Porto Alegre, sexta-feira, 31.10.2014
 
 
 
   
Onda de calor precede períodos com muita chuva e temporais
Por: Outubro, 29-10-2014 | 05:42 | Categoria:
 
 
 
 
 

A temperatura superou 40ºC alguns dias atrás em Santa Rosa no período quente que precedeu a violenta onda de temporais, mas a maioria das cidades gaúchas teve ontem o dia mais quente desde o verão, caso de Porto Alegre. Cidades da região metropolitana e dos vales anotaram máximas perto dos 40ºC. Com o céu claro, os índices UV foram extremos. A umidade do ar muito baixa, inferior aos 30% em muitas cidades, contribuiu pro forte aquecimento. Há exatamente um século, o calor também teve extremos no Rio Grande do Sul. No dia 1º de outubro de 1914, a máxima oficial de Porto Alegre foi de 37,8ºC.


O sol aparece no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira, entretanto são esperadas nuvens altas (Cirrus) na maioria das regiões. Maior aumento de nebulosidade no Oeste e no Sul, onde se projeta chuva com risco de temporais de vento forte e granizo, alguna fortes, especialmente da tarde para a noite. A MetSul Meteorologia alerta que o dia será novamente de calor extremo em que as máximas devem ficar entre 35ºC e 39ºC em muitas cidades, sobretudo do Centro para o Norte gaúcho, incluindo Porto Alegre. No Sul e no Oeste faz muito calor, mas menos intenso que ontem. No começo da quinta os temporais alcançam mais regiões gaúchas, mas depois o sol pode aparecer em algumas regiões com forte aquecimento para depois retornar o mau tempo da tarde para a noite com possibilidade de novas tempestades. Os mais altos índices de instabilidade são projetados pelos modelos numéricos para amanhã, logo a quinta-feira é o dia que nos parece mais crítico para o risco de tempestades.


Terça-feira foi o dia mais quente em Porto Alegre desde o verão com 38,5ºC – Samuel Maciel/Correio do Povo


Já em Buenos Aires a terça-feira terminou com temporal de raios e chuva intensa – Fernando Riquel/Twitter

Entre sexta-feira e segunda-feira a instabilidade predomina no Rio Grande do Sul com chuva que pode ter altos volumes em diversas regiões, incluindo a área de Porto Alegre. Podem ser registrados acumulados de 100 mm a 200 mm em pontos do Estado. Há preocupação com níveis de rios do Sul do Estado, como a bacia do Rio Jaguarão. Na sexta, persiste a possibilidade de tempestades, mas a ameaça será menor que na quinta. O risco de tormentas deverá diminuir bastante no fim de semana.

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Domingo histórico - Chuva de votos e uma enxurrada de tensão
Por: Outubro, 25-10-2014 | 22:33 | Categoria:
 
 
 
 
 

A nação esperará tensa os números da apuração da eleição presidencial hoje à noite nesta que se desenha a mais disputada escolha do período democrático. As pesquisas trazem cenários para todos os gostos. Sob cenário de grande equilíbrio, cresce em importância a abstenção que costuma ser alta no segundo turno, sobretudo no Norte e Nordeste, onde Dilma tem melhor desempenho (ver mapa abaixo da abstenção no segundo turno da eleição presidencial de 2010). Aí entra em cena o que estrategistas no exterior atentam. As condições do tempo podem influenciar a ida do eleitor à urna? Extremamente difícil crer que eleição no Brasil possa ser decidida porque choveu ou fez sol ou em uma parte ou outra do território, mas é interessante ver como será este domingo país afora.


No Sul do Brasil, onde as pesquisas apontam vantagem para o candidato Aécio, o tempo deve ser predominantemente seco com pancadas isoladas de chuva no Paraná e em Santa Catarina, especialmente à tarde. No Rio Grande do Sul, um dia de sol com forte calor à tarde em cidades do Oeste e do Noroeste, onde pode fazer 35ºC ou mais na área de Santa Rosa. No Sudeste do Brasil, disparado o maior colégio eleitoral do país, São Paulo, onde Aécio teve vitória no primeiro turno e lidera as pesquisas de opinião, muitas nuvens e chuva em diversas cidades no decorrer do dia, inclusive podendo chover em parte deste domingo na capital paulista e/ou Grande São Paulo.


Mapa eleitoral da eleição presidencial de 2010 com distribuição municipal dos dados – Revista Época

Em Minas Gerais, outro decisivo colégio eleitoral, no Centro e no Sul do Estado, que têm inclinação mais favorável ao candidato do PSDB, a tendência é de instabilidade do tempo durante parte do domingo com chuva que isoladamente pode ter pancadas fortes. No Norte mineiro, onde Dilma tem melhor votação, o sol predominará com calor na votação e chance de chuva isolada à noite. No Triângulo Mineiro, onde a petista venceu na maioria das cidades em 2010, inclusive em Uberlândia, este domingo terá instabilidade. Hoje já choveu forte na região. No Rio de Janeiro, onde a candidata petista Dilma venceu no primeiro turno e também há quatro anos, o dia terá variação de sol e nuvens com pancadas em muitas cidades fluminenses.


Mapa eleitoral do segundo turno na eleição presidencial de 2010 em Minas Gerais – Folha de São Paulo

No Centro-Oeste, onde as pesquisas apontam vantagem de Aécio, repetindo a tendência de 2010, domingo de sol e pancadas com risco de chuva localmente forte em Goiás e Mato Grosso, porém mais isolada no Mato Grosso do Sul. No Norte, estados inclinados historicamente a votar na oposição (Acre e Roraima) terão pancadas tropicais, o que se repetirá em estados onde o PT tem boas votações como Amazonas e Pará. Já no Nordeste do Brasil, principal reduto no país de Dilma, o sol deve predominar com tempo seco na região do Agreste. Pancadas muito isoladas em cidades costeiras, onde o PSDB tem seus melhores resultados historicamente na região.

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Vento em pontos do Oeste e do Centro do Estado pode ter ficado entre 150 e 200 km/h
Por: Outubro, 21-10-2014 | 22:39 | Categoria:
 
 
 
 
 

Durante a segunda e a terça-feira, a MetSul Meteorologia analisou vários dados e imagens sobre os intensos vendavais que assolaram o Rio Grande do Sul na noite de sábado (18) e na madrugada do domingo (19). É possível que tenha ocorrido tornados, apesar de não ter sido identificado algum evento desta natureza, mas relevante é que a magnitude dos danos em pontos severamente afetados do Centro e do Oeste e do Estado é condizente com rajadas de vento extremamente fortes da ordem de 150 a 200 km/h. Isso é particularmente identificável pelos danos observados em pontos dos municipios de Santiago, Maçambará, Unistalda e Capão do Cipó no Oeste (fotos abaixo da Rádio Santiago e AES Sul do poste de concreto).


No Centro do Estado, além de Tupanciretã, o município mais atingido pelo vendaval do fim de semana foi o de Arroio do Tigre. O vento deixou rastro de destruição e prejuízos em algumas propriedades. Casas, escolas e galpões foram destelhados. Árvores e postes caíram. Em algumas localidades não havia como trafegar devido aos entulhos nas estradas. Houve colapso nos serviços de luz, água, telefone e internet. Em Linha Paleta, a ventania derrubou um pavilhão e virou uma máquina colheitadeira. O vendaval também arrancou e quebrou eucaliptos e cerca de 15 pinheiros (fotos abaixo da Gazeta da Serra).


A MetSul Meteorologia, com base na análise das imagens dos danos, estima que o vento naquele ponto ficou no mínimo entre 150 e 200 km/h em Arroio do Tigre. Não se pode descartar a possibilidade de que a área tenha sido atingida por um tornado, mas linhas de tempestades como a que atuou entre a noite do sábado e a madrugada do domingo são capazes de provocar vento tão intenso e destrutivo como um tornado categorias F1 ou F2 (ventos de até 200 km/). É o que os norte-americanos denominam de straight line winds, comum em sistemas de tempestade em linha e de rápido deslocamento, como era o caso do evento do fim de semana. E é a hipótese mais provável para o evento de Arroio do Tigre, a partir dos relatos dos moradores de que o vento intenso durou alguns minutos e não foi severo e com curta duração como é o normal em tornados.

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São Borja escapou de um forte tornado na noite de sábado
Por: Outubro, 20-10-2014 | 11:29 | Categoria:
 
 
 
 
 

A sequência de imagens de radar meteorológico do DECEA/FAB abaixo mostra uma perfeita supercélula de tempestade (mesociclone) sobre a província argentina de Corrientes, logo a Oeste de São Borja, pouco antes das 23h do sábado (18). Observa-se a presença do que em Meteorologia se chama de “eco em gancho” (hook echo), assinatura clássica no radar de um forte tornado. Nem todos os “ecos em gancho” significam a presença do tornado, entretanto é comum que este tipo de fenômeno se faça presente quando há esta característica de assinatura no radar, tanto que o Serviço Nacional de Meteorologia nos Estados Unidos tem por regra emitir alertas de tornados quando da presença destas assinaturas no radar.


Na mesma hora em que o eco em gancho apareceu nas imagens do radar meteorológico que cobre a Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, a MetSul Meteorologia, que naquele momento monitorava o tempo severo, informou mediante as suas redes sociais que provavelmente havia um forte tornado a Oeste de São Borja sobre a vizinha província argentina de Corrientes.


E, de fato, havia um tornado na região em que aparecia a assinatura de vórtice. Conforme noticiado pela imprensa argentina, “um forte tornado arrasou com casas, postes, árvores e antenas de telefonia na cidade de Carlos Pellegrini”, em Corrientes.

São Borja teve sorte sábado à noite. Muita sorte! A supercélula de tempestade alcançou o município gaúcho, trouxe vento de 98 km/h (possivelmente mais em alguns pontos fora da área da estação do Instituto Nacional de Meteorologia) e alguns danos isolados, mas quando atingiu São Borja a célula não mais tinha a estrutura tornádica que antes apresentava. A Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul teve no final de outubro de 1997 o seu pior tornado em Itaqui e a vizinha cidade argentina de Alvear. Em Itaqui, faixa de 400 metros na área urbana foi arrasada com milhares de casas total ou parcialmente destruídas.

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Onda de temporais termina com quatro mortos e muitos danos
Por: Outubro, 20-10-2014 | 01:18 | Categoria:
 
 
 
 
 

O último dia da onda de tempestades iniciada na quinta-feira no Rio Grande do Sul foi marcado por chuva forte em algumas regiões e muitos vendavais. O Centro de Porto Alegre em 4 dias teve 170 mm. No fim de semana, o saldo de mortos pelas tempestades subiu para quatro no Rio Grande do Sul. No sábado, um homem morreu atingido por raio enquanto falava ao telefone na sacada em Viamão, na Grande Porto Alegre. No domingo, uma jovem de 29 anos perdeu a vida quando um pinheiro caiu sobre a sua casa durante o temporal em Gramado, na Serra. A madrugada do domingo teve fortes a intensos vendavais em várias cidades do Oeste, Centro e Norte do Estado com rajadas que em alguns municípios superaram os 100 km/h. Um dos municipios mais atingidos foi Santiago (fotos abaixo na galeria por Eder Alves/Nova Pauta de Santiago).


As rajadas medidas em estações meteorológicas chegaram a 111 km/h em Santiago, 103 km/h em Cruz Alta, 102 km/h em Ausentes, 98 km/h em São Borja, 90 km/h em São Luiz Gonzaga, 88 km/h em Canela, 87 km/h em Bento Gonçalves, 86 km/h em Soledade, 85 km/h em Teutônia, 77 km/h em Farroupilha, 76 km/h em Campo Bom, 76 km/h em Palmeira das Missões, 76 km/h em Lagoa Vermelha, 74 km/h em Santo Augusto e 70 km/h em Santa Rosa. A estação do Innet em Vacaria chegou a reportar 142 km/h, porém não estamos endossando este dado eis que não houve qualquer estrago na área e moradores relataram que o vento não soprou tão forte, podendo ser um problema no equipamento do órgão governamental.


Intenso vendaval da madrugada de domingo deixou muitos estragos em Unistalda – Blog Unistaldense


Município de Tupanciretã foi um dos mais atingidos pelo forte vendaval da domingo – Defesa Civil


Prédio da prefeitura do pequeno município de Rolador foi totalmente destelhado – Rádio Missioneira


Fortes rajadas de vento derrubaram árvores na zona urbana de Tenente Portela – Portela Online


Enorme pinheiro caiu sobre uma residência e matou uma jovem em Gramado – Jornal de Gramado

Os intensos vendavais do começo do domingo foram resultado da formação de potente linha de instabilidade de rápido deslocamento associada a uma frente fria. A brusca troca de massas de ar, de quente para mais fria, na passagem desta linha de tempestades que avançou com grande velocidade criou as condições ideais para vento intenso. Havia ainda uma corrente de jato em baixos níveis atuando sobre o Rio Grande do Sul, trazendo ar quente, e que potencializou a instabilidade.


Município de Julio de Castilhos teve importantes estragos com o vento – João Alcir Batista/Facebook

O sol aparecerá no Rio Grande do Sul nesta segunda-feira, apesar de nuvens no céu em diversas regiões, marcando o fim de um período que teve chuva intensa, muito granizo e vendavais no Estado. Na Metade Norte ainda haverá períodos de maior nebulosidade e até chuva em alguns pontos, mas depois o tempo melhora. A temperatura fica agradável. A semana terá o predomínio do tempo seco, o que ajudará no plantio da safra de verão. As madrugadas serão um pouco frias para o fim de outubro. Já as tardes gradualmente devem ficar mais quentes nos próximos dias e fará calor no Estado no final da semana.

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Frente fria e risco de chuva forte no último dia da onda de temporais
Por: Outubro, 18-10-2014 | 20:16 | Categoria:
 
 
 
 
 

O sábado foi de instabilidade no Rio Grande do Sul com registro de chuva na maioria das regiões. Ainda na madrugada, temporais isolados voltaram a atingir o Estado, mas desta vez sem causar danos. Houve grande atividade elétrica com alta incidência de raios em grande número de localidades. Até caiu granizo miúdo e bastante isolado no começo do sábado na Grande Porto Alegre, o terceiro dia seguido com registro do fenômeno na área metropolitana, o que é um tanto incomum. A chuva acumulada no Centro de Porto Alegre desde o começo da quinta-feira é de 127 mm, acima da média histórica mensal.


Começo do sábado foi marcado por tormenta com grande freqüência de raios em São Gabriel – Marcelo Ribeiro


Outra localidade que teve muitos raios nas primeiras horas deste sábado foi Santa Maria – William Schmitz

O quarto e último dia da onda de tempo severo no Rio Grande do Sul será marcado pelo avanço de uma frente fria pelo Estado. Muitas nuvens atuarão no território gaúcho e vai chover na maioria das regiões no decorrer do domingo. A instabilidade se intensifica nesta noite na Argentina e no Uruguai, alcançando o Oeste gaúcho. Ao longo do domingo afetará as demais regiões. Alerta para o risco de chuva forte a intensa, especialmente em pontos do Centro para o Norte gaúcho, não se descartando alagamentos. Há possibilidade de chover forte na região de Porto Alegre. Devido à troca de massas de ar, de muito quente para mais fria, existe ainda a ameaça de temporais localizados com granizo e, sobretudo, rajadas de vento forte. A temperatura tende a declinar e o tempo melhora a partir do Sul e o Oeste. Advertência também para temporais isolados, alguns possivelmente fortes, em Santa Catarina e no Paraná assim como em alguns pontos isolados de São Paulo.  

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Calor bate recordes, causa mortes e vai piorar no Centro do país
Por: Outubro, 18-10-2014 | 08:42 | Categoria:
 
 
 
 
 

O que a brutal e opressiva onda de calor do começo de fevereiro representou em termos de história para nós aqui em Porto Alegre, o atual período de extremo calor representa para muitas cidades do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil nestes dias. A cidade de São Paulo teve nesta sexta-feira o seu dia mais quente até hoje, conforme dados oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia. A máxima na estação do Mirante de Santana acusou 37,8ºC, marca superior ao recorde anterior de 37,0ºC de 20 de janeiro de 1999 e a maior desde o começo das observações no local em 1943. Outros registros históricos da capital paulista são 36,7ºC em 19 de janeiro de 1999 e 21 de janeiro de 1999, 36,6ºC em 31 de outubro de 2012, 36,4ºC no dia 7 de fevereiro de 2014, 36,3ºC em 8 de fevereiro de 2014, 36,1ºC em 30 de outubro de 2012 e 36,0ºC em 9 de fevereiro de 2014.


Atente que a maioria dos extremos de temperatura máxima destes 71 anos de história da estação oficial do Inmet se deu agora no ano de 2014, coincidindo exatamente com o período de estiagem severa que assola o estado de São Paulo. Durante secas históricas, são comuns que as áreas afetadas tenham ondas de calor excepcional com recordes absolutos de temperatura, como vem ocorrendo. É um relação de causa e efeito que se retroalimenta. O tempo seco favorece o calor e por outro lado a intensidade da massa de ar quente e seco frustra a ocorrência de chuva que poderia trazer alívio. É um ciclo vicioso meteorológico, o que explica o quase colapso do abastecimento de água. Imagens de satélite abaixo da Digital Globe mostram a realidade do Sistema Cantareira antes da estiagem e agora com a forte seca. Assusta a variação da paisagem.


No interior paulista, até esta sexta-feira foram registrados quatro dias consecutivos com marcas acima dos 40°C, sendo dois dias acima de 41°C (foto abaixo de Marcelo Camargo/Memória EBC). Na tarde da sexta, a máxima no interior chegou a 41,5°C em Valparaíso, a maior temperatura já registrada no Estado desde o ano de 1956. Considerando histórico resumido mais antigo do INMET (normal climatológica de 1930 a 1960), sem série diária disponível, só há dois registros de marcas mais altas já registradas: 43,0°C em Iguape no dia 3 de fevereiro de 1933 e 42,1°C em 16 de janeiro de 1956. Em São Simão, na quinta, a máxima de 40,3°C foi a maior desde 1961, ano de abertura da estação meteorológica. Em São Carlos registrou-se 37,4°C na sexta, a maior desde fevereiro de 1964, quando fez 37,6°C. O levantamento histórico é do Inmet de São Paulo.


No Mato Grosso do Sul, até sexta eram oito dias seguidos com 40°C ou mais, sendo o quarto dia consecutivo com níveis de calor extremo e perigosos com máximas acima dos 41,9°C. As máximas bateram recordes de meio século e no dia 15 chegaram a 42,9°C em Coxim, a maior desta onda de calor, só superada por dois registros de Corumbá no ano de 1962 (43,8°C e 43,0°C nos dias 15 e 16/11/1962 respectivamente). Nesta sexta, a máxima foi de 42,5°C em Três Lagoas e Água Clara, que também registraram recordes. Em Campo Grande, as máximas de 40,2°C em 15/10/2014 e de 40,0°C em 14/10/2014 foram as duas maiores já registradas no município na série do Inmet, superando o registro de 39,7°C em 17/11/1985. O calor extremo já cobra o seu saldo no Mato Grosso do Sul. De acordo com as autoridades de saúde, apenas nesta semana oito idosos com desidratação acabaram morrendo em virtude do calor e há casos que não são comunicados.


O tempo muito seco e extremamente quente dos últimos dias na Região Sudeste do país, além de piorar muito a qualidade do ar em áreas urbanas, favorece incêndios em vegetação. Um incêndio florestal consumiu nesta semana centenas de hectares do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, na região serrana do Rio de Janeiro. O Ministério da Defesa chegou a enviar dois helicópteros equipados com um sistema para ações de combate aos focos de incêndio. Os aparelhos são equipados com uma enorme bolsa para transporte de água com capacidade de carga de 1.600 litros (fotos abaixo de Fernando Frazão/ABr/EBC).


O calor vai piorar neste fim de semana no Sudeste e no Centro-Oeste do Brasil, alerta a MetSul. A temperatura atingirá níveis perigosos (43ºC a 45ºC), esperando-se máxima ao redor de 40ºC na cidade de São Paulo com possibilidade de novos recordes, sobretudo no domingo. Em Goiás, onde o Grêmio joga no fim da tarde, os jogadores vão enfrentar calor opressivo em partida que recordará a realizada este ano no estádio do São José pelo Campeonato Gaúcho. Todas as partidas deste fim de semana em São Paulo, aliás, devem ser disputadas sob calor extremo, o que exigirá várias paradas técnicas nos jogos para a hidratação dos jogadores. Calor tão intenso deve detonar áreas de instabilidade isoladas com chuva e até temporais isolados no Sudeste. No começo da semana, tempestades vão atingir o Centro-Oeste e o Sudeste, incluindo São Paulo, com risco de alguns destes temporais até serem muito intensos a destrutivos em pontos localizados. No Rio de Janeiro, o tempo vira entre a segunda e terça com chuva e risco alto de forte vento pelo ingresso de ar mais frio na costa e a rápida saída do ar quente.

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Calor atinge níveis sem precedentes no Norte da Argentina e prolonga onda de tempestades que já deixa dois mortos
Por: Outubro, 17-10-2014 | 09:58 | Categoria:
 
 
 
 
 

Os gaúchos despertaram na manhã de hoje com os temporais como principal assunto de capa nos jornais e ouvindo pelo rádio que o cenário que já era ruim ontem ficou ainda pior na madrugada de hoje. A onda de tempestades reiteradamente alertada pela MetSul Meteorologia desde o começo da semana como “preocupante” e “grave” já deixa dois mortos no Estado e prejuízos em um grande número de comunidades. Temporais durante a madrugada de hoje apenas agravaram os estragos.


Temporais na tarde de ontem trouxeram estragos em Passo Fundo e outros pontos do Norte do Estado. O vento registrado nas estações automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia alcançou 98,2 km/h em Lagoa Vermelha, 97,5 km/h em Soledade e 94,7 km/h em Passo Fundo. Em Passo Fundo, houve estragos e falta de luz em vários pontos da cidade. Uma escola municipal foi completamente destelhada. Com a força do vento, o telhado foi arrancado e arremessado para fora do pátio, atingindo casas vizinhas e a rede elétrica (foto abaixo da Rádio Uirapuru/CP). O Corpo de Bombeiros recebeu pelo menos 100 pedidos de lonas de pessoas que tiveram as casas parcialmente destelhadas. Em Sertão, idosa de 74 anos morreu ao ser atingida por um portão durante vendaval. Já em Canguçu, menina de 12 anos morreu atingida por um raio na tarde da quinta na localidade de Rincão dos Maias, zona rural. Ela recolhia roupas do varal de casa quando foi atingida pela descarga elétrica.


Os temporais seguiram na madrugada de hoje no Rio Grande do Sul. Muitos raios cortaram o céu da Capital durante quase toda a noite (fotos abaixo de @deeh, Rafael Marafon e Michel Dreger). Voltou a cair granizo em vários bairros de Porto Alegre, entretanto miúdo e sem os problemas da véspera, quando centenas de casas foram destelhadas nas ilhas. Caiu granizo ainda em Guaíba, Eldorado, Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Sapiranga, Viamão e outras cidades da região.


O pior ocorreu no interior. O granizo, pela segunda madrugada seguida, trouxe mais danos. Por volta das 2h da manhã, o granizo danificou pelo menos 500 residências em Rosário do Sul, no Oeste. As pedras de gelo tiveram grande tamanho (fotos abaixo de Dieison Cruz e Jonathan Ribeiro de Menezes).  Em Camaquã, no Sul, a queda de granizo atingiu com maior intensidade os bairros Banhado do Colégio Núcleo II, Granja Emília e Capão do Café. O Corpo de Bombeiros já distribuiu cerca de 600 metros de lonas para cobrir as residências danificadas. Em Quintão e outras praias, no Litoral Norte, também houve queda de granizo na madrugada, mas sem relatos de danos. Em Soledade, o vento atingiu 96,5 km/h no final da madrugada.


Porto Alegre começou a manhã de sexta-feira com muitos transtornos e problemas graves no trânsito devido aos alagamentos (foto abaixo de André Ávila do Correio do Povo). Foi um pesadelo pros motoristas. A chuva foi forte a torrencial na madrugada e seguia moderada no começo da manhã. O acumulado no Centro na soma de ontem e hoje até 9h30m foi de 111 mm, virtualmente a média histórica (1961-1990) de outubro inteiro de 114,3 mm. A avenida Sertório foi a mais atingida, com trânsito quase parado. Motoristas tentaram escapar pela Avenida Assis Brasil, que igualmente tinha problemas pela chuva.


A MetSul Meteorologia reitera a explicação que os temporais de ontem, hoje e também os previstos para amanhã são resultado de um fluxo de ar quente de Norte incomum e atipicamente intenso que reveste-se de caráter histórico. O ar quente opera como “gasolina em fogo” à medida que estimula a formação de poderosas áreas de instabilidade sobre o Rio Grande do Sul. Atente para o mapa (Earth) abaixo com o vento em 850 hPa (1500 metros) de altitude como as linhas de corrente definem claramente um fluxo intenso de ar quente do Norte argentino para o Estado. É uma corrente de jato de baixos níveis que traz o ar muito aquecido para o Sul e que, na prática, em analogia para fácil compreensão, é como a "mangueira" que alimenta o "fogo" (instabilidade) com "gasolina" (ar aquecido numa atmosfera úmida e instável) sobre o território gaúcho.


A temperatura na tarde de ontem foi a 40,6ºC em Santa Rosa e a 38,2ºC em Iraí, mais altas desde o verão no Estado. No Norte da Argentina, o calor atingiu níveis sem precedentes em qualquer época do ano com recordes absolutos de máximas em um século de dados. As máximas chegaram a 46,1ºC em Roque Sáenz Peña (recorde anterior de 45,0ºC em 6 de fevereiro de 1937), 44,4ºC em Resistencia (recorde anterior de 43,5ºC em 2 de novembro de 2009) e a 42,4ºC em Jujuy (recorde anterior de 42,0ºC em 11 de dezembro de 2012). Os dados são do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina. O mapa mostra a projeção de temperatura em 850 hPa (nível de 1500 metros) para hoje e se observa a excepcionalidade da massa de ar quente que cobre uma grande parte do Brasil com marcas de 41ºC a 43ºC e ainda o Paraguai e a região Norte da Argentina.

Atenção – A MetSul alerta que o risco de chuva localmente forte a torrencial segue entre a tarde e a noite desta sexta-feira no Rio Grande do Sul. O risco de temporais de granizo e vendavais será maior na Metade Norte que estará sob influência de ar mais quente. No fim de semana, a chuva forte e os temporais vão seguir castigando o Estado com prováveis novos danos e transtornos em diversas comunidades. Neste sábado, chove em diversas regiões, especialmente do Centro, Sul e Leste do Estado no começo do dia. Há vários modelos indicando que ao longo do sábado poderia ocorrer abertura do tempo com forte aquecimento em diversos pontos do Estado, o que poderia levar a novos temporais isolados da tarde para a noite e que em alguns pontos poderiam ser fortes por conta das altas temperaturas. No domingo, frente fria se organiza sobre o Rio Grande do Sul e traz chuva para a maioria das regiões e que pode ser volumosa em diversos pontos. Na troca de massas de ar, de muito quente para fria, podem ocorrer temporais de vento e granizo. A MetSul alerta ainda que neste fim de semana, sobretudo no domingo, o risco é alto de tempestades severas localizadas em Santa Catarina e no Paraná. Com os dois estados sob ar muito quente, alguns temporais podem ser violentos e com potencial destrutivo. Já no Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, o calor aumentará neste fim de semana e pode atingir níveis perigosos (43ºC a 45ºC), esperando-se temperatura ao redor de 40ºC na cidade de São Paulo com possibilidade de recordes. No começo da semana que vem, tempestades vão atingir o Centro-Oeste e o Sudeste, incluindo São Paulo, com risco de alguns destes temporais serem muito intensos a destrutivos em pontos localizados. No Rio de Janeiro, o tempo vai virar entre a segunda e terça com chuva e risco alto de forte vendaval.

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Grave onda de tempestades segue até domingo e começa com chuva histórica de granizo em Porto Alegre
Por: Outubro, 16-10-2014 | 15:00 | Categoria:
 
 
 
 
 

Primeiro dia. Começou a onda de temporais no Rio Grande do Sul nesta quinta-feira que a MetSul Meteorologia vinha insistentemente alertado desde o começo da semana. Logo nas suas primeiras horas já produziu danos e transtornos no Estado. Os maiores problemas nesta fase inicial do período de tempestades que se antecipa se deu na região da Capital. Logo no começo do dia, o céu de Porto Alegre foi tomado por freqüentes raios, anunciando o forte temporal que viria logo depois.


Muitos raios cortaram o céu de Porto Alegre no começo da madrugada desta quinta-feira - Fabrício Maraschin


Raios acompanharam a formação de fortes áreas de instabilidade no Leste do Rio Grande do Sul – Via @ibirabali


Impressionante registro dos raios sobre o bairro Navegantes, na zona Norte da Capital – Fabiano Gutierres

Pouco depois das duas da madrugada teve início uma chuva torrencial em Porto Alegre que em poucos minutos acumulou 32 mm no Centro da cidade, o que trouxe alagamentos. Junto com a chuva veio granizo e em grande quantidade. Em menos de cinco minutos, as ruas do Centro da Capital ficaram cobertas pelas pedras de gelo (foto abaixo do Twitter Taxinight In POA).


Foi a mais expressiva precipitação de granizo em Porto Alegre que se tem na memória da história recente da cidade. As pedras de gelo caíram do Sul ao Norte da Capital e não se limitaram a apenas alguns bairros, como normalmente ocorre em temporais. E caíram ainda em várias cidades da região como Canoas, Guaíba, Eldorado do Sul, Viamão e também Alvorada.


Granizo na Capital e região – Rodrigo Almeida (esquerda), Fillipe Ely (centro) e Anderson Stefanski (direita)

Em Porto Alegre, a maior concentração de granizo ocorreu no Centro e nas ilhas do delta. O granizo chegou a acumular nas ruas do Centro histórico. As pedras de gelo do temporal destruíram vidros e persianas no Centro. Em outros bairros, também caiu muito granizo que cobriu pátios a ponto de ser possivel recolher grande número de pedras de gelo (foto de Anahí Fros).


No Centro, os maiores estragos se deram na Praça da Alfândega. Uma das cerca de vinte tendas da Feira do Livro desabou pelo peso do gelo. O acúmulo de gelo chegou a 15 centímetros e acumulou nas vias. Blocos de gelo podiam ser vistos junto ao prédio da sede do Banrisul. O Memorial do Estado teve alagamentos no temporal. Devido ao granizo, árvores perderam as folhas que formaram um tapete na praça. (fotos abaixo de Lucas Rivas, Gabriel Jacobsen e Samantha Klein da Rádio Guaíba).


O que impressionou mesmo no Centro foi a enorme quantidade de gelo que caiu, apesar da precipitação ter durado poucos minutos. O granizo formava blocos de gelo nas ruas centrais da Capital na madrugada e mesmo muitas horas depois ainda se podia ver blocos de gelo no Centro da manhã de hoje. (fotos da Rádio Guaíba na esquerda e de Fernando Mainar na direita).


A chuva de granizo que atingiu Porto Alegre e a região na madrugada dessa quinta-feira causou maiores estragos no município de Eldorado do Sul e nas ilhas da Capital. A estimativa é de que mais de 300 casas tenham sido danificadas nas ilhas (foto abaixo de André Ávila do Correio do Povo). Em Eldorado do Sul, outras centenas de residências tiveram os seus telhados danificados. O Litoral Norte do Estado foi atingido pelo temporal em torno do mesmo horário. De acordo com o Corpo de Bombeiros de Tramandaí, houve registros pontuais de telhas danificadas, mas não há ocorrências graves na região. A Defesa Civil também deve calculas os prejuízos em áreas rurais da Região Metropolitana e da Região Carbonífera do Estado.


O temporal no Leste do Estado se deu com o avanço de ar muito quente pelo Oeste e o Noroeste, que havia elevado a temperatura a quase 38ºC horas antes na região Noroeste, o que detonou a formação de intensas áreas de instabilidade no Sul e no Leste . A imagem de satélite do momento do granizo em Porto Alegre acusava a presença de faixa de nuvens mais carregadas no Leste que era naquele momento alimentada por ar muito quente de Oeste que trazia vento com rajadas de Norte no interior. Esta linha daria lugar logo depois a um CCM (Complexo Convectivo de Mesoescala), um aglomerado de nuvens carregadas, sobre o Atlântico na costa. Já a imagem de radar da hora do granizo mostrava uma célula isolada com altíssimas taxas de refletividade na região da Capital, consistente com a forte precipitação do fenômeno que foi observada.


A manhã desta quinta foi de novos temporais. Em Pelotas, o dia virou noite (foto abaixo de Ceci Diehl via Diário Popular). Conforme o Laboratório de Agromoteorologia da Embrapa Clima Temperado, da meia noite até às 14h30min choveu 60 mm em Pelotas. Diversas ruas da cidade do Sul do Estado alagaram rapidamente. Em Rio Grande, a chuva forte a intensa também causou alagamentos. O acumulado de chuva foi de 70 mm até 14h. Também até o mesmo horário choveu 72 mm em Canguçu, 62 mm em Mostardas e 53 mm em Bagé. Em Porto Alegre, o céu voltou a escurecer no final da manhã desta quinta (foto abaixo de André Ávila do Correio do Povo). Choveu no Centro desde o início do mau tempo às 2h até 14h um total de 45 mm.


Atenção - Esta onda de tempo severo será longa e vai seguir até o domingo. Neste período de quatro dias, o Estado estará sob a influência de ar extremamente instável que propiciará a geração de nuvens muito carregadas capazes de trazer chuva localmente forte a torrencial, vendavais isolados e queda de granizo em pontos localizados. Espera-se ainda uma alta incidência de raios no território gaúcho no período de hoje a domingo. A MetSul alerta que alguns dos temporais podem ser fortes a intensos, com potencial de causar novos transtornos e danos. Os volumes de chuva deverão ser muito altos na soma de hoje ao começo da segunda-feira em diversas regiões com a possibilidade de elevação de níveis de rios e arroios, inclusive com transbordamentos. Acumulados de 100 mm a 200 mm são esperados em pontos do Centro, Sul e Leste do Rio Grande do Sul, não se afastando volumes até maiores. É alto o risco de chuva forte a intensa em Porto Alegre no período com alagamentos e outros problemas até domingo. As pancadas serão torrenciais em alguns momentos com altos volumes em curtos intervalos. De hoje até sábado, o tempo severo será gerado pelo fluxo de ar extremamente quente de Norte para o Estado. No domingo, massa de ar mais frio impulsiona uma frente fria pelo Rio Grande do Sul que ao encontrar a massa de ar muito quente a atmosfera carregada de umidade deve favorecer novas ocorrências de chuva forte a intensa com temporais.

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