Nosso grande amigo da MetSul, Ricardo Acosta, cujo trabalho de excelência no setor acadêmico foi inclusive objeto de conversa ontem lá em casa com o não menos competente Marcelo Schneider (Inmet-São Paulo) nas nossas discussões de clima com o Joseph D´Aleo, nos alertou em comentário hoje de manhã aqui no blog para um fenômeno curioso que se deu neste fim de semana. Escreveu o Ricardo Acosta:
"Ontem aconteceu um fenômeno curioso aqui na cidade de Pelotas. Entre a cidade de Pelotas e a Praia do Laranjal existe uma distância de 12 quilômetros, indo em direção ao Leste, aproximando-se da Lagoa dos Patos. Ainda nessa estrada, havia um denso nevoeiro, que a primeira vista me parecia fumaça, mas foi um leve engano. Ao atravessar o nevoeiro a temperatura despencou, creio que uns 3ºC. Na barra Sul da praia calorzinho, na barra norte frio. Curioso! O fenômeno foi relatado no jornal da cidade, Diário Popular. Enfim, minha curiosidade toda é saber de onde saiu esse ar frio, que pousou sobre a praia do Laranjal. E saber se houve relatos de outras praias da margem Oeste da Lagoa dos Patos".
O episódio é realmente muito interessante e vamos nos atrever a tentar decifrá-lo. O que ocorreu em Pelotas ? Primeiro, vale a pena ler também a descrição feita na reportagem de duas páginas do Diário Popular citada pelo Ricardo Acosta.
Observem agora a imagem de satélite em alta resolução (NASA) da tarde de ontem em que aparece nitidamente a cobertura de nuvens baixas associada ao nevoeiro.
A nossa crença é que o nevoeiro localizado em Pelotas com enormes diferenças locais de temperatura está associada à temperatura da água da Lagoa dos Patos e do Atlântico. Como se sabe, nevoeiros não raro se formam sobre água por diferença de temperatura e relação ao ar. Frequentemente observa-se nas imagens do canal visível nevoeiro junto aos rios Uruguai e do Centro do Estado. Notem como na imagem de satélite da tarde de ontem o nevoeiro se concentrava justamente no Extremo Sul da Lagoa dos Patos e, principalmente, onde desembocam as águas da Lagoa no Atlântico e para onde elas se misturam às águas do Atlântico. Estamos acostumados a ver nesta área a tonalidade diferente da água, sobretudo quando há muita lama por excesso de chuva na Lagoa, e que contrasta nas fotos de satélite com a tonalidade do mar, mas desta vez foi o nevoeiro que ocupou a mesma região de dispersão das águas da Lagoa como se o branco das nuvens no satélite fosse "água branca".
Nas áreas sob nevoeiro, a temperatura tende a ser menor que nas áreas com tempo aberto. Há poucos dias, em Porto Alegre, onde a rede de estações da MetSul permite enxergar fantásticas diferenças de microclima, a estação da Lomba do Pinheiro que está numa das áreas mais frias e altas da cidade, por ser zona rural, registrava 24ºC. Lá o tempo estava aberto com sol. Já em bairros centrais, mais quentes, por integrarem a ilha de calor urbano da cidade, e de menor altitude por estarem próximos do Guaíba, fazia 17ºC. Havia nevoeiro nestes pontos.
Em síntese, a nossa tese para este fato é que as diferenças de temperatura se explicam pelo nevoeiro localizado, induzido pela temperatura do mar e da Lagoa dos Patos. Como o vento era de Leste na tarde de domingo, segundo dados da estação de Pelotas, o nevoeiro com fluxo de ar mais frio do mar, se concentrou justamente na parte mais Leste da praia do Laranjal. Ocorrência de microescala, mas decorrente do padrão atmosférico e de temperatura das massas de água presentes numa escala regional. Fascinante !!!
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 05/07/2010 15:21
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Começo de inverno quente com0 poucas vezes se viu
Parques lotados em Porto Alegre. Movimento atípico para julho na freeway no retorno do Litoral Norte. Conseqüências de um fim de semana de inverno ensolarado e de calor em pleno julho. Desde que começou o inverno, há duas semanas, a temperatura superou 25ºC em Iraí em nove dias, algo fora do padrão desta época do ano. A temperatura neste início de julho está muito, mas muito acima da média no Rio Grande do Sul.
O calor avançou até mais para o Sul e Montevidéu amargou ontem um dia "veraniego", com 28,2ºC de máxima no interior uruguaio e muita gente em parques e na Rambla da capital uruguaia.
Períodos longos de marcas elevadas nos termômetros no auge do inverno, contudo, não são raridade. Meses de julho de temperatura muito acima da média tiveram vários dias em que as máximas foram elevadas como em 1958 (média mensal de 17,7ºC), 1977 (17,0ºC), 1987 (16,7ºC), 1995 (16,2ºC), 2006 (17,0ºC) e 2008 (16,2ºC). Em 77, ano ao qual inverno de 2010 muito se assemelhou no padrão na América do Norte, tal como ocorre agora, o calor foi mais forte aqui no Estado nos primeiros dez dias de julho com pelo menos três dias acima de 30ºC em Porto Alegre.
Entre os dias 14 e 20 de julho de 1977 (um dos análogos que citávamos aqui no último post de maio no blog), os gaúchos tiveram um período de tempo mais frio. Assim, o padrão atual de temperatura alta não pode se sustentar por muito tempo e haverá sim o ingresso de pulsos de ar frio, o que contribuirá para atenuar as enormes anomalias de temperatura média destes primeiros dias de julho. Vários modelos indicam que durante os próximos 15 a 20 dias haveria uma alta freqüência de frio com fortes pulsos, em especial nas áreas ao Sul do paralelo 32ºS, repetindo o padrão de muitos anos de ar mais gelado na Argentina, Uruguai e Metade Sul gaúcha. Enquanto isso seguimos com calor até quarta, quando uma condição pré-frontal pode determinar máximas muito altas.
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 05/07/2010 13:11
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Uma visita mais do que ilustre
Entre esta quinta-feira e o domingo vamos nos desdobrar na MetSul Meteorologia entre o trabalho e a recepção a uma visita mais do que especial, uma verdadeira honra para nós. Joseph D´Aleo (imagem acima em entrevista à rede CNN), colaborador da MetSul nos Estados Unidos na área de prognósticos climáticos e um dos fundadores do mundialmente conhecido Weather Channel, ex-presidente do Comitê de Previsão de Tempo e Clima da Sociedade de Meteorologia dos Estados Unidos (AMS), estará em Porto Alegre e Gramado. Joe participará de um evento fechado para clientes na Serra promovido pela nossa empresa parceira no agronegócio, especializada em agricultura de precisão, Analys, de Palmeira das Missões. Terei a honra de receber o Joe na minha casa neste fim de semana nesta visita que muitos nos alegra e que foi organizada pelo Alexandre Aguiar. Depois publicarei as fotos aqui da passagem do Joseph D´Aleo pelo Rio Grande do Sul. Uma coisa garanto. Estará na torcida conosco pela amarelinha na sexta de manhã.
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 01/07/2010 00:09
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Sombras de 1995
O furacão Alex, o primeiro deste ano no Atlântico Norte, acaba de chegar à costa do México (imagem abaixo de radar do Wunderground), próximo à fronteira com o Texas, no Sul dos Estados Unidos. O detalhe interessante é que se trata do primeiro furacão a se formar em junho no Atlântico desde 1995.
Naquele ano foram registrados 19 ciclones tropicais no oceano, número muito acima da média, e a expectativa para 2010 é também de uma quantidade de tempestades muito superior ao padrão histórico. O ano de 1995 é lembrado pelo furacão Opal que provocou enormes estragos no final de setembro no Sul dos Estados Unidos e cuja trajetória no Golfo do México passou pela mesma área onde hoje ocorre o desastre ambiental de vazamento de petróleo. Outra curiosidade é que, assim como em 2010, Recife teve em 1995 um dos meses de junho mais chuvosos de sua história, já que as águas do Atlântico, como neste momento, também estavam mais quentes que o normal.
Há quem chame 1995 de "o ano sem inverno" no Sudeste do Brasil pela temperatura muito acima da média de junho a setembro (imagem acima). No Rio Grande do Sul foi um inverno de pouco frio e muita chuva em julho na Metade Sul do Estado. Nenhum ano é igual ao outro, 1995 não é o nosso análogo preferencial, e acreditamos que o frio aqui não será tão escasso quanto em 1995. Algumas coincidências, contudo, vão imperar.
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 30/06/2010 23:59
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Desastre dentro do desastre ?
O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) confirmou nos últimos minutos da terça-feira que Alex se transformou no Golfo do México no primeiro furacão de 2010 no Atlântico (imagem abaixo), apesar de ser a segunda tempestade em 2010 a receber nome no oceano em decorrência da tempestade tropical Anita, na costa do Sul do Brasil, em março. O primeiro furacão do ano no Atlântico Norte se forma momento em que a região experimenta um drama.
O vazamento de petróleo da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México (indicado no círculo escuro acima), o maior desastre ecológico da história americana, pode virar pesadelo. Tudo começou em junho (clique sobre as duas fotos abaixo para ampliar), quando uma explosão atingiu a plataforma da British Petroleum (BP). Desde então, e hoje é 72º dia de vazamento, milhões de litros de petróleo já vazaram no Golfo do México.
As conseqüências para o ecossistema da região são catastróficas, incalculáveis, e devem permanecer por tempo inimaginável, afinal até hoje se encontra óleo sob a areia no Alaska em face do acidente com o Exxon Valdez em 1989, portanto há 21 anos. As imagens abaixo, divulgadas pela organização ambientalista Greenpeace, dão a dimensão da tragédia ecológica que se abate neste momento no Golfo do México.
A área do Golfo do México coberta por óleo é enorme, tanto que as costas da Flórida, Alabama, Mississipi e Lousiana já foram afetadas. O governo norte-americano exigiu a criação de um fundo de 20 bilhões de dólares por parte da BP para indenizar as vítimas do acidente ecológico que cresce a cada dia à medida que segue vazando óleo no fundo do mar. A imagem de satélite abaixo, divulgada pela NASA, mostra a grande extensão geográfica deste vazamento.
Uma projeção do Centro Nacional para Pesquisas Atmosféricas (NCAR) dos Estados Unidos, a partir de um modelo de dispersão, sugere que o petróleo pode entrar na chamada rip current e chegar até mesmo à costa Leste do Estados Unidos (projeção abaixo). As conclusões são controversas entre cientistas, mas é um cenário que ainda não foi descartado.
O que mais preocupa, contudo, é o que está recém começando com Alex. A perspectiva de uma temporada de furacões muito pior neste ano e águas mais quentes que a média na região, o que intensifica as tempestades, têm tudo para agravar a catástrofe ambiental. O vento violento e as intensas correntes marítimas associadas a um furacão podem levar o óleo para extensas áreas da costa que não seriam afetadas não houvesse o ciclone. Sem mencionar a interrupção dos esforços para conter o vazamento e limpar as praias. Outro risco é a subida da maré, a chamada storm surge, que pode levar água contaminada para regiões além das praias, quilômetros após a costa, em caso de furacão intenso. Em 3 de junho de 1979, no exemplo mais próximo que se pode buscar, houve um grande vazamento de petróleo após o poço Ixtoc 1 ter explodido na Baía de Campeche, também no Golfo do México. Estudos mostraram conclusões diversas sobre o impacto da tempestade no vazamento pelo furacão Henry (abaixo) que passou pela zona em setembro daquele ano.
Como os furacões se "alimentam" de águas quentes, pode o petróleo no mar interferir na força de uma tempestade ? Como nunca antes um furacão avançou sobre enorme área coberta em óleo, a ciência não tem resposta. Hoje, a crença é que o impacto seria nulo ou menor. Testes feitos no Massachusetts Institute of Technology (MIT) pelo pesquisador Kerry Emanuel indicaram que não houve mudança no processo de evaporação da água coberta de óleo em um tanque e que foi submetida a vento com força de furacão. Mais, quando o vento se tornou intenso, na simulação do tanque, ele se misturou tanto à água que afundou. Outra tese é que o óleo passa fazer sim uma tempestade um pouco mais intensa. O fundamento é que o petróleo, por ser mais escuro, faz com que ele absorva mais luz solar e bloqueie a evaporação, o que acumularia calor nesta parte do oceano que poderia ser liberado na passagem do ciclone, alimentando a tempestade.
Como se vê pela trajetória do recém formado furacão Alex, a tempestade não se desloca para a área do vazamento. A agitação marítima, pelo vento, entretanto, pode espalhar o óleo. Alex, com categoria 1 neste momento, é o primeiro furacão a se formar em junho desde 1995. Os mais intensos furacões documentados em junho ocorreram em 1957 (Audrey) com 946 milibares, Alma (1966) com 970 milibares e Agnes (1972) com 977 milibares. Dos quatro anos que tiveram três tempestades tropicais em junho (1886, 1909, 1936 e 1968), apenas 1886 registrou três furacões. (Com produção e pesquisa de Alexandre Aguiar/MetSul e imagens da CNN, Guarda Costeira dos Estados Unidos e Greenpeace USA).
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 30/06/2010 00:59
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Um frio nada democrático
Não acredito em projeção de modelo para um determinado dia para daqui a sete semanas, quando estas simulações não raro pecam para 24 horas. Independente, o mapa acima mostra a projeção de temperatura na América do Sul de um modelo para o dia 11 de agosto de 2010, isso mesmo, dia 11 de agosto. O que é interessante, acompanhando toda a sequência de dias de prognóstico, de hoje até 11 de agosto, é ver como este modelo indica uma baixa frequência de dias frios em julho e na primeira metade de agosto. O primeiro terço de julho, ao menos, se mostra como de alta probabilidade de temperatura acima da média. Enquanto isso, o padrão antecipado no prognóstico climático da MetSul de frio mais rigoroso no Sul e no Sudoeste do Rio Grande do Sul em termos de anomalias tem se mantido. Basta ver de novo o que ocorreu hoje com mínimas de 3,5ºC em Quaraí, 4,2ºC em Jaguarão, 4,4ºC em Bagé, 4,6º C em Pelotas e 5,7º C em Uruguaiana. Já em São José dos Ausentes, nos altos dos Campos de Cima da Serra, região climática mais fria do Estado, a temperatura não baixou de 10ºC. Aliás, a mínima anotada na estação do Instituto Nacional de Meteorologia de Ausentes foi superior a de Porto Alegre que teve hoje 8,6ºC na estação da MetSul e do Sistema Metroclima em Belém Novo.
Autor: Luiz Fernando Nachtigall Publicado em 29/06/2010 12:09
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Junho mais chuvoso dos últimos anos em Porto Alegre
Os volumes de chuva registrados nas zonas Sul e Leste de Porto Alegre no episódio de precipitação intensa ocorrido em 27 horas entre sexta e sábado acabaram sendo mais extremos do que os revelados pelas estações automáticas, uma vez que os números apurados pelos pluviômetros do Sistema Metroclima indicaram acumulados de chuva ainda maiores. Os números confirmam a conclusão ainda do sábado de que Porto Alegre experimentava um dos mais significativos eventos de chuva dos últimos anos, o que gerou os alagamentos na cidade.
Entre a madrugada de sexta e a manhã desta segunda-feira choveu 156,6 mm na Lomba do Pinheiro: 156,6 mm na Lomba do Pinheiro; 145,4 mm no Lami; 128,5 mm na Restinga; 88,3 mm na Glória; 71,0 mm no Centro; 66,4 na Rodoviária e no bairro Navegantes; 58,9 mm no Jardim Leopoldina; 50,4 mm no São Geraldo; e 47,8 mm no Sarandi. A quase totalidade da precipitação registrada pelos equipamentos ocorreu em um período de 27 a 28 horas entre sexta e sábado, uma vez que a chuva desta segunda-feira na cidade foi de baixíssimo volume, variando entre 1 e 3 milímetros nas diferentes zonas da cidade.
Com a chuva das últimas 72 horas, a precipitação neste mês de junho já está acima do dobro da média histórica de junho (132,7 milímetros) em alguns pontos da cidade, como é o caso da Lomba do Pinheiro que já registra no mês 278,3 milímetros. Nos demais pontos da cidade, os acumulados mensais indicados pelo Sistema Metroclima são de 256,4 mm em Belém Novo; 232,9 mm no Lami; 229,3 mm na Restinga; 195,5 mm na Glória; 167,2 mm no Navegantes; 163,2 mm no Centro; 159,9 na Rodoviária; 150,7 mm no Jardim Leopoldina; 144,1 mm no São Geraldo; e 137,7 mm no Sarandi. O acumulado deste mês na Lomba do Pinheiro é quase cinco vezes maior que o do ano passado, quando a precipitação no local foi 56,4 milímetros, e mais de duas vezes maior que o acumulado de 2008 no mesmo bairro que foi de 126,2 milímetros. Em 2007, Porto Alegre teve muita chuva também em junho com registro de 235,7 milímetros no Jardim Botânico. (fotos de Pedro Revillion e Camila Domingues/Correio do Povo dos alagamentos do sábado)
Autor: Alexandre Amaral de Aguiar Publicado em 28/06/2010 17:51
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Deu "Jabulani" no inverno gaúcho
O inverno é época de ar gelado, mas o que menos fez na estação que está prestes a completar uma semana foi frio. Dos últimos sete dias, em quatro fez calor no Estado. Iraí, no Noroeste, teve 29,6ºC na quinta-feira, 27,6ºC na sexta, 30,6ºC sábado e 28,6ºC até 15h de hoje. Este domingo, aliás, foi quente em grande parte do Estado. Até no Sul, que vinha tendo dias mais frios, a temperatura disparou com o ingresso de ar quente de Norte. Em Porto Alegre, onde o céu azul e o calor lembravam abril ou outubro, a ensolarada tarde registrou máxima de 28,9ºC na estação do Metroclima na Sertório. Neste inverno "Jabulani", em que o tempo surpreende as pessoas, como a bola oficial da Copa trai os goleiros, vem mais calor. Ocorre que, diferente da bola, que segundo testes da NASA torna-se imprevisível ao atingir 72 km/h, nosso tempo é possível prever. E a semana que inicia promete ser amena. Com exceção desta segunda-feira e da madrugada de terça que terão temperatura mais baixa, sobretudo na Campanha, por conta de uma breve e nada intensa incursão de ar frio, no restante da semana as marcas devem ficar acima da média desta época do ano.Sob bloqueio atmosférico que frustra o avanço para o Norte de ar gelado da Argentina, onde o ar muito frio parece não sofrer "impedimento", modelos computadorizados não indicam o ingresso de ar polar aqui nos próximos dez dias. São Pedro resolveu bater uma bola com a Jabulaniiiiiiiiiiii!!
Autor: Luiz Fernando Nachtigall Publicado em 27/06/2010 20:04
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Desastre no Nordeste – Lições ignoradas
A semana que passou foi marcada pelo desastre de proporções impressionantes na Zona da Mata de Pernambuco e Alagoas, tragédia que, infelizmente, se repete. Exatamente. Não foi a primeira vez que cidades às margens dos rios Mundaú, Canhoto e Paraíba acabaram arrasadas pela força das águas. Em 14 de março de 1969, a pequena cidade alagoana de São José da Lage foi destruída por uma enchente relâmpago do rio Canhoto. O noticiário relatou à época mais de mil mortos. Foram centenas de pessoas arrastadas e afogadas.
Casas e prédios vieram abaixo, como agora se vê em várias cidades alagoanas e pernambucanas. "Onda gigante no Sertão" se disse em 1969 como agora se fala em tsunami.
A própria São José da Lage foi atingida, mesmo que em menor proporção que há 41 anos, já que muita gente, traumatizada pela catástrofe de 1969, decidiu morar longe do rio. A tragédia não foi a primeira e não será a última. Se após o episódio de 41 anos atrás tivessem sido adotadas medidas de contenção de cheias ou prevenção como retirada de moradores de áreas ribeirinhas, as conseqüências da chuva teriam sido menores, afinal inundações são recorrentes na zona com precedentes de eventos de natureza catastrófica. O desastre no Nordeste de agora (clique sobre as fotos abaixo para ampliar) é mais um no Brasil em que há a mão negligente de governantes do presente e do passado.
No que concerne ao cenário oceânico-atmosférico que levou ao desastre de 2010 no Nordeste do Brasil, a minha convicção (ler análise neste blog do dia 23 de junho) de que a tragédia teve forte correlação com as condições atuais de TSM (temperatura da superfície do mar) do Atlântico Sul - TSA Index - ficou ainda mais reforçada após ler estudo que demonstra aquecimento muito acima da média das águas do Atlântico na região por onde se propagam as ondas de Leste na mesma área de agora, mas em 1969, quando do desastre análogo de 41 anos atrás em São José da Lage (imagem abaixo de Hindcasts of tropical Atlantic SST gradient and South American precipitation: the influences of the ENSO forcing and the Atlantic preconditioning por Huei-Ping Huan et all).
Chuva intensa associada a sistemas frontais que alcançaram a região no fim do outono e TSM do Atlântico muito acima da média na área de propagação das easterly waves acabaram por criar uma condição de solo, hidrológica e atmosférica altamente propícia a eventos extremos de chuva e inundações relâmpagos com conseqüências catastróficas. As lições de 1969 não foram aprendidas. Serão as de 2010 ? (Fotos de Antônio Cruz/ABr com apoio em pesquisa de Alexandre Aguiar/MetSul Meteorologia)
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 27/06/2010 09:06
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Dilúvio no Sul e Leste de Porto Alegre
Foi chuva como poucas vezes se viu nos últimos anos nas zonas Sul e Leste de Porto Alegre. Dados das estações automáticas da MetSul Meteorologia e do Sistema Metroclima indicam que desde que começou a chover na madrugada de ontem até o final da manhã de hoje, quando a chuva cessou, a precipitação na cidade chegou a 128,5 milímetros em Belém Novo; 114,8 na Lomba do Pinheiro; 80,0 no Menino Deus; 69,5 no bairro Moinhos de Vento; e 63,2 milímetros na Avenida Sertório. O volume de água foi tão elevado na zona Sul de Porto Alegre que em alguns locais barcos viraram meio de transporte.
Dados do Oitavo Distrito de Meteorologia do Instituto Nacional de Meteorologia da chuva acumulada em sua estação no bairro Jardim Botânico desde o início das precipitações na madrugada de ontem até 9h de hoje indicaram que no local choveu 84,5 milímetros. Após a leitura da estação convencional das 9h, no mesmo local, a estação automática do órgão indicou mais 6,2 milímetros. Entre a madrugada de sexta e 9h de hoje, a estação do Ministério da Aeronáutica no Aeroporto Salgado Filho indicou 51,5 milímetros.
A precipitação indicada pela estação automática de Belém Novo registrou praticamente a média de chuva de todo o mês de junho em pouco mais de 24 horas. A média histórica de chuva em Porto Alegre em junho (série histórica 1961-1990) é de 132,7 milímetros, a terceira mais alta entre os meses do ano, sendo superada apenas por agosto (140 milímetros) e setembro (139,5 milímetros). A MetSul explica que justamente por ser um mês de média pluviométrica elevada, a precipitação de hoje acaba por ser extrema. Estivéssemos em abril, que é um mês menos chuvoso (média de 86,1 milímetros), e os estes 128,5 milímetros que caíram em Belém Novo só hoje significariam 150% da média do mês.
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A chuva intensa em Porto Alegre foi resultado de uma frente semi-estacionária que estava sobre o Centro do Estado, sendo intensificada por ar quente de Norte trazido por uma corrente de jato (vento) em baixos níveis da atmosfera. Com o recuo do sistema para o Sul, como uma frente quente (animação abaixo), o tempo já começou a melhorar e a tendência é de um domingo de sol e nuvens com temperatura elevada para esta época do ano nas áreas atingidas pelo aguaceiro na Capital, colaborando para a recuperação dos prejuízos.
Uma frente quente que no final deste sábado estava sobre o Uruguai e o Sul gaúcho recua ainda mais para o Sul nas primeiras horas do domingo, provocando chuva forte e temporais no país vizinho e nas áreas próximas da fronteira. No decorrer do dia, o sistema volta a se deslocar para o Norte, agora com característica de frente fria, trazendo chuva para o Sul e o Sudoeste do Estado. A MetSul Meteorologia alerta que não pode ser descartada chuva forte e temporal em pontos isolados, sobretudo da fronteira. Grande parte do Rio Grande do Sul, contudo, deve ter um domingo de sol e nuvens com nevoeiro em alguns municípios ao amanhecer. Massa de ar quente cobre a maior parte do território gaúcho e traz temperatura muito acima da média histórica desta época do ano com calor à tarde, principalmente no Centro e no Norte do Rio Grande do Sul, o que inclui a Capital. Os termômetros devem indicar máximas de 27ºC a 29ºC na Grande Porto Alegre e no Noroeste gaúcho, onde neste sábado a tarde teve máximas entre 28ºC e 30ºC na região de Santa Rosa e Iraí.
O avanço da frente será precedido durante o domingo por vento Norte e Noroeste no Estado e que pode soprar com ocasionais rajadas devido à presença de uma corrente de jato em baixos níveis (mapa acima com a projeção de vento a 1500 metros amanhã). Há o risco, menor que há 48 horas, de Santa Maria voltar a registrar rajadas fortes de vento Norte quente e seco, como ocorreu na última quinta, quando a cidade do Centro do Estado teve queda de postes e falta e luz pela ventania. A frente tende a enfraquecer muito ao se deslocar para o Norte de forma que deve provocar chuva em baixo volume ou apenas aumento de nuvens em muitas localidades da Metade Norte. A temperatura de novo sofrerá um declínio com o ingresso de ar frio no decorrer da segunda-feira e cidades que neste domingo devem ter máximas acima de 25ºC devem ter marcas ao redor de 15ºC a 17ºC no mesmo horário na tarde de segunda. (Fotos de Pedro Revillion e Camila Domingues/Correio do Povo)
Autor: Luiz Fernando Nachtigall Publicado em 26/06/2010 19:23