Porto Alegre, quinta-feira, 24.07.2014
 
 
 
   
Aquecimento global é uma mentira, afirma professor da USP
Por: Maio, 05-05-2012 | 14:22 | Categoria:
 
 
 
 
 

Muitos de vocês perguntaram ao longo da semana se eu havia assistido à entrevista no Programa do Jô, na Rede Globo, do meteorologista Ricardo Augusto Felício. Não pude ver quando foi ao ar na televisão, pelo horário, mas busquei na internet para comentar a pedido do público cativo desta página e das nossas redes sociais. A crença, imagino eu, é que o pensamento do professor de São Paulo é muito semelhante ao meu. Enganam-se ! A amostragem, imperfeita por ser feita a partir de uma entrevista em programa de tevê, já permite, contudo, ter uma idéia da lógica científica do pesquisador da USP.

Não creio, ao contrário do professor, que o aquecimento global seja mentira. É inquestionável, por todas as séries históricas de temperatura (até as de satélite) que sim houve um aquecimento do planeta. O meu contencioso, e vocês leitores mais assíduos, são sabedores é em torno das causas deste aquecimento e seus reflexos. Sem desprezar a influência humana, entendo que existe um grande componente de variabilidade natural do clima que é desprezado. Ademais, há a tentação de se relacionar tudo que é evento severo ou extremo ao aquecimento ou às mudanças climáticas, como se o clima não estivesse em permanente mudança. Oponho-me ao catastrofismo, às teorias quase apocalípticas, porém estou convicto que o ritmo atual de degradação ambiental é insustentável e cobra o seu preço, hoje ou no futuro.

Dito isso, talvez o meu maior ponto de divergência entre as questões pontuais que foram suscitadas no programa diz com a questão do desmatamento. O professor paulista afirma que não há impacto global e que mesmo o efeito local é relativo. Assusta este pensamento científico. O desmatamento é uma desgraça ambiental e inquestionavelmente repercute no clima em escalas local e global.

Nesse sentido, o meu pensamento é muito semelhante à teoria do Professor Roger Pielke Sr., da Universidade do Colorado, uma voz detestada pelos aquecimentistas, mas que pela qualidade do seu trabalho e a lucidez no raciocínio me parece ser um teórico de primeiríssima qualidade. Pielke tem inúmeros artigos publicados, e destaco “Land Use and Climate Change” (Science, 2005) em que o professor americano diz que as mudanças no uso do solo podem ser da mesma importância que os gases do efeito estufa nas mudanças do clima. A preservação da Amazônia, assim, deveria ser uma das maiores prioridades do Brasil porque o regime de chuva tem relação com a floresta e o agronegócio é hoje uma das principais fontes da riqueza nacional.

Existem pesquisadores sérios, muito sérios, que acreditam e defendem teses diferentes das minhas e do professor paulista. Não porque são bolsistas ou empregados de governos (que têm agendas) têm sua integridade científica comprometida. Muito pelo contrário. Os estudos, por exemplo, sobre níveis de ozônio – um outro ponto de divergência com a entrevista – são hígidos. O que prego e sempre irei pregar é que, como eu faço, procurem ouvir todos os pontos de vista e se cercar das melhores fontes. Jamais fechem as portas para o argumento contrário. Neste tema difícil do clima, as respostas me parecem que não estão nem entre aqueles que tudo dizer ser de responsabilidade do homem nem tampouco entre aqueles que negam todo o pensamento científico hoje majoritário. 

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