Porto Alegre, sexta-feira, 30.01.2015
 
 
 
   
Feriadão de Navegantes começa com cara de outono no Estado
Por: Janeiro, 30-01-2015 | 11:28 | Categoria:
 
 
 
 
 

O feriadão de Navegantes, obviamente nos municípios onde é feriado municipal na segunda-feira, começou com tempo bom e com cara de outono. Fez frio na madrugada e ao amanhecer em muitas cidades gaúchas com temperatura bem abaixo do que é normal para o final de janeiro. No Vale do Sinos (foto de Gabriel Guedes/Jornal NH), nevoeiro marcou o começo da manhã.


A menor temperatura na madrugada desta sexta-feira no Rio Grande do Sul ocorreu na estação meteorológica automática do Instituto Nacional de Meteorologia em Bagé com 11,3ºC. A temperatura ficou entre 11ºC e 13ºC na Serra, Aparados, Serra do Sudeste, Campanha, fronteira com o Uruguai, Oeste, Noroeste, Vale do Rio Pardo, Alto Uruguai e no Centro do Estado.


O sol predomina no Estado hoje, no fim de semana e na segunda-feira. Entre amanhã e segunda pode ocorrer chuva de verão muito isolada em cidades da Metade Norte e no Leste do Estado, mas no geral o tempo bom será a condição dominante. Volta a fazer frio em parte do Rio Grande do Sul na madrugada deste sábado, mas aquece durante o fim de semana. No Litoral Norte, o sol predomina no feriadão com alguns períodos de nuvens e chance de chuva localizada e passageira. Na costa do Uruguai, dias de sol com nuvens, vento e temperatura amena com sensação de frio durante a noite. Já nas praias do litoral catarinense, sol e nuvens com períodos de nublado e chuva passageira, mas hoje há maior nebulosidade no estado vizinho.

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Chuva e temporais antecedem dias mais agradáveis no Estado
Por: Janeiro, 28-01-2015 | 07:34 | Categoria:
 
 
 
 
 

A terça-feira foi de muito calor aqui no Rio Grande do Sul com máxima de 37,2ºC na zona Norte da Capital. O intenso calor associado ao aumento da umidade favoreceu pancadas de chuva com temporais isolados pelo território gaúcho. Em Candelária, chuva torrencial de meia hora alagou a cidade. As águas invadiram casas, comércios e automóveis nas ruas. Em Venâncio Aires, chuva intensa também causou alagamentos (foto abaixo de Charles Degenhardt/Gazeta do Sul) com vento intenso muito localizado e que destelhou pelo menos 20 casas. Houve tormentas também na Grande Porto Alegre. No fim da tarde houve registro de chuva forte com muitos raios e granizo em bairros de Porto Alegre na divisa com Alvorada e Viamão, o que se repetiu em pontos dos dois municipios vizinhos. Gravataí também teve chuva forte com muitos raios onten à tarde.


A MetSul alerta para o risco de novas ocorrências de chuva localmente forte e temporais hoje e amanhã. Esta quarta-feira será outro dia de sol, nuvens e chuva da tarde para noite no Rio Grande do Sul. As pancadas hoje serão mais generalizadas do que ontem e mais uma vez serão localmente fortes e acompanhadas de temporais isolados de granizo e vento forte. O Estado terá maior cobertura de nuvens do que ontem. O Sul e Oeste gaúcho devem ter maior aumento de nebulosidade e chuva mais generalizada, sobretudo entre a tarde e a noite pela chegada de uma frente fria, mas o sol aparece de manhã. A massa de ar quente segue atuando e será mais uma jornada de muito calor e abafamento. Amanhã, frente fria traz chuva ampla e que pode ser forte a intensa em alguns pontos, não se descartando temporais isolados. O vento vira para Sul e refresca. Dias mais agradáveis são esperados na sexta-feira e no fim de semana pelo ingresso de ar frio no Estado que trará de volta o sol.

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Período de abafamento acaba e Estado terá vento e marcas amenas
Por: Janeiro, 21-01-2015 | 07:33 | Categoria:
 
 
 
 
 

Chuva forte a torrencial causou alagamentos no começo da noite de ontem em Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Gravataí e Cachoeirinha. Estações nestas cidades mediram entre 30 mm e 50 mm em só uma hora, ou seja, entre um terço e metade da média de chuva de janeiro inteiro. Em Porto Alegre, as rajadas de vento chegaram a 63 km/h no Aeroporto Salgado Filho e a temperatura teve forte queda. A chuva forte e o vento agora avançaram pela Serra e o Litoral Norte, marcando o ingresso de ar mais frio no Estado. O fim da tarde teve arco-íris em Canoas e foi registrado em belíssima foto pelo Fabiano Gutierres.

O sol aparece com nuvens hoje na maioria das regiões. Ocorrem, entretanto, períodos de maior nebulosidade em algumas regiões, especialmente nas Metades Norte e Leste. O tempo ainda não firma e pode ocorrer chuva isolada, em alguns pontos na forma de pancadas fortes passageiras. O ingresso de ar mais frio não só acaba com a longa sequência de dias com abafamento como proporciona temperatura agradável. Ausentes amanhece com 12ºC, temperatura baixa para janeiro. No decorrer do dia, o vento deverá se intensificar e podem ser registradas rajadas. Amanhã e sexta devem ter tempo aberto no Estado com o predomínio do sol. As madrugadas serão amenas e até frias em algumas cidades, mas faz um pouco de calor à tarde. Pelo ar ar frio na costa, períodos ventosos são esperados amanhã e sexta, inclusive em Porto Alegre e no Litoral Norte.

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Vendaval de 111 km/h faz estragos na fronteira com o Uruguai
Por: Janeiro, 20-01-2015 | 09:31 | Categoria:
 
 
 
 
 

A chegada de uma frente fria ao Rio Grande do Sul provocou temporais ontem no Oeste e no Sul do Estado. Jaguarão teve registro de granizo. O pior ocorreu em Quaraí, onde a estação automática do Instituto Nacional de Meteorologia, indicou rajada de 111,2 km/h durante forte temporal. Houve destelhamentos e quedas de árvores no município e na cidade vizinha do Uruguai de Artigas, onde o temporal do final da tarde deixou ainda um ferido. O intenso aquecimento que se registrava naquele momento no Rio Grande do Sul com marcas de até 35ºC em Porto Alegre, vales, região metropolitana e no Noroeste contribuiu para o desenvolvimento de nuvens carregadas na dianteira do sistema frontal e que determinaram os temporais.


Temporal com vento acima de 110 km/h alcançou Quaraí no final da tarde da segunda – Daniel Arbiza


Vendaval na fronteira derrubou árvores depois de uma tarde de intenso calor na região – Nicolas Romero


Temporais atingiram ainda pontos do Sul do Estado ontem como a praia do Cassino – Duane Santos

A máxima atividade frontal ocorreu na Metade Oeste do Rio Grande do Sul, onde choveu forte em diversas localidades. Já na Metade Leste, o que inclui Porto Alegre, a frente não teve a mesma intensidade e os acumulados de precipitação até agora foram inapreciáveis ou ínfimos. O tempo segue instável nas próximas horas no Estado com tendência de mais chuva no Noroeste e no Norte. Nas demais regiões, precipitação muito irregular e forte, se ocorrer, apenas em setores isolados, sobretudo da Metade Norte. Há a perspectiva até de aberturas em pontos do Oeste e o Sul. Entre amanhã e sexta, o sol aparece com nuvens no Estado, mas nesta quarta algumas áreas ainda terão períodos de maior nebulosidade no Rio Grande do Sul. Nos três dias, quase todos municipios do Estado não deve ter chuva alguma, e as precipitações devem ser localizadas e mais concentradas no Norte e Leste do território gaúcho.

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Calor e instabilidade marcam o tempo neste começo de semana
Por: Janeiro, 19-01-2015 | 10:33 | Categoria:
 
 
 
 
 

O título é a síntese do que foi o fim de semana no Estado. O sábado teve instabilidade nas praias com chuva em diversos balneários durante o dia. O céu ficou carregado, mas depois ocorreram aberturas de sol. Ontem, o dia foi muito aproveitável com sol forte em quase toda a costa. Na região de Torres é que chegou a chover. O ar quente e úmido foi responsável por forte sensação de abafamento, especialmente no sábado. Pancadas de chuva atingiram ontem e na véspera diversos pontos da maioria das regiões gaúchas, sobretudo da Metade Norte. No sábado, dia que Porto Alegre teve pancadas de chuva até fortes à tarde, temporais isolados com ventania atingiram o interior. As rajadas de vento foram de 123,8 km/h em Vacaria, 74,9 km/h em Ausentes e 71,3 km/h em Lagoa Vermelha. Em Vacaria, a ventania chegou a causar mesmo destelhamentos.


Sábado teve instabilidade nas praias do Litoral Norte (superior) e muito sol no domingo (inferior) – Samuel Maciel/CP


Temporais de verão atingiram Florianópolis e outras praias de Santa Catarina durante o fim de semana – André Gavazini

O sol predomina no Rio Grande do Sul nesta segunda-feira, apesar de nuvens no céu na maior parte do Estado. A massa de ar quente se intensifica, o que fará com que o dia seja de calor na maioria das regiões, mais intenso nos vales e na Grande Porto Alegre com máximas de 35ºC ou mais em alguns pontos. Da tarde para noite, devido ao aquecimento, ocorre chuva de verão isolada na Metade Norte. Frente fria que avança dos países do Prata traz chuva e temporais isolados para diversas cidades do Oeste, Sul e até do Centro do Estado durante a tarde e a noite de hoje. Pontos isolados terão risco de chuva forte com rajadas de vento e granizo. Amanhã, o Rio Grande do Sul terá mais nuvens e chove no decorrer do dia na maioria das regiões, mas com aberturas. Entre quarta e sexta-feira, o sol deve aparecer no Estado e ocorrências de chuva serão isoladas.

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Porto Alegre segue tendência global e tem seu 3º ano mais quente
Por: Janeiro, 18-01-2015 | 14:40 | Categoria:
 
 
 
 
 

O NOAA (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera) e a NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço), dos Estados Unidos, divulgaram na sexta-feira que nosso planeta experimentou em 2014 o ano mais quente desde o começo dos registros instrumentais em 1880. No ano, segundo as agências científicas norte-americanas, a temperatura global ficou 0,69ºC acima da média do século XX, a maior da série histórica  e superior aos registros dos anos de 2005 e 2010 em 0,04ºC.


Em 2014, conforme o NOAA e a NASA, a média da temperatura da superfície dos oceanos foi 0,57ºC superior ao observado durante o último século, sem precedentes. Já a temperatura em terra ficou 1,0ºC acima da média do século XX, a quarta maior média até hoje. Dezembro no globo foi o mais quente já anotado até hoje na série histórica de dados do NOAA/NASA.


Levantamento exclusivo realizado pela MetSul Meteorologia indica que em Porto Alegre o ano de 2014 foi o terceiro mais quente já registrado com média igual à anotada em 2001. A temperatura média anual na capital gaúcha de 20,6ºC em 2014 ficou 1,1ºC acima da normal histórica de 19,5ºC do período 1961-1990. Apenas dois anos desde o começo dos registros meteorológicos na cidade em 1910 tiveram média anual superior a de 2014: 2012 (20,8ºC) e 1940 (20,7ºC). Significa que dois dos três anos mais quentes na Capital em mais de um século de observações ocorreram justamente agora na década atual.


Conforme o levantamento realizado pela MetSul Meteorologia, dez meses de 2014 tiveram temperatura acima da média histórica e dois ficaram dentro da normal histórica (série observacional 1961-1990) na Capital. Janeiro (+2,0ºC), fevereiro (+1,4ºC), setembro (+1,8ºC), outubro (+1,9ºC), novembro (+1,6ºC) e dezembro (+1,2ºC) foram os meses que se destacaram pelas grandes anomalias positivas de temperatura. O verão de 2014 por demais quente, a extraordinária onda de calor de fevereiro e o inverno nada rigoroso foram determinantes para a elevada média anual de temperatura em Porto Alegre. Foram dez dias seguidos de temperatura máxima acima de 40ºC no Rio Grande do Sul em fevereiro. Pela primeira vez em 2014 a temperatura oficial de Porto Alegre bateu na casa de 40ºC desde 1958. Antes, somente havia registros em 17 de fevereiro de 1929 (40,4ºC), em 1 de janeiro de 1943 (40,7ºC), em 2 de janeiro de 1949 (40,0ºC) e em 14 de fevereiro de 1958 (40,3ºC).


A quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014, foi um dia memorável de calor na Capital. Reescreveu a história climática de Porto Alegre. A temperatura máxima na estação convencional do Instituto Nacional de Meteorologia, no Jardim Botânico, usada na climatologia histórica oficial da cidade foi de 40,6ºC. Foi a maior temperatura oficial na cidade dos últimos 71 anos. A segunda maior máxima oficial em Porto Alegre desde o começo das medições em 1910, apenas 0,1ºC abaixo do recorde de máxima absoluta de 40,7ºC de 1º de janeiro de 1943, a mais alta temperatura já observada em fevereiro, e o primeiro registro acima de 40ºC desde a abertura da estação do Instituto Nacional de Meteorologia no Jardim Botânico nos anos 70.


Recordes de calor caíram também no Vale do Sinos. Em São Leopoldo, a máxima na estação da MetSul Meteorologia situada no Morro do Espelho alcançou 41,4ºC, a mais alta até hoje para fevereiro (recorde anterior era 40,7ºC em 5 de fevereiro de 2014) e a mais elevada de toda a série histórica iniciada em 1987 (recorde anterior era 41,2ºC de 27 de dezembro de 2013).

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Já choveu muito neste mês de janeiro e vem mais nos próximos dias
Por: Janeiro, 16-01-2015 | 08:44 | Categoria:
 
 
 
 
 

Choveu em pelo menos metade do dias do ano até agora em Porto Alegre e alguns bairros do Centro e Norte da Capital acumularam apenas na primeira metade do mês 130 mm ou mais. A média histórica de precipitação de janeiro da cidade é 100,1 mm. No interior, volumes ainda maiores. E não precisa ir longe. Na Grande Porto Alegre há pontos com quase 200 mm neste mês. Grande parte do interior anota precipitação acima de 150 mm e vários locais com mais de 200 mm, o que fará com que o Rio Grande do Sul feche o mês com índices pluviométricos altíssimos para esta época e muito acima dos padrões históricos. Isso explica o porquê do Rio Uruguai ter tido cheia em pleno verão, o que é raro. Soma complexa de fatores contribui para este janeiro chuvoso, mas uma condição resume este janeiro chuvoso: o aporte de umidade da Amazônia. Observe na imagem de hoje de água precipitável na atmosfera como o padrão de tempo seco em Minas e em estados mais a Nordeste do Estado tem feito com que o canal primário de umidade da América do Sul atue mais ao Sul do que o normal para a climatologia do verão, o que traz ar mais úmido tropical pelo Centro-Oeste, Bolívia e Norte da Argentina pro Sul do Brasil.


E querem saber? O tempo não firma até a metade da semana que vem e vem mais água! Hoje tem chuva localizada no Rio Grande do Sul com o ingresso de ar mais quente de Norte que estimulará instabilidade. No fim de semana, apesar de períodos de melhoria, o Estado terá abundante nebulosidade e chuva tanto no sábado como no domingo na maioria das regiões e localmente forte. Algumas cidades podem ter altos volumes de chuva com acumulados de 50 mm a 100 mm. Não se pode afastar o risco de chuva moderada a forte em alguns momentos na Capital, Grande Porto Alegre e Litoral Norte neste fim de semana. Já na segunda-feira, vai esquentar e ocorrem pancadas de chuva e temporais isolados, sobretudo da tarde para a noite. E na terça-feira, uma frente fria irá avançar pelo território gaúcho com registro de mais chuva na maioria das regiões.

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Instabilidade sem trégua e setor elétrico volta a sofrer com temporais
Por: Janeiro, 15-01-2015 | 09:14 | Categoria:
 
 
 
 
 

Porto Alegre ficou debaixo d’água há exatamente 75 anos. Em um dos piores temporais já ocorridos no verão na cidade, a Capital viveu o caos com inundações e desabamentos de prédios em 14, 15 e 16 de janeiro de 1940 (leia mais). Ontem, no aniversário do evento, a chuva não foi intensa como há sete décadas na Capital, mas foi suficientemente forte para alagar ruas. Os volumes em apenas meia hora ficaram ao redor de 30 mm em alguns dos bairros da zona Sul da cidade, cerca de um terço da média do mês. Desta vez não teve vento localizado tão intenso como na terça, mas sequer as concessionárias de energia tinham normalizado os serviços interrompidos pelo temporal da véspera e veio a tormenta de ontem à tarde. Ao redor de 400 mil pessoas estavam sem luz no começo da noite de ontem no Estado e em torno de 100 mil gaúchos na manhã desta quinta-feira. No interior, choveu muito em algumas regiões, caso de Encruzilhada do Sul que teve perto de 100 mm em 24 horas. O vento atingiu 83 km/h em Mostardas, 82 km/h em São Gabriel, e 76 km/h em Ausentes e em Lagoa Vermelha. Em Porto Alegre, as rajadas de vento reguistradas foram de 63 km/h no aeroporto durante o temporal da tarde de quarta-feira.


Chegada do temporal ontem em Porto Alegre em registros de Kriss Caetano (acima) e Fernando Mainar (abaixo)

O sol chega a aparecer com nuvens hoje e amanhã em vários pontos do Estado, contudo ainda se espera chuva passageira, mais concentrada na Metade Norte. No Oeste e Sul, a presença do sol com nuvens é maior hoje. No Nordeste do Estado, como na Serra e no Litoral Norte, a cobertura de nuvens é mais acentuada com maior probabilidade de chuva e garoa. No sábado, mais uma vez alternância de pancadas de chuva (fortes apenas em pontos isolados) com sol e nuvens no Rio Grande do Sul. No domingo se espera maior nebulosidade no Estado e chuva que pode ser forte localmente. Vai continuar bastante abafado.

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O grande temporal de 14 e 15 de janeiro de 1940 em Porto Alegre
Por: Janeiro, 14-01-2015 | 08:40 | Categoria:
 
 
 
 
 

Há exatamente 75 anos, entre os dias 14 e 15 de janeiro de 1940, Porto Alegre mergulhava literalmente nas águas e no caos após um temporal de verão muito intenso que despejou água na cidade impiedosamente por muitas horas consecutivas. Na edição do dia seguinte, o jornal Correio do Povo noticiava: “Começou a chuviscar. Tudo muito direito. Julgava-se que isso iria resolver o problema [do calor intenso]. Podia ser que refrescasse. Porém São Pedro pregou-nos uma bruta peça. Abriu as torneiras do céu e foi um Deus nos acuda. Como choveu nesta ‘muy valerosa cidade’. Aí, então, tivemos diante de nossos olhos esses espetáculos curiosos, contristadores alguns. Porque muitas zonas foram inundadas, muita gente saiu de dentro de casa com os colchões às costas, dezenas de automóveis tiveram paralisada a sua marcha em conseqüência do elevado nível de água em determinados locais. O repórter saiu para a rua e observou a labuta incessante dos moradores da Ilhota do Menino Deus e de outras zonas da metrópole, eternas vítimas das enxurradas. Fora do que há de pitoresco, verificaram-se desabamentos de prédios, ruíram pontes e pontilhões, e muitas pessoas estiveram na iminência de perecer afogadas”.


O bairro Menino Deus foi duramente castigado pelo temporal de 15 de janeiro de 1940 na cidade. A chuva já tinha sido intensa na véspera em Porto Alegre e região, mas ganhou muita força entre a tarde e noite do dia 15 e prosseguiu caindo muito forte até a madrugada do dia 16. No bairro Menino Deus, a rua Marcílio Dias foi a mais castigada pela chuva extrema. Moradores eram vistos de barco no Menino Deus e os carros enfrentavam grandes alagamentos em algumas ruas. Na Marcílio Dias, a água chegou a subir até meio metro dentro das residências. Segundo descrição literal à época feita pelo Correio do Povo, “na mesma rua Marcílio Dias, quando mais intenso era o temporal, uma senhora, cabelos em desalinhos, pés descalços, braços nus, roupas em tiras, passou desesperadamente gritando que queria ver os filhos. Adiantava, em altos berros, que os mesmos estavam morrendo afogados. Uma outra senhora corria atrás dela. Levantavam aqui, caíam ali. A primeira estava prestes a morrer afogada. Não fosse a intervenção de moradores da zona e de um guarda civil e teria desaparecido sob o lençol branco das águas. Mais adiante, um conhecido médico procurava, a todo o transe, pôr em movimento o seu automóvel a que a chuva tinha molhado as velas. O carro voltou a funcionar e ele aprestou-se a penetrar, por cima da calçada, na Rua Marcílio, a fim de socorrer os ‘asilados’. Foi em vão. Teve de retroceder porque o veículo também podia desaparecer”.


A cidade transtornada. O tráfego de bondes parou. As águas tinham coberto os trilhos. Os “elétricos da madrugada” ficaram paralisados muitas horas, esperando que a água cedesse, fazendo com que os passageiros que não podiam pegar táxis tivessem que aguardar por longas horas. O alagamento foi geral no Quarto Distrito. As casas números 192, 196 e 201 da então Rua 24 de Maio desabaram com a força da chuva. Uma mulher de 80 anos teve que ser resgatada pela polícia. No chamado Quinto Distrito de Porto Alegre, houve falta de luz. As comunicações telefônicas também acabaram afetadas. Na Avenida Teresópolis, no lugar que era conhecido em 1940 como  “Antiga Estação”, desmoronou a parte não calçada que servia de leito aos trilhos da Carris, dificultando o tráfego no local que passou a ser feito de “baldeação”. Na Rua Barros Cassal, os bombeiros foram acionados para socorrer moradores de prédios que também ameaçavam ruir. “Na Riachuelo e na Duque de Caxias, bem como em outras zonas centrais da cidade, os prédios já velhos, com o forte temporal, tiveram suas paredes completamente rachadas, ameaçando agora vir abaixo a qualquer instante”, destacou o vespertino Folha da Tarde.


Os problemas da chuva extrema trazida pelo temporal se estenderam pela região. A estrada que liga Porto Alegre a Viamão sofreu graves danos. Caiu um pontilhão nas proximidades da escola de Agronomia e Veterinária. A ponte do Passo do Feijó, que recém tinha sido inaugurada pelo Daer veio completamente abaixo na madrugada do dia 16. “Um chofer de ônibus da linha Porto Alegre-Viamão informou que cerca das 2h30m da madrugada de hoje, guiando um ônibus com 22 passageiros atravessou a ponte que já estava quase submersa. Minutos depois, esta cedeu ante o ímpeto das águas, deixando, assim, de se registrar, por bem pouco, um tremendo desastre”, noticiou a Folha da Tarde em sua contracapa no dia 16 de janeiro.


A chuva intensa deixou pelo menos um morto. O brigadiano José Alves da Silva morreu ao tentar salvar uma pessoa que gritava por socorro. Na tarde do dia 14, na ponte da Rua Arlindo, o praça morreu afogado no riacho que se achava transbordado. Por pouco não ocorreu outra tragédia no cais do Porto. E por uma situação pitoresca enfrentada pela polícia naqueles dias chuvosos. Um dos soldados que estava em serviço no local, na noite do dia 14, foi obrigada a socorrer uma mulher que tinha se jogado momentos antes ao Guaíba perto de uma embarcação atracada nas docas, no fundo do mercado de legumes. Ela foi retirada com a ponta do fuzil do soldado, ao qual se agarrou. “Ao delegado de plantão, ela declarou que, tendo tomado alguns tragos, teve vontade de morrer e aproveitou a oportunidade da enchente”, relatou o Correio do Povo.



O volume de chuva foi excepcional em Porto Alegre e os relatos são de que houve rajadas de vento e ainda granizo no Vale do Sinos com muitos danos em Sapucaia do Sul. O Instituto Coussirat Araújo, distribuiu nota à imprensa que dizia: “A violenta chuva que se verificou nesta Capital, entre o anoitecer do dia 14 e a madrugada do dia 15 de janeiro de 1940, apresentou quantidade excepcional. Assim, na estação do Instituto Coussirat de Araújo, foram registrados 145 milímetros de água pluvial, ou seja, 145 litros por metro quadrado. Este é o maior valor observado em Porto Alegre [em 24 horas] desde o início das observações do referido instituto há trinta e um anos”.

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