Porto Alegre, quinta-feira, 17.05.2012  
 
   
Variabilidade climática e seus impactos no avanço da dengue em Porto Alegre e Rio Grande do Sul no período 2007-2012
Por: Maio, 17-05-2012 | 02:20 | Categoria:
   
 
 
 

A Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul fez um alerta à população devido à situação da dengue na região metropolitana de Porto Alegre. Entre os 67 municípios gaúchos hoje com infestação do mosquito que transmite a doença (Aedes aegypti) estão Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, Porto Alegre, São Leopoldo e Viamão. Neste ano já foram registrados nessas cidades 17 casos importados de dengue (quando a contaminação ocorreu em outros estados), sendo dois em Canoas, 14 em Porto Alegre e um em Viamão. Em Porto Alegre, grande parte da cidade está hoje com índice de infestação (IIP) de risco ou alto risco, segundo o último levantamento de índice rápido (LIRA).


Na Capital, a taxa de infestação passou de 1,8% em janeiro para 4,7% em março. O índice, considerado de alto risco, é o maior desde 2007. Antes, a infestação era maior nos bairros próximos ao Lago Guaíba. Nos últimos levantamentos realizados pela Secretaria Municipal da Saúde, porém, observou-se expansão para outros bairros, alguns dos quais são limítrofes com municípios da Região Metropolitana.

Na amostragem de março, em 14.287 imóveis de 76 bairros da cidade de Porto Alegre, foram encontrados 884 depósitos com larvas, uma média de 1,3 criadouro por imóvel. O maior número deles (60%) estava em pratinhos de suporte para vasos, potes e vasilhames. Em segundo lugar (14,8%), estavam calhas, lajes, piscinas não tratadas, sanitários desativados e caixas pluviais. Lixo, sucatas e entulhos representaram 7,5%.

Apesar de uma forte estiagem na maior parte do Rio Grande do Sul, o verão chuvoso e muito quente pode ter contribuído fortemente para a forte subida dos índices de infestação em Porto Alegre e região metropolitana, conforme o entendimento da MetSul. Janeiro teve em Campo Bom 257,6 mm de precipitação, quando a média histórica (1985-2011) é de 142,8 mm. Em fevereiro foram 190,9 mm contra uma média de 130,4 mm. Em março, a chuva somou no município 105,8 mm, quando a normal histórica é de 117,5 mm. Já em São Leopoldo, na estação da MetSul, foram 125,2 mm em janeiro (média histórica é de 138,8 mm) e de 228,6 mm em fevereiro (média de 121,2 mm).

Não só a chuva foi excessiva. O calor também. Campo Bom teve em janeiro temperatura média de 24,2ºC, 0,7ºC abaixo da normal histórica. Em fevereiro, porém, a temperatura média no município de 26,1°C (normal é 24,3°C) foi recorde absoluto desde o início dos registros em 1985, superando janeiro de 1986 que teve média de 26,0°C. Já março, que teve uma primeira quinzena tórrida, acabou com temperatura média de 22,5ºC, 0,9ºC abaixo da normal histórica em conseqüência do frio muito intenso para a época do ano registrado na última semana do mês.

Em Porto Alegre, onde os índices de infestação de dengue deram um salto entre janeiro e abril, a chuva no verão também ficou acima dos padrões históricos. Foram 166,0 mm em janeiro (média histórica de 100,1 mm), 139,5 mm em fevereiro (média de 108,6 mm) e 122,7 mm em março (normal histórica 1961-1990 de 104,4 mm). A temperatura média na Capital em janeiro foi de 24,8ºC em janeiro (0,2ºC acima da normal 1961-1990), de 26,6ºC em fevereiro (1,9ºC superior à média) e de 23,5ºC em março (0,4ºC acima da média histórica).

Em fevereiro, Porto Alegre teve a segunda pior onda de calor para o mês desde 1958 e a maior temperatura máxima na cidade no mês dos últimos 54 anos. Foi o segundo fevereiro mais quente na Capital, pelo menos, desde 1961. A média mensal compensada de 26,6ºC somente perde para os 26,8ºC de 1984. A temperatura mínima média no mês foi de 22,5ºC, valor 1,7ºC acima da média histórica e a mais alta para fevereiro desde 1984, quando a média mínima foi de 22,8ºC. Já a temperatura máxima média atingiu impressionantes 33,5ºC, desvio de 3,5ºC acima da normal. A média máxima de fevereiro de 2012 superou, inclusive, a de 33,1ºC de 1984 e pode ter sido a mais alta já registrada em Porto Alegre em um século ao lado dos 33,5ºC de março de 1926.

A correlação entre o clima (regime de chuva e temperatura) e a dengue, doença tropical, parece ser muito clara no Rio Grande do Sul, no entendimento da MetSul. Existem vários estudos no Brasil e no exterior, aliás, que identificaram a relação da doença com o clima local, tanto quanto à temperatura e, sobretudo, quanto à chuva como Gonçalves Neto e Rebelo (2004), Guzman e Kouri (2003), Chakravarti e Kumaria (2005), (Gratz 1993) e Indaratna (1998).

Em “Aspectos epidemiológicos do dengue no município de São Luis, Maranhão, 1997-2002”, os pesquisadores Vicente Silva Gonçalves Neto e José Manuel Macário Rebelo destacam que “a chuva exerce grande influência no período de ocorrência da doença”. Segundo eles, na capital do Maranhão, precipitação pluviométrica e umidade relativa do ar são fatores que não só aumentam consideravelmente o número de criadouros para o desenvolvimento das formas imaturas do vetor (mosquito) como também geram condições ambientais para o desenvolvimento dos adultos. A análise dos autores revelou ainda maior freqüência de casos na estação chuvosa (83,80%), em detrimento do período de estiagem (16,20%) Houve correlação positiva, ao longo dos anos, com a precipitação pluviométrica (r = 0,8415) e a umidade relativa (r = 0,7606), contudo negativa para a temperatura (r = -0,7838).

Em outro estudo brasileiro, intitulado “Clima e sobreposição da distribuição de Aedes aegypti e Aedes albopictus na infestação do Estado de São Paulo”, Carmen Moreno Glasser e Almério de Castro Gomes verificaram que “quanto menor a temperatura, mais lento foi o processo de expansão geográfica da população de Ae. Aegypti”, o que teve influência preponderante na determinação dos diversos padrões macrorregionais de expansão geográfica da espécie no estado paulista.

Um dos mais interessantes trabalhos sobre correlação da dengue com o clima publicado na literatura médica mexicana por Joan M Brunkard. O autor desenvolveu um modelo para avaliar a influência de fatores climáticos (temperatura da superfície do mar) e do tempo (temperatura máxima, temperatura mínima e precipitação) sobre a incidência de dengue na fronteira do México com os Estados Unidos. O período de análise foi de 11 anos, compreendendo 1995-2005.

De acordo com o estudo no México, a incidência de casos da dengue aumentou 2,6% uma semana depois de cada 1ºC de aumento da temperatura média semanal e 1,9% duas semanas depois de cada centímetro (25 milímetros) de aumento na precipitação semanal. Para cada 1ºC de aquecimento da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 (Pacífico Equatorial Central) observou-se 18 semanas depois um aumento de 19,4% na incidência de dengue, demonstrando a maior propensão de enfermidade na região em conseqüência de episódios de El Niño.

Aqui no Rio Grande do Sul, os primeiros casos da enfermidade contraídos no Estado, os chamados casos autóctones, ocorreram em 2007, ano que foi de El Niño moderado com chuva acima da média e temperatura elevada no verão não apenas no território gaúcho, mas também nas regiões vizinhas como o Norte da Argentina e o Paraguai. Já em 2008 e 2009, com episódios de La Niña clássico (canônico) no Pacífico (gráfico abaixo com as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Central destacado o período 2007-2009), não houve registros de casos de dengue autóctones.


Em 2010, ano que o verão foi marcado pelo evento de El Niño mais forte desde 1997/1998, com chuva e temperatura acima da média em parte da estação, a doença retornou ao Rio Grande do Sul após uma trégua de dois anos. Porto Alegre teve uma brutal onda de calor na primeira metade de fevereiro de 2001 e registrou a maior mínima na cidade (27,9ºC) em um século de observações.

Em 2011, houve La Niña no verão, contudo o Rio Grande do Sul teve condições climáticas distintas das tradicionais de La Niña, muito em razão do Atlântico Sul que em 2010/2011 teve o maior aquecimento das suas águas desde 1973. O verão foi chuvoso na Metade Norte e janeiro foi escaldante. Porto Alegre terminou janeiro de 2011 com média das mínimas, que refletem as marcas noturnas, de 22,6ºC, valor 2,1ºC superior à normal 1961-1990, sem uma mínima sequer abaixo de 20ºC, fato inédito. Já a média composta de janeiro na Capital foi de 26,2ºC, 1,6ºC acima da média 1961-1990 e 1,5ºC superior ao que se viu no período 1931-1960. A temperatura média mensal e a média mínima em Porto Alegre em janeiro foram as mais altas desde o início das observações em 1910. Com isso, o Estado teve o primeiro verão com dengue sob La Niña, já que nos dois anos anteriores em que a enfermidade se manifestou estava presente o El Niño.

Neste ano de 2012, de estiagem na maior parte do interior durante o verão e temperatura elevada, houve uma ruptura de padrão em relação a anos anteriores com a manifestação da enfermidade no Noroeste gaúcho, a despeito da chuva abaixo da média. O número de casos, porém, é baixo. Em 2012, o Estado tem até o momento 29 casos autóctones contra 181 no mesmo período do ano passado. Este número menor, em nosso entendimento, não apenas decorre dos esforços de saúde pública, mas também do fato da chuva ter ficado bastante abaixo da media na maior parte do Rio Grande do Sul desde novembro. O que merece reflexão para o futuro é se o alastramento territorial e o aumento nos índices locais de infestação ao longo dos últimos anos não tornariam a doença com recorrência anual a partir de agora nos verões e outonos, modulando-se só a gravidade do número de casos ou de epidemias de ano para outro, conforme as condições sazonais de temperatura e chuva no território gaúcho. Cresce, neste aspecto, a importância da informação do clima como assessoramento para os agentes de saúde pública nas suas tarefas de planificação.


Pelo menos 2,5 bilhões de pessoas, em uma centena de países tropicais, estão expostas ao risco de infecção por dengue, doença tropical em plena expansão e a mais disseminada após a malária, segundo especialistas. Como causa da "expansão geográfica", aparecem os transportes públicos, a urbanização em massa e desordenada e o modo como a água utilizada é descartada. De 60 a 100 milhões de pessoas são infectadas todos os anos pela dengue no mundo. As formas graves da doença, dengue hemorrágica e dengue com síndrome de choque, que se agravam em várias regiões intertropicais, podem levar à morte (mais de 20.000 óbitos por ano), sobretudo, nas crianças abaixo dos 15 anos. Nas páginas dos órgãos de saúde (veja) podem ser encontradas muitas recomendações sobre como prevenir a doença. (Com a colaboração de dados do meteorologista Eugenio Hackbart e do geógrafo Nilson Wolff, e imagens do Inmet e SMS-PMPA)

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Aquecimento do Pacífico traz desastre ecológico na América do Sul
Por: Maio, 12-05-2012 | 23:56 | Categoria:
   
 
 
 

Autoridades do Chile pedem ajuda para salvar pássaros das redes de pescadores depois que milhares apareceram mortos. Pelo menos 2300 foram encontrados nos últimos dias na região de Valparaíso. Hipótese aventada para a atual mortandade é que aves que normalmente migrariam para Norte nesta época pelo clima mais frio no Chile, neste ano teriam permanecido pela abundância de anchovas e sardinhas que deixaram a costa peruana em busca de águas mais frias. As autoridades peruanas informaram que o forte aquecimento do Pacífico, que vem desde fevereiro, já teria matado mais de cinco mil aves no litoral. As águas mais quentes na costa peruana fizeram com que peixes que vivem junto à superfície migrassem para águas frias ao Sul. Pelicanos e outros pássaros ficaram sem alimentos e morreram, o que gerou alarme entre a população peruana.

A mortandade dos animais marinhos coincide com um notável aquecimento no Pacífico Leste nos últimos 90 a 120 dias. A MetSul destacou aqui em seu site no dia 16 de abril (leia mais) que a anomalia de temperatura da superfície do mar na chamada região Niño 1+2 era a maior em quase quinze anos. A anomalia atingiu em 11 de abril 1,9ºC, 1,4ºC a mais que na semana anterior. Foi a maior anomalia positiva semanal na região desde 10 de junho de 1998, igualando o registro de 29 de julho de 1998. Foi entre 1997 e 1998 que ocorreu um “Super El Niño”, um dos três episódios Niño mais fortes do século XX.


Há muito se sabe que a alteração da temperatura dos oceanos tem impacto profundo no ecosssistema da costa Oeste da América do Sul, tanto que o El Niño foi identificado primeiro por pescadores peruanos. A pesca da anchova na costa peruana depende da ressurgência das águas frias e ricas em nutrientes que são a fonte de alimento da anchova. Durante os eventos Niño, com o aquecimento das águas, desaparece o alimento e da mesma forma a anchova. O El Niño de 1972/1973 reduziu drasticamente a produção de anchovas, o que se repetiu em 1983/1983. O próximo boletim de análise tratará da estiagem que assola o Rio Grande do Sul hoje com projeções e dados de contextualização histórica.

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Outro dia marcado por muitas trilhas de condensação no céu
Por: Maio, 09-05-2012 | 17:23 | Categoria:
   
 
 
 

Quem olhou atentamente para o céu em Porto Alegre nesta quarta deve ter percebido alguns rastros de aviões no céu misturado às nuvens altas de cristais de gelo. São trilhas de condensação (“contrails”) deixadas por aeronaves que passam sobre a região da capital gaúcha. O colaborador Rodrigo Goulart registrou algumas delas na manhã de hoje.


A imagem de satélite em alta resolução de hoje de manhã mostrava claramente a presença das trilhas de condensação sobre o Sul do Brasil. A maioria se concentrava na região de Florianópolis, no Leste de Santa Catarina, mas um em particular se estendia por centenas de quilômetros sobre o Rio Grande do Sul.


O que a imagem do satélite mostrou do espaço em Santa Catarina, era ainda mais incrível de se ver do solo. O céu estava completamente tomado de trilhas de condensação na região de Criciúma, no Sul catarinense, onde passam várias rotas de voos de Porto Alegre para outras partes do Brasil (fotos do jornalista Sandro de Mattia e de Caroline Brunel/Portal Engeplus).

É a segunda vez em poucos dias aqui no Estado que trilhas de condensação de aeronaves chamam atenção no céu. No dia 4, os chamados “contrails” ficaram muito evidentes ao entardecer sobre Porto Alegre (leia mais), o que proporcionou imagens incríveis pela dispersão das trilhas de condensação devido ao vento em altitude (foto panorâmica feita por Tiago Bischoff).

As condições de umidade em altos níveis da atmosfera era favoráveis, tal como no dia 4, para que os rastros permanecessem no céu por um longo período. A sondagem de Santa Maria mostrou umidade entre 58% e 61% (muito alta para o nível) de 10 mil a 11 mil metros de altitude na manhã de hoje, o que explica a longa duração dos rastros no céu também nesta quarta.

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Geografia da Grande Porto Alegre favorece incidência de nevoeiro
Por: Maio, 09-05-2012 | 02:38 | Categoria:
   
 
 
 

Virou rotina abrirmos os portais de notícias de Porto Alegre durante a manhã nesta época do ano para lermos informações sobre nevoeiro e o “fechamento” do Aeroporto Salgado Filho. Toda vez que a visibilidade fica reduzida no Norte da Capital, são dezenas de voos atrasados e cancelados. Nosso aeroporto possui equipamento para navegação realizada por instrumentos (ILS-1), mas que não é suficiente sob determinadas condições de teto e visibilidade horizontal.


Porto Alegre (foto de Fernando Mainar), possivelmente, seja uma das áreas mais propensas a nevoeiro no Brasil e as razões são de natureza geográfica. Além de estar no Sul do Brasil, onde a atuação do ar frio favorece uma maior ocorrência do fenômeno, a capital gaúcha está cercada por vários rios e tem ainda por cima ao lado um lago (Guaíba), sem mencionar a Lagoa dos Patos. A presença de rios ainda faz com que a região de Porto Alegre seja utilizada na plantação de arroz, o que faz com que muitas áreas ao redor da cidade sejam alagadiças. O que não falta, assim, é umidade em superfície.


Quando o ar é resfriado pela perda noturna de radiação, surgem as condições favoráveis para a formação de bancos de nevoeiro junto aos rios, especialmente em vales, tal como nevoeiro de vapor sobre os mananciais d’água. Essas ocorrências são comuns no outono, quando a água ainda está mais quente e o ar já está sendo resfriado. As noites ficam mais frias, a temperatura cai mais, e as águas quentes trocam umidade com a camada de ar frio que está logo acima da superfície. A frequência deste tipo de nevoeiro é, em especial, frequente com vales cortados por rios. A animação em time lapse abaixo, feita nos Estados Unidos, evidencia o processo até a dissipação.

As moléculas do manancial de água estão sempre evaporando, levando umidade para o ar. Quanto mais quentes as águas, maior a evaporação e maior a presença de umidade no ar. Se uma noite fria e de céu claro é registrada, aproximando-se a temperatura do ponto de orvalho, o nevoeiro começa a se formar e neste tipo de situação, em regra, é raso, o que pemite ver até o topo dos prédios mais altos. Assim, para fins de previsão é importante que se saiba a temperatura da água em áreas de mananciais e sujeitas a nevoeiro, sobretudo em uma região com milhões de pessoas como é o caso da Grande Porto Alegre que tem vários cursos d'água e com um crescente tráfego aéreo (fotos de Fernando Mainar e Adriano Braga do Centro de Porto Alegre neste outono).


Lamentavelmente, os dados de temperatura da água são escassos para não dizer quase inexistentes. Não há dados de temperatura das águas do Guaíba, problema que em breve será resolvido por solução a ser implementada pela MetSul para incrementar o monitoramento hidrológico da cidade. Tampouco existem medições da Lagoa dos Patos. Estudo publicado em 2009 por Daniel Zanotta e outros autores, a partir de sensoriamento remoto pelo satélite NOAA-AVHRR, contudo ofereceu números que ajudam a melhor entender a alta freqüência de formação de nevoeiro na área de Porto Alegre.

Conforme o estudo, com medições de satélite entre agosto de 2007 e julho de 2008, período esse que foi de La Niña, a variação espacial da temperatura do período diurno é maior do que no período noturno. Os técnicos apuraram que a média da variação diurna foi de 4,7°C e de 2,7°C durante a noite. Detalhe fundamental destacado pela pesquisa e que tem relevância para a análise da climatologia de nevoeiro na cidade de Porto Alegre é que, em geral, as áreas mais ao Norte da Lagoa dos Patos apresentam temperatura maior comparada com o Sul do corpo d’água. No período analisado, com exceção de poucos meses, a lagoa se mostrou consideravelmente mais quente se comparada com o oceano. As médias mensais de temperatura da superfície da lagoa variaram no período noturno de 9,9ºC em agosto a 24,8ºC em fevereiro. Já para o dia, a variação foi de 9,9ºC em agosto a 29,5ºC em dezembro.


Recentemente se tornou possível ter uma ideia, mesmo que mínima, ante os vários cursos d’água existentes na região, da temperatura da água. A MetSul é uma das participantes do projeto do consórcio da bacia do Rio dos Sinos, denominado Prósinos, que possui dados diário de temperatura da água do rio. Os números são muito interessantes. O período com maiores marcas neste ano se deu nos dias 19 de fevereiro (29,3ºC), 20 (29,5ºC) e 21 de fevereiro (29,9ºC). Em janeiro, o maior registro de temperatura da água do Sinos se deu no dia 9 com 29,0ºC. Março começou dia 1º com 26,8ºC, mas que alcançou 28,5ºC no dia 13, após duas semanas tórridas e secas, imediatamente antes do temporal do dia 14 em Porto Alegre.

No último dia 29 de março, quando a estação da MetSul Meteorologia no Parque Imperatriz (quase junto ao rio) registrou apenas 5ºC, a temperatura da água do rio medida naquele dia foi de 22,0ºC, incríveis 17ºC a mais que a temperatura ambiente no amanhecer. Em 25 de abril, quando a estação do parque acusou 4,9ºC, a temperatura da água do rio era de 20,8ºC. São essas grandes diferenças térmicas entre a água e o ar que explicam, dentre outros fatores, o porquê de tanto nevoeiro nesta época do ano na Grande Porto Alegre. Nesta terça-feira, o registro do rio era de 20,5ºC.

O acompanhamento diário das imagens de satélite mostra que entre as áreas do Estado com maior incidência de nevoeiro estão aquelas próximas da Lagoa dos Patos, a região dos vales, a Serra e o Alto e Médio Uruguai. É muito comum se observar nas imagens a formação de nevoeiro exatamente sobre os cursos dos rios Jacuí, Taquari, Sinos, Taquari, Caí, Gravataí, Antas e Uruguai. O registro abaixo, de arquivo de maio de 2011, mostra a ocorrência de nevoeiro na bacia do Jacuí e em pontos junto ao Rio Uruguai no Noroeste.


As incidências de nevoeiro neste outono poderiam ser até mais freqüentes e fortes não se estivesse experimentando estação de pouca chuva, afinal está provado que chuva recente e maior umidade do solo tendem a favorecer o fenômeno. Em região com grandes áreas alagadiças como a Grande Porto Alegre, a correlação da umidade no solo para o registro de nevoeiro se torna ainda mais relevante.  

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Semana de muito sol e de veranico deve ter chuva e frio no seu final
Por: Maio, 07-05-2012 | 06:56 | Categoria:
   
 
 
 

O fim de semana teve a presença do sol no Rio Grande do Sul, mas registrou aumento da nebulosidade na Metade Leste. O domingo foi ameno na Capital, entretanto em Santa Rosa a máxima alcançou 30,2ºC. Apesar do começo de dia com muitas nuvens e até chuva por volta das oito da manhã, o domingo teve tempo aberto e bonito no seu final em Porto Alegre (foto).

Até quinta-feira o sol predomina no Estado com dias de sol, nevoeiro localizado entre a madrugada e de manhã, e marcas elevadas para maio à tarde. Nuvens altas ingressam no Estado. No final da quinta já não se descarta chuva, mas a instabilidade deve atingir a maioria das regiões mesmo na sexta com a passagem de uma frente fria e queda de temperatura, de acordo com o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall. O próximo fim de semana pode reservar ainda chuva e frio úmido em parte do Estado à medida que após a passagem da frente na sexta-feira novas áreas de instabilidade devem se formar.

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