O El Niño acabou e as águas já estão mais frias que a média em áreas do Pacífico Equatorial, o que em breve pode dar origem a um novo evento do fenômeno La Niña. Há, assim, rápida transição de fase positiva para potencialmente negativa no Pacífico, o que se verificou em 1964, 1988, 1998 e 2007.
A evolução do Pacífico em 2009/2010 se assemelha às observadas em 1951/1952, 1957/1958, 1963/1964, 1976/1977 e 2006/2007, quando considerado um dos principais índices de acompanhamento do oceano. Na média destes anos (1952, 1958, 1964, 1977 que foi o análogo do inverno americano e 2007), o outono teve padrão de temperatura e chuva parecido com o de agora de 2010, em especial quanto às precipitações volumosas no Norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Se analisadas as médias dos mesmos anos para junho a agosto, a constatação é de inverno úmido, até com períodos de chuva excessiva, sobretudo em agosto, aqui no Estado, Sul do Brasil, Uruguai e Centro-Norte da Argentina. Quanto à temperatura, nestes anos do passado com Pacífico parecido com agora, o inverno foi rigoroso na Argentina, Chile e Uruguai enquanto aqui o frio foi maior na Metade Sul.
É interessante ver a discrepância entre modelos (que usam dados atuais para projetar o futuro) e os análogos (comparação entre presente e passado para projetar o futuro). Modelos, como da Universidade de Pelotas, sugerem um julho gélido e agosto com temperatura mais alta (abaixo).
Já os análogos sinalizam que julho (mapa da esquerda) poderia ter temperatura mais alta ao passo que o mês de agosto (mapa da direita) sim poderia ser muito frio, úmido e com neve.
Da comparação dos modelos com análogos se extrai que ao menos um mês do "core" do inverno climático poderia registrar anomalia negativa significativa. Este não é o prognóstico consolidado de inverno da MetSul Meteorologia, produto reservado aos clientes, mas uma demonstração pequena e absolutamente parcial de uma das tantas linhas de trabalho que estamos adotando para as projeções climáticas de longo prazo que envolvem muito mais variáveis como, por exemplo, o padrão geral de circulação anômala recente que favoreceu sucessivas baixas frias do Atacama para o Sul do Brasil, o que pode estar associado a trens de ondas originados no Hemisfério Oriental, segundo uma avaliação desta semana da Meteorologia argentina.
Por motivos operacionais, este blog não sofrerá atualização até o dia 2 de junho.
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 22/05/2010 00:51
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O ciclone que espalhou danos do Chile ao Brasil
A semana que está terminando, como antecipava a MetSul Meteorologia, seria marcada por um vórtice ciclônico em médios e altos níveis da atmosfera que daria origem a um ciclone extratropical. O sistema veio, como se temia fez estragos, e agora se afastou para a costa do Sudeste, onde voltou à condição de vórtice em altura.
Por onde o sistema meteorológico passou ele deixou suas marcas, muitas indesejáveis. Pela terceira semana seguida um vórtice ciclônico originado no Pacífico cruzou os Andes e chegou ao Sul do Brasil, convertendo-se em ciclone extratropical e produzindo muitas águas.
Os maiores problemas associados ao centro de baixa pressão ocorreram no Norte do Chile e no Sul do Brasil. Na quarta-feira, impressionava a imagem de satélite, diga-se rara de ver, mostrando o sistema cobrindo grande parte do Sul do país e impulsionando ar frio para o Norte, o que rendeu a tarde mais fria até agora no ano no Oeste da Região Sul com marcas abaixo de 10ºC em vários locais.
Durante sua passagem pelo Norte chileno, a "baixa fria" em altura produziu eventos extremos na desértica região do Atacama com chuva forte que provocou alagamentos e até desabamentos de estradas e pontes. O aguaceiro deixou centenas de desabrigados e danos materiais nas comunidades. Nevou muito forte no deserto e em algumas áreas o fenômeno não era testemunhado há cinco anos.
Na sua passagem pela Argentina, os efeitos foram benignos. Ao contrário, o sistema deu espetáculo à medida que cobriu as serras de Tucumán, como mostram as imagens de Guillermo Caliari/Gaceta de Tucumán e de Cristofer Brito.
Ao chegar no Sul do Brasil, problemas. O ciclone trouxe chuva extrema para Florianópolis e o Litoral Norte gaúcho no final da terça-feira e primeiras horas da quarta-feira. A área de Tramandaí foi a mais afetada no Rio Grande do Sul com 167,6 milímetros, sendo 129,8 milímetros em apenas em três horas. Só entre 23h de terça e 0h de quarta foram 65,6 milímetros. Foi o segundo aguaceiro do ano em Tramandaí. No dia 8 de fevereiro tinham sido anotados 56 milímetros em uma hora. Outros balneários, como o vizinho Imbé, também foram castigados pela chuva. O aguaceiro da noite de terça para quarta deixou os moradores espantados e os danos foram inevitáveis, assim como relevam as imagens de Pedro Revillion/Correio do Povo e da Prefeitura de Imbé.
Em Santa Catarina, a chuva levou calamidade a algumas áreas da Grande Florianópolis. As precipitações foram torrenciais e com enormes e espantosos volumes em curtos períodos, o que trouxe muitos danos, agravados pelas rajadas de vento de até 80 km/h. A noite de terça para quarta acabou sendo de caos na Grande Florianópolis.
Na área de Florianópolis, em apenas 24 horas, caíram 159 milímetros no Aeroporto Hercílio Luz e 255,8 em São José, mais que o dobro da média do mês. Em São José, foi o maior volume de chuva já anotado em 24 horas em maio e o segundo mais alto de toda a série histórica da estação iniciada em 1911, conforme a nossa parceira Climaterra de São Joaquim. No local, em cinco horas, foram registrados 161 milímetros. Não se pode dizer, contudo, que tenha sido a maior chuva em Florianópolis desde 1991, uma vez que em dezembro de 1995 estações na ilha registraram acumulados até superiores a 500 milímetros em pouco mais de 24 horas. Tamanho volume de chuva provocou inundações e deslizamentos de terra na quarta-feira na Grande Florianópolis (fotos do governo de Santa Catarina).
E, acreditem, pode vir mais. Os modelos sugerem um outro sistema de baixa em altura avançando dos Andes para Leste agora no começo da semana, mas desta vez avançando mais pelo Sul em direção ao Uruguai, mas que, mesmo assim, traria chuva para o Rio Grande do Sul e o Sul do Brasil. Não será surpresa, apesar de prognóstico de modelo de até 10 dias antes não ter confiabilidade, se o ingresso de ar mais gelado ao redor da virada do mês vir acompanhado de um ciclone na costa do Sul do Brasil ou no Prata.
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 21/05/2010 00:24
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Ciclone marcará o tempo nesta semana no Sul do Brasil
Pela terceira semana consecutiva um sistema de baixa pressão em níveis médios e altos da atmosfera que se origina no Pacífico cruza os Andes e chega ao Sul do Brasil, onde se converte em ciclone extratropical, padrão que não é comum. Hoje, o vórtice ciclônico avança pelo Norte da Argentina, e amanhã e quarta, já como ciclone, atua sobre o Rio Grande do Sul.
Em regra, os sistemas de baixa pressão somente adquirem a condição de ciclone quando atingem o mar, mas este se formará no continente. Veja na animação a seguir a projeção de modelo da cobertura de nuvens para as 24 horas desta terça-feira e observe como o ciclone estará configurado exatamente sobre a continente e no Rio Grande do Sul.
Por isso, a MetSul alerta para o risco de chuva forte a intensa no Sul do Brasil entre hoje e quarta-feira. Os altos volumes devem atingir diversos pontos do Estado. Em Porto Alegre, o risco é maior de chover forte hoje no fim do dia e, sobretudo, amanhã. Há ainda a possibilidade de rajadas de vento forte até quarta-feira à medida que o ciclone se desloca para Leste. Os modelos não projetam rajadas muito intensas, mas sempre se mantém uma nota de cautela, uma vez que este tipo de sistema sobre o continente pode surpreender. Sistema semelhante de 2 para 3 de maio de 2008 em Porto Alegre, quando a pressão não caiu abaixo de elevados 1010 hPa, chegou a provocar vento de 120 km/h. A interação entre ar frio e forte instabilidade pode gerar ainda granizo. Em situações parecidas no passado, houve até casos localizados de granizo com grande acumulação no solo a ponto de parecer neve. A cobertura de nuvens, a instabilidade e a presença de ar frio vão manter a temperatura baixa com frio até a tarde. Na segunda metade da semana se espera tempo mais seco e temperatura em elevação.
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 17/05/2010 07:54
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Semana de frio continental e enchente termina com nevoeiro
O ciclone se foi, mas os transtornos ficaram. Santa Catarina termina a semana ainda se recuperando dos estragos provocados pela chuva. Subiu para 35 o número de cidades prejudicadas pela chuva desde terça-feira e dez decretaram situação de emergência. Pelo menos 257 mil pessoas foram afetadas pelo mau tempo e mais de 3 mil ficaram desalojadas.
O tempo seco deve permitir que a situação gradualmente se normalize no Sul catarinense, o que vai proporcionar a liberação da BR-101 que foi bloqueada após a pista ser tomada pelas águas da enchente mais uma vez em Maracajá.
Como era esperado, a chuva pararia, o sol retornaria, mas o mar ainda ficaria bastante agitado entre o Litoral Norte do Rio Grande do Sul e a costa catarinense. A ressaca foi forte em vários pontos da orla de Santa Catarina, caso da praia do Rincão (fotos abaixo) e chegou a causar erosão costeira.
Outra expectativa do começo da semana que se confirmou foi o frio incomum para esta época do ano no Centro-Oeste e Norte do Brasil. A mínima ontem de 2,6ºC em Mineiros, Goiás, foi menor que a de Ushuaia, na Terra do Fogo, quase na Antártida, onde fez 3,0ºC. Isso mesmo. Fez mais frio numa cidade de Goiás do que em Ushuaia. São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro registraram menos de 5ºC. É nossa crença que em todos estes estados houve geada em algum ponto. Marcas entre 2ºC e 4ºC em Mato Grosso e Goiás são notáveis. O que dizer, então, da região amazônica ? Fez 8,4ºC em Rondônia. No Acre, a mínima foi de 11,9ºC. Para gaúcho nenhum 15,1ºC é frio, mas numa cidade do Amazonas é temperatura nada comum. Possivelmente as mínimas de ontem foram recordes de décadas para o mês de maio em muitas cidades do Centro-Oeste.
Mineiros (GO)
2,6ºC
Rio Brilhante (MS)
5,4ºC
Jataí (GO)
3,5ºC
Itumbiara (GO)
5,8ºC
Poxoreo (MT)
4,0ºC
Diamantino (MT)
6,2ºC
Comodoro (MT)
4,6ºC
Vilhena (RO)
8,4ºC
Campo Grande (MS)
5,1ºC
Cuiabá (MT)
10,1ºC
Morrinhos (GO)
5,2ºC
Epitaciolândia (AC)
11,9ºC
Salto do Céu (MT)
5,4ºC
Boca do Acre (AM)
15,1ºC
O fim de semana terá sol e nuvens no Rio Grande do Sul com tempo mais aberto no sábado, já que no domingo se espera aumento de nebulosidade e chance até de instabilidade isolada e fraca no Estado. Mais uma vez haverá nevoeiro denso, assim como hoje, em diversos pontos. Um sistema de baixa pressão atua no território gaúcho na próxima semana e traz chuva, mas os modelos que vinham indicando um novo ciclone reverteram a tendência. O quadro, contudo, seguirá sendo monitorado. As mínimas devem seguir baixas em áreas do Sudeste do Brasil, inclusive com geada em algumas localidades paulistas e mineiras. (Imagens do Portal Engeplus e Correio do Povo)
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 14/05/2010 06:50
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Enchente no Sul e frio de auge de inverno no Centro-Oeste
A esperada conversão de um vórtice ciclônico em médios e altos níveis da atmosfera em um ciclone extratropical confirmou-se nas últimas horas junto à costa do Sul do Brasil, o que levou chuva forte a intensa e vento para as áreas compreendidas no alerta divulgado pela MetSul Meteorologia no começo da semana (imagens abaixo do satélite do começo da tarde de hoje e da inicialização das 0Z do modelo MBAR/Inmet com a divergência, umidade e linhas de corrente em 850 hPa).
Este sistema provocou elevados volumes de chuva no Leste de Santa Catarina e no Litoral Norte do Rio Grande do Sul entre ontem e hoje, sobretudo na madrugada e manhã desta quarta-feira. Durante a noite, as precipitações foram intensas em Criciúma. Para os moradores de alguns edifícios da cidade, o transtorno da chuva virou sinônimo de pânico pela inundação. Houve corre-corre para retirar os veículos das garagens abaixo do nível das ruas.
Durante a manhã desta quarta-feira, Criciúma era uma cidade transtornada pela chuva com inúmeros alagamentos e prejuízos para pessoas que tivera suas casas e comércios tomados pela água.
Em Turvo, diversas comunidades ficaram isoladas e a área urbana acabou alagada (foto abaixo). Em Urussanga, quinze pessoas deixaram suas casas. A chuva das últimas horas isolou o bairro Cidade Alta, em Forquilhinha, e cinquenta casas foram tomadas pelas águas. Quarenta famílias tiveram que deixar suas residências. O acesso ao local é realizado através de barcos ou trator (foto abaixo).
Na rodovia SC-445, na chegada a Siderópolis, onde houve desmoronamento em janeiro do ano passado, a pista foi tomada pela lama (foto abaixo). Na Grande Florianópolis, uma queda de barreira no Morro Agudo, na BR-101 Sul em Paulo Lopes chegou a fechar temporariamente a rodovia.
Em Torres, no acumulado de 24 horas, até 9h desta quarta, choveu 69,2 milímetros. Em Criciúma, nas últimas 30 horas, choveu 140 milímetros, a maior parte nas últimas 12 horas. Em Araranguá, a chuva somada de ontem e hoje até o meio-dia alcançava 147,2 milímetros. Em Tubarão, apenas entre 0h e 12h de hoje, choveu 87 milímetros, elevando o acumulado mensal para 226 milímetros. O nível do Rio Tubarão atingia ao meio-dia 5,38 metros em patamar de alerta. No farol de Santa Marta, em somente 36 horas, entre 0h de terça e 12h de hoje, a chuva atingiu 167,6 milímetros. As rajadas de vento no local chegaram a 110,8 km/h. No Litoral Norte gaúcho, as ondas nesta manhã chegavam a dois metros e o mar estava de ressaca.
O ciclone se afasta gradualmente e as próximas horas e a quinta-feira ainda terão nebulosidade variável com períodos de abertura e outros de instabilidade, porém mais fraca, no Litoral Norte gaúcho e o Sul catarinense. O vento ainda deve soprar com rajadas fortes entre a Grande Porto Alegre e o Litoral Norte, devendo a ressaca no mar piorar. Como era esperado, o ciclone na costa do Sul do Brasil levaria ar muito seco e frio ao Centro do Brasil. Hoje, a mínima no Aeroporto de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, chegou a 4,7ºC. Em Goiás, Jataí acusou 6,3ºC. No Mato Grosso, fez 6,8ºC em Alto Taquari. Aqui no Rio Grande do Sul, a menor marca hoje no Estado foi 7,1ºC em São José dos Ausentes, logo acima dos registros mínimos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Na próxima madrugada o frio deve ser novamente intenso em diversas localidades do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil com geada localizada, sobretudo nas áreas mais altas do Mato Grosso do Sul e São Paulo. No território gaúcho, o período mais gelado da semana já passou e a temperatura entrará em elevação nas próximas tardes, apesar da madrugada ainda mais fria que se prevê na sexta. (Fotos gentilmente cedidas pelo Portal Engeplus)
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 12/05/2010 14:05
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Como no filme Twister
A expectativa de uma onda de tornados na tarde e noite de ontem nas Planícies Centrais dos Estados Unidos se confirmou com tempestades muito severas em Oklahoma e Kansas, onde houve o registro de muitos tornados e granizo gigante. Dezenas de milhares de pessoas tiveram suas casas danificadas e ficaram sem energia. O tamanho das pedras de granizo foi descomunal em algumas localidades.
O Departamento de Gerenciamento de Emergências informou que duas pessoas morreram em Oklahoma City e três no condado de Cleveland, ao sul da cidade. Funcionários de Oklahoma City disseram que os mortos eram um menino, atingido por escombros em sua casa, e um homem cujo veículo foi arremessado para cima dele. Pelo menos 58 outras pessoas se feriram, duas delas em estado grave. Dois tornados passaram pela região metropolitana de Oklahoma City, espalhando destruição, inclusive em Norman, onde está localizado o Centro Nacional de Previsão de Tempestades dos Estados Unidos.
O que impressionou mais foi a ocorrência de tornados multivórtice, como se fossem uma produção de cinema, como um que se formou na região da localidade de Wakita.
Uma incrível imagem de radar mostrava um clássico eco em gancho (hook echo) na área, acusando a presença do tornado. A supercélula era uma verdadeira "besta" pelo seu potencial destrutivo.
Foi este tornado que caçadores de tormentas conseguiram interceptar na área de Wakita. O vídeo dos chaser, especialmente no seu final, é impressionante.
A leste de Oklahoma City, a destruição levou autoridades a fechar a Interstate 40, uma importante rodovia da região. Maio, tradicionalmente, é o mês com maior ocorrência de tempo severo e tornados nos Estados Unidos.
Autor: Luiz Fernando Nachtigall Publicado em 11/05/2010 11:46
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O que está interessante vai ficar ainda mais
Uma grande e forte massa de ar frio, a mais intensa até agora do outono, cobre grande parte do Centro e do Sul da América do Sul e deve atingir grande parte do continente neste começo de semana. Ontem, sábado, o Rio Grande do Sul amanheceu com 4,2ºC em Bagé e 4,4ºC em Uruguaiana. Na mesma madrugada, o vizinho Uruguai registrou a primeira marca negativa de 2010 com 0,8ºC abaixo de zero na localidade de Mercedes. Na Argentina, a mínima foi de 0,9ºC no Aeroporto Internacional de Ezeiza em Buenos Aires, a menor marca de 2010 na estação até agora. O frio de inverno é uma das grandes notícias do fim de semana na Argentina.
Hoje, Dias das Mães, o frio aumentou ainda mais. No Uruguai, os termômetros acusaram marcas abaixo de zero em Florida (-1,4ºC) e Mercedes (-1,1ºC). Grande parte território uruguaio teve menos de 5ºC (mapa abaixo de Marcelo Gonzalez Oliviero/MetUruguay). Aqui no Estado, a mínima ocorreu em Quaraí com 2,9ºC, a menor observada por estações do Instituto Nacional de Meteorologia até agora no ano no Rio Grande do Sul, mas a mais baixa temperatura observada por estação meteorológica em 2010 no Rio Grande do Sul ainda é o registro de 1,8ºC de 2 de maio no parque do Caracol em Canela.
O frio deste domingo foi intenso na madrugada em grande parte do Estado com as menores marcas até agora em muitas localidades. No Oeste, Uruguaiana amanheceu com 4,0ºC. Também nas fronteiras, Livramento teve 5,7ºC (foto abaixo de Daniele Delgorucov/Correio do Povo), Jaguarão 5,8ºC e São Borja 6,9ºC. Em Bagé, a mínima chegou a 3,5ºC. Frio também no Noroeste e nas Missões com 5,7ºC em São Luiz Gonzaga e 7,5ºC em Santa Rosa. No Planalto, Passo Fundo registrou 7,4ºC. Em Cruz Alta, a mínima foi de 7,7ºC e em Santa Maria de 9,4ºC.
Como se esperava, as menores marcas neste fim de semana se concentraram no Sul e no Oeste, não na Serra, onde o relevo favorece, em regra, marcas menores. Assim como em Porto Alegre, a região serrana permaneceu com mais umidade e maior cobertura de nuvens, inibindo um declínio maior da temperatura à noite, mas mantendo o frio até à tarde. Vacaria registrou 6,9ºC. São José dos Ausentes teve 5,8ºC. Em Bom Jesus, os termômetros acusaram 6,5ºC. Já em Porto Alegre, que teve chuva durante a maior parte da madrugada, a mínima entre as estações do Sistema Metroclima foi de 13,5ºC na Lomba do Pinheiro enquanto no Jardim Botânico o Instituto Nacional de Meteorologia anotou 13,1ºC em sua estação.
O que já está interessante vai ficar ainda mais interessante. Observe na imagem de satélite do começo da tarde deste domingo (acima) como se produziu um aumento da nebulosidade em grande parte do Rio Grande do Sul. Entre esta segunda-feira e a terça-feira deve se formar sobre o Rio Grande do Sul e o Sul do Brasil um sistema de baixa pressão em níveis médios e altos da atmosfera, o que denominamos de baixa fria. Já se esboça um importante cavado (área de menor pressão atmosférica) que, segundo os modelos (veja animação abaixo) daria lugar ao sistema de baixa fechado até com característica de ciclone extratropical junto ao Litoral do Sul do Brasil (região ciclogenética parece estar posicionada mais ao Norte neste ano, o que se mantiver durante o inverno pode repetir o padrão dos anos 60 e 70 que trazia mais neve ao Sul do Brasil).
A atuação deste sistema promete mexer com o tempo numa significativa área do Brasil. Este vórtice ciclônico no Sul terá papel um tanto importante para impulsionar o ar polar em direção ao Norte pelo interior do continente, o que fará com que a temperatura caia muito e madrugadas frias sejam observadas no Norte da Argentina, Paraguai, Bolívia, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Não descartamos marcas abaixo de 5ºC no Mato Grosso do Sul e negativas na Serra da Mantiqueira entre São Paulo e Minas Gerais com geada nestas regiões. Mesmo o Sul de Goiás deve ter frio nesta semana. Vejam o mapa com a anomalia de temperatura prevista para esta semana.
No Sul do Brasil, este sistema, que não chega a ser profundo em superfície, mas em contrapartida terá grande sustentação em altura, deve trazer instabilidade e vento forte, além de manter o frio durante toda esta semana. A nebulosidade aumenta muito no Rio Grande do Sul nesta segunda-feira e não se descarta chuva na maioria das regiões até o fim do dia, sobretudo nas Metades Norte e Leste. Na terça, com o sistema mais organizado, chove principalmente no Norte e no Leste do Estado com a intensificação do vento que trará baixa sensação térmica. Na quarta, permaneceriam as condições um tanto favoráveis à instabilidade no Norte e Leste do Rio Grande do Sul, ainda com risco de rajadas de vento. É importante salientar que apesar do quadro de instabilidade, vão ocorrer momentos de sol nesta primeira metade da semana em muitas localidades, em especial na Metade Oeste.
A MetSul Meteorologia emite alerta meteorológico para o risco de chuva em elevado volume e rajadas de vento fortes a ocasionalmente intensas no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, costa de Santa Catarina e Litoral do Paraná, especialmente entre terça e quarta. Algumas destas áreas já registraram chuva forte entre sexta e sábado e alguns rios estão com os níveis altos. Assim, não podem ser descartados transtornos como alagamentos ou queda de encostas. O mapa (acima) mostra a projeção de chuva do modelo americano para esta semana, mas acreditamos que esteja subestimando os acumulados para algumas áreas do Litoral Norte gaúcho e do Leste catarinense, onde a MetSul acredita podem ser registrados volumes próximos ou acima de 100 milímetros. Há um alto risco de turbulência forte em voo nas rotas do Sul e do Sudeste do Brasil nesta semana.
Cidades do Centro-Oeste do Brasil devem ter mais frio na madrugada do que em muitos municípios do Rio Grande do Sul nesta primeira metade da semana por conta da umidade (em azul) do vórtice ciclônico estar ancorada sobre o território gaúcho enquanto ao ar muito seco (em rosa) que favorecerá o intenso resfriamento noturno estará sobre o Paraná, Norte de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo e Goiás (mapa abaixo com a projeção de umidade a 1500 metros de altura na manhã de quarta-feira). Campo Grande (MS), por exemplo, pode ter mínima menor que Porto Alegre.
As madrugadas entre esta segunda e quarta-feira seguirão mais frias na Campanha e no Oeste gaúcho com marcas novamente de até 5ºC em algumas localidades. Em Porto Alegre se manterá a tendência de mínimas entre 11ºC e 13ºC com máximas ao redor de 20ºC, mas as menores mínimas, assim como na Serra, podem ocorrer na segunda metade da semana, quando o ar frio estará enfraquecendo, mas em compensação mais seco. Na Serra, contudo, as tardes seguirão bastante frias nos próximos dias e ainda com baixa sensação térmica devido ao vento e à provável chuva ou garoa. Cenário puramente invernal !!!
Autor: Luiz Fernando Nachtigall Publicado em 09/05/2010 15:38
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Semana termina com chuva e frio no Sul do Brasil
A quinta-feira começou novamente com nevoeiro em grande parte do Rio Grande do Sul. O céu claro e o vento calmo na madrugada favoreceram o forte resfriamento em superfície, mas devido à aproximação de uma frente fria havia o ingresso de ar quente por Oeste, o que acentuou ainda mais o processo de inversão térmica. A sondagem do Aeroporto Salgado Filho das nove da manhã de hoje, por exemplo, acusava 15,6ºC em superfície, mas fazia 17ºC a 500 metros de altitude e 16,2ºC a 950 metros. O resultado só poderia ser a forte neblina que cobriu Porto Alegre no começo da manhã (foto de Mateus Bruxel/Correio do Povo).
Neblina dissipada, sol aparecendo e ar quente chegando pelo Oeste, a consequência é uma forte elevação da temperatura. O aquecimento desta tarde de quinta, entretanto, não se sustentará. O motivo é uma frente fria que avança pela Argentina e traz chuva para a região do Rio da Prata.
Ar muito frio avança na retaguarda deste sistema frontal e provou grande quantidade de neve na Cordilheira do Andes, no Centro e no Sul da Argentina e Chile. As imagens de satélite do canal visível de hoje, com a melhora do tempo e o afastamento da cobertura de nuvens da frente, permitiam visualizar claramente as montanhas andinas tomadas pela neve.
Nevou em Bariloche e outras estações de esqui dos Andes. Em Las Leñas, a paisagem do amanhecer de hoje era de auge do inverno com grande quantidade de neve acumulada no solo.
O sistema frontal deve ter pouca atividade na maior parte do Rio Grande do Sul, sendo possível que algumas localidades sequer registrem chuva e apenas a virada do vento com rajadas fortes e acentuado declínio da temperatura. No Norte gaúcho, porém, ganha força amanhã o sistema frontal e alguns municípios podem ter mais de 50 milímetros em 24 horas. Após, a chuva avança para Santa Catarina e o Paraná, onde diversas localidades registrarão precipitações fortes a intensas nesta sexta e no sábado, sendo que em algumas os volumes terão potencial de atingir a marca de 100 milímetros.
A frente fria responsável pela instabilidade será impulsionada para o Norte por massa de ar frio que ingressa no Rio Grande do Sul nesta sexta com queda de temperatura e rajadas de vento, sobretudo no Sul e no Leste. O ar polar será mais intenso que o último que trouxe marcas de até 1,8ºC na Serra e 7ºC em Porto Alegre e vai estar associado a um centro de alta importante com pressão central superior a 1.030 hPa, contudo sua influência será maior na Argentina e Uruguai. Observe o mapa de espessura da camada em 500 hPa para o começo da semana que vem e note como a advecção de ar frio será muito significativa.
Diferente da massa de ar frio do final de abril, que era muito seca e favorecia mínimas bastante baixas, esta deve ter umidade maior e ainda por cima circulação de nuvens no Leste e Nordeste do Estado, o que inclui a Serra e Porto Alegre, com chance até de precipitação nestas regiões no fim de semana e no começo da semana, frustrando resfriamento maior que o observado na virada do mês. Deve ocorrer a formação de um sistema de baixa pressão nas costas do Sul e do Sudeste do Brasil, colaborando para a ocorrência de chuva em grande volume nos próximos dias entre os litorais do Rio Grande do Sul e de São Paulo. Há o risco de chuva excessiva e orográfica que pode produzir alagamentos e deslizamentos em pontos isolados nestas áreas. Veja o mapa com a chuva projetada para os próximos sete dias no Sul do Brasil e atente para os altos índices de precipitação nas costas catarinense e paranaense.
Este sistema de baixa pressão vai contribuir para que o ar frio seja ejetado mais ao Norte pelo interior do continente, assim a temperatura sofrerá acentuado declínio no Paraguai, Centro-Oeste e talvez até no Sul da bacia amazônica (friagem). Aqui no Rio Grande do Sul as menores mínimas, possivelmente abaixo dos 5ºC em algumas localidades, são esperadas no começo da próxima semana, quando o ar estará mais seco no Sul e no Oeste. Na Serra e nos Aparados, o que chamará a atenção serão as máximas muito baixas e o frio durante o dia todo. Esta não é a primeira forte onda de frio do outono e ainda está distante de ter o potencial de massas de ar polar do passado que chegaram a provocar neve no Sul do Brasil na primeira quinzena de maio.
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 06/05/2010 14:55
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"La Tormenta Perfecta"
Área de baixa pressão em níveis médios e altos da atmosfera e que nós meteorologistas chamamos de ‘baixa fria’ chegou ontem ao Rio Grande do Sul, trazendo mais nuvens e chuva, sobretudo na Metade Oeste. Em Uruguaiana, apenas até o meio da tarde ontem, a precipitação somava 30 milímetros (foto de Miguel Castanini/Correio do Povo).
A terça-feira começou com instabilidade em várias regiões gaúchas, inclusive em Porto Alegre, à medida que o centro de baixa pressão se desloca de Oeste para Leste em direção ao Atlântico.
Este centro de baixa pressão não provocou nem provocará nada de diferente ou fora do normal no Rio Grande do Sul, mas sua história é extremamente interessante pelo que causou antes de chegar ao Sul do Brasil. Ao passar pelo Norte da Argentina, assim como se previa, provocou neve nos Andes e pela primeira vez no ano a Cordilheira se viu coberta de branco no Norte argentino, o que podia ser visto até pelas imagens do canal visível do satélite, mas especialmente pelas imagens em alta resolução (clique na imagem abaixo para ampliar).
O mais incrível, contudo, ocorreu um pouco antes e no lado Oeste dos Andes. "Tormenta perfeita" foi a manchete de ontem do jornal Diário de Atacama, no Chile, com fotos de granizo e raios provocados no sábado à noite por este sistema de baixa pressão que agora atua aqui no Estado.
As imagens da tempestade elétrica no deserto de Atacama, um dos locais mais secos do planeta, são maravilhosas. Ontem, entramos em contato com a redação do jornal chileno e obtivemos autorização para reproduzir as fotos que vocês verão a seguir de Carlos Aguilar Vivar.
Esta área de baixa pressão que denominamos de segregada, uma vez que não atrelada a um sistema frontal, veio do Pacífico e cruzou a América do Sul do Norte do Chile no sentido do Rio Grande do Sul. No final da semana passada já mostrávamos aqui no blog como seria a evolução deste sistema em animação. A trajetória da baixa, assim, foi bem diferente daquelas a que estamos acostumados a ver e suas conseqüências foram bem inusitadas a ponto de ter sido chamada de "La Tormenta Perfecta". Ela se afasta rápido para o mar e o sol já aparece em vários pontos do Estado hoje, mas ainda haverá instabilidade no território gaúcho com pancadas de chuva até localmente fortes no Sul e no Leste, além de intensificação do vento que pode soprar com rajadas. Amanhã, quarta-feira, tempo mais seco, sol e amanhecer mais frio. Por pouco tempo. Entre quinta e sexta frente fria traz chuva, que pode ser até forte do Centro para o Oeste e o Norte do Estado, antecedendo uma nova massa de ar polar que ingressa no território gaúcho entre sexta e sábado e que será tema de um próximo post que oferecerá mais detalhes.
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 04/05/2010 05:48
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Gre-Nal, um grande jogo merece um grande dia
É como se o mundo parasse. Durante duas horas milhões de gaúchos esquecem tudo mais que está ocorrendo para se concentrar em um centenário duelo entre azuis e vermelhos que move com as maiores paixões do Rio Grande do Sul. É o velho e bom Gre-Nal, a maior rivalidade do futebol brasileiro. E domingos de Gre-Nal, ainda mais decisivos, é impossível negar, são especiais e diferentes em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul. E, diferentemente do último domingo, desta vez o tempo resolveu ajudar para a festa maior do nosso futebol. Após um amanhecer com 8,2ºC na zona Sul da cidade, Porto Alegre terá uma agradável tarde com máxima entre 25ºC e 27ºC. Durante a partida são esperadas marcas na área do Olímpico de 25ºC às 16h e 22ºC às 18h, término da partida e hora da volta olímpica azul ou vermelha. O sol predomina hoje na cidade , mas nuvens altas, isto é Cirrus, vão aparecer no céu, principalmente da tarde para a noite. (Foto de Jackson Zanini / Correio do Povo)
Autor: Luiz Fernando Nachtigall Publicado em 02/05/2010 08:32