Porto Alegre, terça-feira, 31.03.2015
 
 
 
   
Sistema de baixa pressão favorece temporais no RS
Por: Março, 28-03-2015 | 14:09 | Categoria:
 
 
 
 
 

Sistema de baixa pressão atmosférica começou a se organizar sobre o Paraguai e o Nordeste da Argentina neste sábado e já propicia o desenvolvimento de nuvens carregadas na província de Missiones entre o Noroeste gaúcho e o Paraguai, que ao longo do dia avançam para Leste. Nas próximas horas há risco de pancadas de chuva que podem ser localmente fortes acompanhadas de raios e trovoadas em alguns pontos da faixa Norte do Rio Grande do Sul, sobretudo na divisa com Santa Catarina atingido principalmente o Noroeste gaúcho, o Alto Uruguai, o Planalto, Alto Jacuí, a Serra, os Aparados e também o Litoral Norte. Não se descarta a ocorrência de pancadas esparsas de chuva em pontos da região Central e região dos Vales.

 

Amanhã o sistema de baixa pressão em superfície se intensifica. Em consequencia disso a atmosfera sobre o Rio Grande do Sul estará demasiadamente instável e irá favorecer a formação de fortes áreas de instabilidade com nuvens carregadas. Ao longo do dia ocorrem pancadas de chuva na maioria das regiões do Estado, exceto em partes do Oeste e do Sul mais próximo a fronteira com o Uruguai. A chuva será irregular e mal distribuída, contudo já pode chover pela manhã em partes da metade Norte e há risco elevado de chuva localmente forte com volumes elevados em curtos períodos. A chuva virá acompanhada de raios e trovoadas em alguns momentos, sobretudo no decorrer da tarde para noite. Também é elevado o risco de temporais localizados com vento forte, mas especialmente com queda de granizo, que pode ser de tamanho grande entre a faixa Central e o Norte gaúcho, incluindo a área da região Metropolitana, a Serra e o Litoral Norte. No Litoral o vento será contínuo com forte intensidade ao longo do domingo.

Na segunda-feira a instabilidade persiste sobre Estado e apesar do sol aparece em várias regiões ocorrem períodos de maior nebulosidade com chuva irregular e mal distribuída nas metades Leste e Norte. Ainda chove forte no Nordeste e Norte gaúcho, especialmente no Litoral Norte.


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Mesmo com El Nino a chuva tem sido irregular no Estado
Por: Março, 25-03-2015 | 13:43 | Categoria:
 
 
 
 
 

O canal de umidade da Amazônia, que regula o regime de chuva no país, está mais atuante nas últimas semanas nos Estados do Sudeste e Centro Oeste propiciando, assim, a ocorrência de chuva mais abundante por lá. No começo do ano de 2015 não foi assim a chuva continuava escassa por lá enquanto que a precipitação ocorria em maior quantidade e frequencia aqui no Estado. O mapa abaixo mostra o desvio de precipitação do mês janeiro e nas áreas em azul é possível observar que a chuva ultrapassou a média histórica em grande parte do território gaúcho.

 

Já no mês de março até o presente momento, a situação se inverteu completamente e a chuva ficou irregular e mal distribuída no Rio Grande do Sul concentrando maiores acumulados em parte do Centro Oeste e Sudeste. Conforme mapa abaixo de desvio de precipitaçao do CPTEC/INPE as áreas em azul que indicam a chuva acima da média foram registradas no centro do país. Enquanto que no Rio Grande do Sul há deficit de 50 a 100 mm, ou seja, ainda falta chover essa quantidade para que se atinja a média histórica. É provável que isso não aconteça. 

Nos próximos 7 dias o modelo americano indica que a chuva seguirá irregular em todo o território gaúcho. No mapa abaixo é possível observar que os volumes de precipitação (mm) não serão muito significativos com possibilidade de 40 mm em pontos do Nordeste e Oeste do Estado. Nas demais regiões os volumes tendem a ser baixos e é possível que se encerre o mês com precipitação abaixo da média na maioria das regiões. 

A Metsul tem recebido com certa frequencia o seguinte questionamente: mas se tem El Nino atuando como pode estar chovendo menos no Sul do país? Primeiro é preciso ressaltar que el Nino não é garantia de chuva e nem La Nina é garantia de seca. Já houve anos sob inlfuência de El Nino com chuva irregular, assim como, houve anos de La Nina com muita chuva em partes do Estado. Neste ano, há um ingrediente que está contribuindo para essa irregularidade na precipitação: o resfriamento do Pacífico Leste (em destaque em azul na figura abaixo). O pacífico central está mais quente que a média há semanas e, por isso, há El Nino, contudo, o resfriamento no Leste tem impacto importante no Clima do Estado  e, por isso, o regime de chuva tem mudado nas últimas semanas e ao que tudo indica tende a permanecer assim por mais algumas semanas.

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Outono irá começar com queda na temperatura no Estado
Por: Março, 20-03-2015 | 13:22 | Categoria:
 
 
 
 
 

O outono de 2015 começa hoje às 19h45 com promessa de rápida virada na temperatura já nos primeiros dias. Nestas últimas horas de verão o sol irá predominar em grande parte do Rio Grande do Sul com forte aquecimento. Áreas do Noroeste irão apresentar máximas ao redor de 37°C, na Grande Porto Alegre a máxima poderá superar os 35°C. Em áreas da Metade Sul e Oeste há risco de pancadas isoladas de chuva e temporais passageiros poderão ocorrer devido ao calor. Nos munícipios de fronteira com o Uruguai a nebulosidade já aumenta e há registro de  significativa incidencia de raios conforme registra monitoramento do RINDAT. 

 

A imagem de radar registra núcleos isoladas de chuva forte (em vermelho)  em cidades do Sudoeste Gaúcho. Em Quaraí a chuva chegou provocando forte queda na temperatura. Em menos de 1 hora a temperatura despencou de 32,1°C para 21,5°C com rajadas de vento que alcançaram 58 km/h. Em Uruguaiana onde ainda não houve registro de chuva, a estaçao do Inmet registrou 33,6°C às 13h. 


No primeiro fim de semana de OUTONO uma frente fria vai cruzar rapidamente o Estado durante o sábado provocando aumento de nuvens, pancadas muito irregulares de chuva com baixos acumulados na maioria das regiões, porém eventuais episodios de chuva forte poderão ocorrer. Da tarde para a noite o vento ganha intensidade, devido a troca de massas de ar, sai o ar quente e avança o ar polar e em consequencia disso poderá ocorrer rajadas de vento com intensidade moderada a forte. As áreas mais afetadas tendem a ser as Metades Leste e Sul com rajadas que poderão chega a 60/80 km/h. A noite de sábado será de rapida queda na temperatura e o vento persistente irá gerar sensaçao termica baixa, ou seja, vai fazer frio em algumas regiões.

No domingo a massa de ar polar irá provocar queda acentuada na temperatura e em muitas cidades poderão ocorrer as menores temperaturas mínimas do ano até agora. As mínimas ficarão abaixo de 10°C em munícipios da Campanha, Serra e até mesmo fronteira Oeste. Nas demais regiões as mínimas irão oscilar entre 11 e 13°C. A tarde terá gradativa elevação térmica, contudo, o vento sul persistente irá atenuar o aquecimento com máximas que devem ficar ao redor de 25°C na Grande Porto Alegre, dos 20°C na Serra, 22°C na Zona Sul e 24°C na fronteira Oeste. 

 


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Ciclone Cari provoca "pororoca" em Imbé e garante surfe no rio
Por: Março, 12-03-2015 | 14:41 | Categoria:
 
 
 
 
 

Se a tempestade subtropical Cari foi causa de danos e transtornos em outros pontos do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, em Imbé o ciclone em alto mar garantiu surfe no Rio Tramandaí. A onda da “pororoca” do Rio Tramandaí, em Imbé, virou atração na tarde da quarta-feira. Surfistas e praticantes de SUP” aproveitaram para pegar onda (foto abaixo da Prefeitura).


O fenômeno da onda entrando no Rio Tramandaí não chega a ser recorrente entre Imbé e Tramandaí. É preciso que o mar esteja alto ou de ressaca. A onda não tem muita força a ponto de causar estragos, mas já garante surfar no rio. Em alto mar, na costa do Sul do Brasil, uma boia mantida pela Marinha brasileira chegou a registrar onda de 6,3 metros (20 pés) no dia 10.

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Cari é rebaixado ao enfraquecer e ciclone se afasta do continente
Por: Março, 12-03-2015 | 07:05 | Categoria:
 
 
 
 
 

O rápido enfraquecimento do ciclone na costa fez a Meteorologia da Marinha do Brasil (DHN) a rebaixar na madrugada desta quinta-feira o sistema do status de tempestade subtropical para depressão subtropical. Com isso, o ciclone deixa de se chamar Cari, já que depressões atmosféricas não são identificadas por nome. O centro do agora ex-Cari estava nesta madrugada nas coordenadas 31,5ºS e 44,9ºW, junto ao litoral Sul do Rio Grande do Sul, mas seguia se afastando rápido do continente. Ontem à tarde (imagem de satélite abaixo), o centro da então tempestade subtropical Cari estava nas coordenadas geográficas 39ºS e 47ºW com pressão mínima de 1000 hPa e vento médio de 75 km/h, mas rajadas de 95 km/h.


Não há mais situações de risco associadas a este sistema, exceto instabilidade localizada no Leste e Nordeste do Rio Grande do Sul e vento moderado na costa. Ainda pode ter chuva isolada no Leste e Nordeste do Estado pelo ar úmido que circula o ciclone, mas o pior da chuva já passou. E foi muita água. Com volumes em vários locais perto ou acima da média do mês em menos de três dias. Diversas cidades do Litoral Norte tiveram mais de 100 mm. Foram 158 mm em Caraá, 139 mm em Terra de Areia, 126 mm em Três Forquilhas, 124 mm em Riozinho, 112 mm em Itati e 90 mm em Morrinhos do Sul. Na terça, a chuva de 133 mm em poucas horas fez os rios do Sinos e Caraá saírem do leito em Caraá (fotos abaixo de Marines Collioni). Alguns trechos de rodovias da região foram destruídos pela água. Aulas e o funcionamento do serviço público tiveram de ser suspensos pelo mau tempo. Maquiné teve duas famílias ilhadas na zona rural, retiradas por bombeiros de Três Cachoeiras.


Em Santa Catarina, a chuva até o final da quarta-feira somou em 72h volumes de 183 mm em Florianópolis (Sul), 172 mm em Laguna, 141 mm em Criciúma e Tubarão, 133 mm em Urussanga, 128 mm em Garopaba e ainda 114 mm em Sombrio. O município de Criciúma (foto abaixo de Juliano Marcelino/Portal Engeplus) foi um dos mais castigados no Sul catarinense pela chuva do ciclone, registrando pontos de alagamentos, queda de árvores e água sobre rodovias. Dez famílias foram desalojadas em Criciúma. Mais de 30 famílias ficaram ilhadas em Forquilinha. Em Balneário Rincão, houve alagamentos de residências, o que se repetiu em Içara. Outros problemas foram verificados em Siderópolis, que teve deslizamento de terra e a queda de rochas na SC-445, na região de Vila São Jorge. Em Lauro Muller, cratera se abriu após rompimento de tubulação.


Cari chamou a atenção do mundo. “Rara tempestade subtropical na costa do Brasil”. Este era ontem destaque em conta de Twitter do NOAA, a agência de Meteorologia norte-americana O ciclone subtropical Cari passou, inclusive, a ser monitorado pela agência que emitiu dados de trajetória e intensidade do sistema pelo sistema ATCF. Cari ainda repercutiu nos principais sites mundiais de Meteorologia. Por ser uma situação meteorológica excepcional foi possível observar fatos que são incomuns na nossa rotina operacional, como verificar numa carta aeronáutica Sigmet o símbolo da convenção pra ciclone subtropical.


O sol aparece nesta quinta-feira em todo o Rio Grande do Sul, inclusive no Nordeste gaúcho que ainda vai sofrer efeito da circulação de umidade. Nuvens aparecem na Grande Porto Alegre, Serra e Litoral Norte, mas nestas áreas qualquer registro de chuva será muito mais localizado que nos últimos três dias. A manhã começa amena e pode ter nevoeiro isolado, porém aquece rápido com o ar seco que cobre a maior parte do Estado e faz um pouco de calor à tarde. O vento sopra fraco a moderado com ocasionais rajadas no Litoral Norte pela proximidade do ciclone e o mar pode ter ressaca. Já no fim de semana, o sol aparecerá com nuvens e esquenta, o que pode trazer chuva isolada típica de verão principalmente no domingo.

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Histórico ciclone subtropical Cari traz chuva intensa e inundações
Por: Março, 11-03-2015 | 07:17 | Categoria:
 
 
 
 
 

A Meteorologia da Marinha do Brasil (DHN) elevou o status do ciclone na costa do Sul do país da categoria de depressão subtropical da análise das 12Z de ontem à tempestade subtropical na análise da 0Z de hoje. Com isso, o ciclone foi batizado pelo nome de Cari, palavra em tupi guarani que significa “homem branco”. Trata-se de um fato histórico na Meteorologia nacional. Não há precedente na climatologia do Brasil que dois ciclones anômalos tenham sido batizados em um mesmo ano, quanto mais em intervalo de apenas 30 dias. Em fevereiro, a tempestade subtropical Bapo tinha atuado junto à costa do Sul do Brasil. Antes, tinham sido batizados os ciclones atípicos Arani (2011), Anita (2010) e ainda o furacão Catarina (2004).


Volumes extremos de chuva associados ao ciclone Cari foram registrados no Leste de Santa Catarina e no Nordeste gaúcho, tal como alertava a MetSul Meteorologia em seus boletins de advertência desde o fim de semana. No caso de Santa Catarina, houve alagamentos e pontos de inundação durante a terça-feira no Sul do Estado (fotos abaixo de Criciúma e Siderópolis do portal Engeplus). Na soma de segunda-feira até 6h da manhã desta quarta-feira havia chovido 183 mm no Sul da ilha em Florianópolis (Campeche), 159 mm em Laguna, 154 mm em São Martinho, 144 mm em Armazém, 128 mm em Içara, 127 mm em Garopaba, 120 mm em Içara, 119 mm em Jaguaruna, 112 mm em Içara e 100 mm no município de Santa Rosa de Lima.


No Litoral Norte gaúcho, a chuva intensa trazida pelo ciclone subtropical Cari também causou inundações. Só ontem choveu 133,8 mm na estação da ANA em Caraá, município junto à Serra perto de Santo Antonio da Patrulha, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Houve inundação na cidade e vias do interior do município foram interrompidas pela rápida das águas (fotos abaixo da Defesa Civil Municipal). Houve danos às estradas do interior do município. Volumes acima de 100 mm foram anotados registrados ainda desde segunda-feira até o final da madrugada desta quarta em Terra de Areia (131 mm), Três Cachoeiras, Tres Forquilhas (115 mm), Riozinho (104 mm) e Itati (108 mm). Houve chuva forte isolada ontem ainda nos vales, Grande Porto Alegre e Serra com volumes terça de 54 mm em Parobé e 46 mm entre Novo Hamburgo e São Leopoldo.


Com o lento deslocamento para Sul do ciclone subtropical Cari e o contínuo aporte de umidade com bandas de nebulosidade do oceano para o continente, o tempo vai continuar instável. O risco de chuva forte a intensa localizada segue nesta quarta-feira no Sul e no Leste catarinense. No Nordeste do Rio Grande do Sul, sobretudo no Litoral Norte, o risco de chuva forte persiste ainda hoje e amanhã com ameaça de alagamentos e deslizamentos de terra ou queda de barreiras nas áreas de relevo. Recomenda-se atenção na BR-101 no Litoral Norte gaúcho e no Sul catarinense. Pancadas fortes isoladas e passageiras ainda são possíveis em pontos da Serra, nos vales e na Grande Porto Alegre nesta quarta-feira e possivelmente também amanhã. Os volumes de chuva trazidos por este ciclone atípico, assim, estão longe de definitivos aqui no Nordeste gaúcho e vão subir mais. O ciclone vai se afastar rápido para Sudeste na quinta, desorganizando-se ainda mais, e pode até se dissipar na sexta.


O vento ganhou força durante as últimas horas na costa Sul catarinense. Na estação do Instituto Nacional de Meteorologia em Santa Marta, Laguna, foram registradas rajadas de 73 km/h entre 6h e 7h de hoje. No decorrer desta quarta não podem ser afastadas rajadas de 70 a 90 km/h, ocasionalmente superiores, em pontos da costa entre o Sul de Santa Catarina e a região de Florianópolis. No Litoral Norte do Rio Grande do Sul o vento também se intensifica, principalmente em Torres. O vento será moderado com ocasionais rajadas fortes, porém não se espera vento muito intenso na região. Segue o aviso da MetSul Meteorologia por mar agitado no Litoral Norte gaúcho e de Santa Catarina com ondas de até 3 metros e o risco de ressaca.

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Ciclone provoca chuva forte no Rio Grande do Sul e Santa Catarina
Por: Março, 10-03-2015 | 07:59 | Categoria:
 
 
 
 
 

A atuação de uma área de baixa pressão no Atlântico levou nuvens carregadas do mar pro continente que trouxeram chuva torrencial ontem na madrugada para o Sul da ilha, em Florianópolis, com acumulados entre 60 mm e 130 mm Houve alagamentos em vários pontos da capital catarinense e a água invadiu até casas no bairro Rio Tavares (imagem abaixo de Daniel Queiroz do Notícias do Dia). No Campeche, a chuva da segunda-feira e da madrugada desta terça chega a 170 mm. A média histórica de chuva de março inteiro em Florianópolis é de 186,3 mm. O tempo permaneceu instável na maior parte da segunda entre a capital catarinense e o Sul do Estado com chuva forte em alguns pontos do litoral (foto abaixo de Jacqueline Estivallet). Em Garopaba, caíram 80 mm ontem e no começo desta terça. Em Laguna foram mais de 70 mm. O centro de baixa pressão que gradualmente formava ciclone trouxe chuva às vezes forte também para o Litoral Norte do Rio Grande do Sul na segunda e madrugada desta terça. O volume no período de 30 horas chegou a 90 mm no período em Terra de Areia.


O ciclone até o momento carece de maior organização, mas a tendência é que entre esta terça-feira e amanhã o sistema fique mais organizado em alto mar e também passe a ter maior intensidade com a queda da pressão atmosférica em seu centro. O fato do sistema não estar organizado é um indicativo de que a pressão não chega a ser muito baixa no seu centro de circulação. Ontem à noite, na sua análise sinótica, o setor de Meteorologia da Marinha do Brasil (DHN) acusava uma pressão central de 1010 hPa na baixa (nosso entendimento era de valor menor que esse). Dados de tempo real mostram, ademais, que acertaram os modelos numéricos que mantinham o centro do sistema mais distante do litoral Sul brasileiro.

O sistema, ainda não designado com nome pelo DHN da Marinha do Brasil, possivelmente porque seu status até o momento é mais sim de uma depressão e não tempestade, seguirá fazendo com que nuvens carregadas avancem do oceano pro continente ainda hoje e amanhã com novos registros de chuva forte a intensa localizada em pontos de Florianópolis até o Sul catarinense, além do Nordeste gaúcho, sobretudo no Litoral Norte (maior risco na área de Maquiné a Torres). A interação entre a abundante umidade do sistema no mar e o ar quente sobre o continente gerará ainda pancadas de chuva em diversos locais da Metade Leste e mesmo do Centro do Rio Grande do Sul hoje e amanhã, por isso são esperançadas pancadas de chuva isoladas, algumas fortes de curta duração, na Serra, Grande Porto Alegre, Planalto, Vales, Centro e Sul do Estado nestes dois dias. Não se pode afastar chuva forte passageira na área ainda de Porto Alegre, como já ocorre neste momento e já se previa, de hoje a quinta-feira. O Oeste e o Noroeste gaúcho seguem com o predomínio do ar mais seco com forte calor.


Mantém-se a ideia já exposta que este sistema não deve gerar vento intenso na costa. Há intensificação do vento, mas as rajadas mais fortes devem permanecer em mar aberto (ver projeções abaixo a partir de modelagem numérica do Windyty). Tramandaí teve registro de vento moderado acompanhando a chuva durante toda a madrugada desta terça-feira. A rajada mais forte registrada na estação do Instituto Nacional de Meteorologia foi de 54,3 km/h. Entre hoje e amanhã o vento pode soprar moderado com rajadas fortes somente ocasionais (60 a 70 km/h) em pontos na faixa da orla entre Mostardas e Torres.


Renova-se o aviso sobre mar agitado e possibilidade de ressaca na orla, especialmente de Tramandaí a Florianópolis, de hoje a sexta-feira. Mantém-se a advertência sobre o risco de navegação na costa para pequenas embarcações. A perspectiva é que este sistema no Atlântico enfraqueça e perca muito em organização entre sexta e sábado, não se afastando até sua dissipação. Informações serão atualizadas com novos dados e imagens no decorrer do dia em nossa conta da rede Twitter.  

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Advertência por ciclone subtropical e/ou tropical no Sul do Brasil
Por: Março, 08-03-2015 | 15:56 | Categoria:
 
 
 
 
 

A MetSul Meteorologia adverte que um ciclone de características atípicas para a climatologia regional deve atuar na costa do Sul do Brasil ao longo desta semana, trazendo riscos tanto na zona marítima como no continente. Uma vez formado, este ciclone será batizado como Cari (“homem branco” na língua tupi-guarani), o próximo nome constante da lista oficial da Meteorologia da Marinha do Brasil para a designação de ciclones anômalos após a tempestade subtropical Bapo de fevereiro. Este ciclone tende a ser maior e mais intenso que Bapo, oferecendo maiores riscos à área continental. Deve ser o quarto sistema atípico a ser nominado junto à costa brasileira desde 2010 e o segundo somente neste ano, o que é muito incomum.  


A esmagadora maioria das simulações computadorizadas segue projetando que o centro do ciclone se manterá sobre o oceano, em média entre cerca de 200 e 400 quilômetros da faixa costeira, conforme o modelo analisado. O sistema deve surgir entre os litorais de São Paulo e do Paraná, depois progredindo para Sul à medida que se intensifica. Algumas simulações computadorizadas que são rodadas no Brasil, casos dos modelos regionais Cosmos e ETA, entretanto, chegam a aproximar muito o centro do ciclone das costas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina ao longo desta semana, o que reforça a já enfatizada necessidade de muita atenção deste fenômeno. Já o seu deslocamento será ainda muito lento e errático. Foi o que seu viu no evento de janeiro de 2009 no Nordeste do Uruguai e no Sul do Rio Grande do Sul, episódio de ciclone subtropical sem nome que trouxe chuva extrema com danos e ao menos 8 mortes no Sul do Estado. Caso o sistema seja tropical, o lento deslocamento sobre as águas mais quentes abrirá margem para intensificação, o que seria o pior cenário.  


Há razoável consenso também entre os modelos analisados quanto à pressão mínima central deste centro de baixa pressão e que, conforme a maioria deles, ficaria entre 1000 hPa e 1005 hPa. Chama atenção, contudo, o indicativo que se observou em algumas das saídas do pacote de modelagem numérica de um ciclone concêntrico, assim simétrico. Neste caso, por experiência, sabe-se que a pressão mínima central do sistema é inferior ao que está sendo projetada, sinalizando um ciclone mais intenso. Foi o que se viu durante o episódio de 2004, quando se desenhava um sistema simétrico e os modelos indicavam valores de pressão no centro acima de 990 hPa, quando esta era de 970 hPa. Os dados estão a apontar ainda tendência de convecção moderada/profunda ao redor do centro da baixa, e que pode acusar maior intensificação do sistema.  


Os indicativos são de um sistema subtropical, mas ressalva-se a possibilidade de que em parte da vida deste ciclone ele apresenta características puramente tropicais. Modelagem numérica do Met Office projeta que o ciclone na costa do Sul do Brasil seria tempestade tropical (estágio anterior a de furacão em um ciclone tropical com vento sustentado entre 63 km/h e 118 km/h). De acordo com a projeção do modelo do Met Office da Inglaterra, a tempestade seria fraca no final da terça-feira (10) na costa, na altura de Laguna, porém passaria a ter intensidade moderada na manhã de quarta (11), também sobre o oceano, mas já na altura de Arroio do Sal. Na manhã de quinta, seguiria moderada, também em alto-mar, mais ao Sul, na altura de Rio Grande, mas deve começar a perder força por conta das águas mais frias na região da Correntes das Malvinas.

A MetSul Meteorologia mantém o indicativo dos riscos provocados por chuva associados a este sistema. A influência da depressão atmosférica trará risco de chuva forte a intensa em São Paulo e no Leste de Santa Catarina e do Paraná agora neste começo de semana. O aumento da umidade já favorece pancadas de chuva no Nordeste gaúcho nesta segunda-feira, não se descartando instabilidade também na área de Porto Alegre. Entre terça e quarta, pode chover forte a intensamente em pontos do Sul de Santa Catarina e do Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Os acumulados podem ser significativos e com altos volumes em curtos intervalos, o que pode gerar problemas como alagamentos e ocasionais deslizamentos de terra. A região de Porto Alegre pode ter registro de períodos de chuva que não se descarta possa ser de forte intensidade de terça a quinta pelo abundante aporte de umidade da circulação do sistema. Espera-se a formação de nuvens de natureza cumuliforme no Nordeste gaúcho (Serra, Grande Porto Alegre e Litoral Norte) e no Leste do Estado ao longo da semana. Algumas destas nuvens devem ser bastante carregadas (TCu e Cb)  com risco de granizo e chuva forte a intensa que pode gerar alagamentos.


Se espera ambiente de atmosfera aquecida e com excessiva umidade, o que cria cenário ideal para precipitações localmente torrenciais e volumosas. Modelos indicam 100 mm a 150 mm nesta semana para o Nordeste gaúcho, sobretudo o Litoral Norte, e o Sul de Santa Catarina, mas enfatizamos que nestas regiões, em particular, não são descartados acumulados até bem superiores por efeito da orografia (relevo). Municípios situados juntos à encosta da Serra merecem especial atenção. Ciclones subtropicais ou tropicais possuem histórico de trazer volumes excepcionais localizados com inundação repentina e rápida subida de rios, por isso o quadro exige muita atenção. Recomenda-se enorme atenção ao se dirigir na BR-101 e na Estrada do Mar no período porque podem ocorrer alagamentos e até queda de barreiras não se pode afastar na área da 101.


Haverá uma intensificação do vento entre terça e quarta no Litoral Norte do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, sobretudo de Florianópolis para o Sul (mapa acima). Entre a quarta-feira e quinta, o vento poderia soprar moderado com rajadas fortes no Nordeste do Rio Grande do Sul e na faixa Leste gaúcha de Rio Grande a Torres. O vento, conforme a maioria dos dados, seria mais forte no Litoral Norte gaúcho e na costa catarinense com velocidades possíveis de 70 km/h a 90 km/h, mas que advertimos podem ser localmente superiores. Pontos de maior altitude próximos da costa como os Aparados da Serra e o Planalto Sul Catarinense também podem enfrentar fortes rajadas de vento. A força do vento vai depender muito da maior ou menor aproximação/intensificação do centro do ciclone em relação ao continente. Chamamos ainda a atenção para a possibilidade de formação de trombas d’água (tornados sobre água) na costa e nas lagoas interiores nesta semana. Há, ademais, o risco de ressaca e de agitação marítima considerável em alto-mar, em particular no Litoral Norte gaúcho e na costa de Santa Catarina, mas outras áreas mais ao Sul e Norte também devem experimentar mar mais agitado e com ondas maiores. Não se recomenda a navegação na costa. Fique atento aos informes da MetSul aqui, nas redes sociais e na mídia.

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Novo centro de baixa pressão atípico pode se formar na costa do Sul
Por: Março, 07-03-2015 | 10:40 | Categoria:
 
 
 
 
 

A MetSul acompanha vem acompanhando com enorme atenção há alguns dias projeções de modelos computadorizados pra próxima semana e que indicam a formação junto à costa do Sul do Brasil de mais um centro de baixa pressão com características atípicas na climatologia regional. A maioria das simulações computadorizadas mantém o ciclone longe da orla, a cerca de 200 a 400 quilômetros da faixa costeira, dependendo do modelo. Em uma saída, o modelo Europeu chegou a projetar o centro do ciclone muito próximo da costa catarinense, mas recuou do indicativo. O Cosmos, modelo rodado no Brasil pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é que tem projetado o centro de circulação do ciclone mais perto do litoral a ponto de em várias saídas nas últimas 48 horas ter indicado que alcançaria terra na altura da área de Florianópolis.


O que pode se dizer e não se pode dizer? Com segurança, pode se afirmar que é média a alta a probabilidade de formação do sistema, afinal há consenso entre os modelos quanto a sua formação. Há razoável consenso ainda entre os modelos sobre a intensidade deste centro de baixa pressão que não seria profundo e, conforme a maioria das simulações de ontem e hoje, manteria sua pressão mínima central acima de 1000 hPa. O que não se pode dizer ainda com precisão e segurança é a trajetória exata do sistema. Modelos, em geral, têm indicado um lento e errático deslocamento sobre o oceano na costa do Sul do Brasil, aliás uma característica muito mais de sistemas subtropicais (caso do ciclone subtropical sem nome de janeiro de 2009 no Sul do Rio Grande do Sul) que tropicais. A julgar pelos dados disponíveis hoje, o sistema se manteria com sua trajetória em alto mar, mas com a ressalva do chamado “cone de incerteza” em que a área de alerta é mais ampla. O cenário está longe, assim, de consolidado. O que se enfatiza é crucial necessidade de acompanhamento durante os próximos dias.


Caso venha mesmo a se formar, os indicativos são de que, inicialmente, se trataria de depressão atmosférica de natureza tropical (com o centro quente) no litoral paulista, até porque totalmente embebida em ar quente, mas que evoluiria para subtropical (centro quente em superfície e frio em altura) à medida que se desloca para o Sul e se intensifica com o gradiente de massas de ar mais quente ao Norte e mais fria ao Sul. Bapo, em fevereiro, teve breve característica subtropical, sendo extratropical na maior parte. Mapas de temperatura em 850 hPa do GFS abaixo pra semana que vem evidenciam o cenário.


O NOAA (Estados Unidos) em sua análise diária para a América do Sul de fez mera citação da possibilidade de formação de um ciclone subtropical na próxima semana na costa do Sul do Brasil. Já para o Met Office (Inglaterra) existe a chance de formação de uma tempestade tropical, porém é importante ressalvar que enquanto a previsão dos americanos é baseada numa análise, a tendência apontada pelo centro meteorológico inglês é mero “numerical guidance” ou indicativo de modelo.

Quanto aos impactos, o risco maior é chuva. Com base nas várias simulações numéricas analisadas, é possível se antecipar o risco de chuva forte no Sul e no Leste de São Paulo neste começo de semana e que depois entre segunda e quarta-feira se estenderia ainda ao Leste de Santa Catarina e do Paraná. Os acumulados podem ser significativos e com altos volumes em curtos intervalos, acima de 100 mm localmente, o que pode gerar problemas como alagamentos e ocasionais deslizamentos de terra. Deve ser considerado o risco de chuva forte a intensa ainda com altos volumes localizados semana que vem no Nordeste do Rio Grande do Sul, particularmente no Litoral Norte, e, sobretudo, na área de Osório a Torres. Aliás, o Sul de Santa Catarina e parte do Litoral Norte gaúcho são as áreas que as simulações, em geral, apontam com maior risco de chuva excessiva. Os volumes variam muito de um modelo para o outro, mas o efeito da orografia (relevo) pode trazer marcas de precipitação muito altas e acima do indicado pela maioria dos modelos. Interessante é observar que mesmo em áreas da Serra Gaúcha e da Grande Porto Alegre não é possível descartar a ocorrência de chuva localmente forte na metade da semana pela interação do ar quente com a circulação de umidade da baixa que favorecerá a formação de nuvens de natureza cumuliforme (aquelas grandes em formato de algodão) e que em alguns pontos podem ser bastante carregadas com granizo localizado e chuva forte. No tocante ao vento se espera intensificação do vento na primeira metade da semana entre a costa Norte do Rio Grande do Sul e o litoral do Paraná, com intensidade moderada e algumas rajadas, mas não há indicativo pelos dados de vento muito intenso. Há, ademais, risco de ressaca e de agitação marítima, em particular no litoral catarinense.


Se o serviço de Meteorologia da Marinha do Brasil (DHN) vier a designar este sistema como subtropical ou mesmo tropical, e como uma tempestade, na próxima semana ele receberá nome. Será designado como Cari, nome em tupi-guarani para “homem branco”. Seria a segunda designação apenas neste ano, já que em fevereiro último formou-se o ciclone subtropical Bapo (imagem de satélite da NASA acima). Antes de Bapo, a última tempestade oceânica a ser designada tinha sido em 2011 com o ciclone Arani. Nitidamente, vive-se um período mais ativo que o normal para ciclogênese na costa aqui do Sul do país.

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