O tempo pode passar de inimigo à aliado no combate ao incêndio na reserva ecológica do Taim. A análise é dos meteorologistas da empresa MetSul Meteorologia que destacam a probabilidade elevada de chuva na região nos próximos dias. Segundo o meteorologista Eugenio Hackbart, não está afastada a possibilidade até mesmo de chover forte na região entre Rio Grande e o Chuí. Hackbart antecipa a intensificação de um sistema de baixa pressão atmosférica no sul gaúcho entre sexta e sábado e o avanço de uma frente fria a partir da Argentina no fim de semana. Os dois sistemas meteorológicos, de acordo com o diretor-geral da MetSul, devem ser responsáveis por aumentar a instabilidade na região com probabilidade de chuva. O meteorologista destaca que todas as simulações computadorizadas indicam chuva para a região do incêndio e que justamente o modelo computadorizado mais confiável para o Rio Grande do Sul – operado na Europa - sinaliza a possibilidade de chuva forte, especialmente no sábado. Veja as projeções do modelo europeu de chuva para a América do Sul durante a sexta-feira e o sábado.
A MetSul Meteorologia faz um alerta na hipótese das precipitações previstas não apagarem completamente os focos de incêndio. A atuação do sistema de baixa pressão no sábado e o ingresso de uma forte massa de ar polar para esta época do ano durante o domingo devem ser responsáveis por provocar vento forte a muito forte em alguns momentos no final de semana. As rajadas poderiam atingir até 80 km/h no litoral sul gaúcho, agravando muito o risco de alastramento do fogo, caso ele não estiver contido.
Até o início da noite de quarta-feira, o incêndio que se iniciou na segunda-feira continuava consumindo áreas de vegetação da Estação Ecológica do Taim. O trabalho de combate ao fogo foi intensificado, mas ainda persistiam um foco de aproximadamente três quilômetros de extensão e outros menores. O administrador da estação, Amauri de Sena Motta, classificou o incêndio e suas conseqüências como uma "catástrofe". Cerca de três mil hectares de vegetação (junco e gramíneas) foram queimados. O combate às chamas era feito por terra e ar com a utilização de um helicóptero do Ibama. Durante a noite de terça para quarta-feira o vento ficou mais calmo e o menor dos dois maiores focos se extinguiu. O vento ficou mais forte durante a quarta. A Superintendência do Ibama relatou que o foco principal ocorria a cerca de vinte quilômetros da base da estação ecológica, em área de difícil acesso, exigindo que o helicóptero levasse e buscasse os homens que tentavam debelar o fogo.
O Taim tem 33.815 hectares e abrange parte dos municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, entre a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico. A Estação Ecológica do Taim tem como função preservar um dos ecossistemas mais frágeis do Rio Grande do Sul e engloba quatro grandes lagoas: Mirim, Jacaré, Nicola e Mangueira, indo até a faixa litorânea do Oceano Atlântico. Um dos principais motivos que levaram à criação da Estação Ecológica do Taim, em 21 de julho de 1986, foi o fato de esta área ser um dos locais de abrigo e alimentação para várias aves migratórias vindas da Patagônia.