. O aprofundamento do ciclone, ademais, viria acompanhado de um forte fluxo de umidade do oceano para o continente entre amanhã e sábado com vento que pode ser forte a ocasionalmente intenso entre os litorais gaúcho e catarinense, o que somado ao efeito orográfico pode resultar em precipitações excessivas, especialmente em localidades mais próximas da Serra do Mar. No começo da semana, a instabilidade permaneceria sobre o Rio Grande do Sul com risco ainda de chuva forte devido à pouca evolução do sistema.

Os modelos mantêm o indicativo de que um ciclone deve se formar na altura do Sudeste, a uma grande distância da costa, com aprofundamento potencialmente explosivo em alto mar. Diagramas de fase dos modelos projetados para este sistema sugerem a possibilidade do ciclone no Atlântico Sul adquirir características tropicais ou mesmo subtropicais, o que seria mais provável à medida que a baixa estaria associada a um ramo frontal no seu momento inicial. Chama a atenção que alguns modelos segregam este intenso ciclone em alto mar do ramo frontal em determinado momento, o que poderia propiciar a característica tropical. Modelos como o ETA e o europeu sugerem que o ciclone seria muito profundo com acentuado gradiente de pressão com vento bastante intenso em alto mar (100-130 km/h), o que seria particularmente interessante de se observar na eventualidade deste sistema adquirir características subtropicais ou em um caso mais extremo tropicais. Trata-se de um sistema que estará sendo monitorado atentamente pela MetSul Meteorologia, mas o ciclone que efetivamente preocupa neste momento e é uma ameaça de tempo severo para a nossa região (risco de chuva forte a intensa e de temporais isolados) é o previsto para se aprofundar no norte da Argentina e no Uruguai no decorrer das próximas horas.

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Luiz Fernando Nachtigall - 28/02/2008 06:58:47
 
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