Porto Alegre chega até uma da tarde com alguns bairros da cidade ainda sob nevoeiro. A longa duração e a intensidade do fenômeno foram resultantes de acentuada inversão térmica. O nevoeiro começou a se formar no final da madrugada. Dados do Aeroporto Salgado Filho indicam que as restrições de visibilidade tiveram início ainda às quatro da manhã, quando ela caiu para 8 mil metros. Na hora seguinte, já era de 5 mil metros e às cinco e meia da manhã tinha caído para 2,5 mil metros. No boletim das seis da manhã, horário em que se inicia o tráfego aéreo maior, a visibilidade no Salgado Filho era tão-somente de 600 metros. Chegou a apenas 300 metros e voltou a superar mil metros só às onze da manhã. Resultado? Aeroporto fechado por cinco horas e muitos transtornos com muitos vôos cancelados (fotos de Mateus Bruxel e Carla Ruas/Correio do Povo).
A visibilidade esteve muito reduzida dentro da cidade de Porto Alegre e ainda na região metropolitana, exigindo muita atenção dos motoristas (fotos abaixo de . O nevoeiro era por demais denso em alguns pontos, tanto que na base aérea de Canoas a visibilidade chegou a zero, de acordo com o boletim das sete da manhã (fotos de Mateus Bruxel/Correio do Povo e Luis Felix/Jornal NH).
Se as imagens em quadro parado do nevoeiro impressionam, imaginem um vídeo em time-lapse com 3 horas em 1 minuto, mostrando a atuação e a dissipação da cerração em Campo Bom, trabalho primoroso de Camilo Saueressig de Andrade.
Como o nevoeiro seguia em grande parte da cidade e em alguns pontos da Capital já havia se dissipado, no final da manhã havia uma enorme e incomum diferença de temperatura para o horário entre as várias regiões da cidade, segundo as estações da MetSul em Porto Alegre. Às 11h30m, fazia 20ºC na Lomba do Pinheiro enquanto no Menino Deus os termômetros indicavam ainda 14,5ºC. Mesmo às duas da tarde alguns dos bairros que tradicionalmente registram as maiores marcas na cidade tinham sim as menores no horário.
Havia previsão de nevoeiro e que poderia ser denso, mas este tipo de fenômeno é sempre interessante por ser impossível dizer que áreas exatamente vão observá-lo. Note na imagem de satélite em alta resolução da metade da manhã que a Lagoa dos Patos estava com céu limpo, mas sua ponta Norte e Porto Alegre estavam encobertas por nevoeiro.
Um dos aspectos importantes do nevoeiro de hoje foi sua longa duração a ponto de só ter se dissipado em alguns bairros de Porto Alegre entre 13h e 14h. Veja na animação abaixo das fotos de satélite como tardou para se dissipar a neblina na região da capital gaúcha.
O vento Sudeste de ontem, que favorece nevoeiro, já sinalizava que a Capital deveria ter cerração hoje. A inversão térmica foi acentuada, o que determinou que o nevoeiro não apenas fosse denso, mas longo. Dados da sondagem por balão meteorológico lançado às nove da manhã no Aeroporto Salgado Filho indicou que a temperatura em superfície era de 12,4ºC, mas a 830 metros de altitude, onde teoricamente deveria estar mais frio, fazia 12,6ºC. A 360 metros a temperatura chegava a 13,4ºC graus, 1ºC a mais que na superfície.
Porto Alegre teve mínima hoje de 9,1ºC após os 7,4ºC de ontem e 7,9ºC de anteontem. No interior, pelo segundo dia seguido Quaraí teve 4,1ºC. As condições seguem favoráveis à formação de nevoeiro na região de Porto Alegre neste fim de semana e na segunda-feira.
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 30/04/2010 14:44
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Enchentes e frio costumam andar juntos
À passagem de sistemas frontais ou ciclones que trazem muita chuva costumam se seguir massas de ar frio no outono, inverno e primavera. Por isso, não raro o noticiário do tempo se divide entre enchentes e ondas de frio nestes períodos do ano. É o que ocorre nesta semana. O Rio Uruguai, mesmo com tempo bom, seguia subindo na região de São Borja na quarta-feira após atingir o seu pico de 13 metros e alagar parte da área ribeirinha em Porto Mauá (fotos abaixo da Prefeitura de Porto Mauá), devendo a cheia do Uruguai agora se deslocar para Itaqui e Uruguaiana.
Observe a diferença da área da Aduana de Porto Mauá entre os dias 27 e 28 de abril e atente para a forte subida do Rio Uruguai em apenas 24 horas no mesmo local.
Ao mesmo tempo, o Rio Grande do Sul passa pelo primeiro período de frio mais intenso e prolongado do outono. Sábado, os termômetros já tinham indicado 3,7ºC em Bagé, a menor marca do ano até agora, mas o Estado teve 4,7ºC na terça (Bagé) e a mesma marca nesta quarta (Ausentes). O mais marcante foi a queda da temperatura pela primeira vez em 2010 abaixo de 10ºC na Grande Porto Alegre com 7ºC na Base Aérea de Canoas; 7,9ºC em Belém Novo (Porto Alegre); 8,1ºC no Aeroporto Salgado Filho; e 8,9ºC no Parque Imperatriz em São Leopoldo. No Vale do Sinos, a região teve o seu primeiro amanhecer com cara de inverno (fotos de Carlos Felix/Jornal NH).
Cenas de pessoas encolhidas de frio ao amanhecer foram vistas pela primeira vez no ano em Porto Alegre (fotos abaixo de Mauteus Bruxel/Correio do Povo).
A expectativa que se tinha que poderia voltar a chover no Sul do Brasil a partir do fim da quarta-feira, com precipitações concentradas entre Santa Catarina e o Paraná, acabou por se confirmar. Veja a imagem do radar do instituto Simepar de Curitiba do começo da noite desta quarta.
É nítida nas imagens de satélite a atuação de uma corrente de jato no Sul do Brasil (vento forte em altitude) que determina a instabilização da atmosfera e a conseqüente ocorrência de chuva, apesar de não em grande volume.
As sondagens das 21h de quarta mostravam o vento a 106 nós a 12 mil metros de altitude em Foz do Iguaçu enquanto na mesma altitude em Porto Alegre era de 158 nós, sinalizando o jato sobre o Sul do Brasil, o que também se observa pela projeção do modelo para o nível de 300 hPa.
O tempo seco predomina na maioria das regiões gaúchas no restante da semana, a despeito de nevoeiro, até denso em alguns pontos, nas madrugadas. Um sistema de interesse nos próximos dias será um centro de baixa pressão em altura no Pacífico que deve ingressar na América do Sul, projetando o modelo GFS que ele chegaria ao Rio Grande do Sul na segunda-feira, instabilizando o tempo.
As madrugadas seguirão frias, com enormes diferenças nas mínimas entre os microclimas de uma mesma cidade ou região com forte componente de baixada nas mínimas, e as tardes vão continuar agradáveis no Rio Grande do Sul com gradual elevação da temperatura. Porto Alegre e região metropolitana terão mínimas ainda de um dígito hoje e possivelmente ainda na sexta-feira, quiçá até no sábado. As tardes deste fim de semana de final de Gauchão prometem ser excelentes.
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 29/04/2010 01:13
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Madrugadas geladas no Estado após maior chuva no planeta dos últimos sete dias
Foi água ontem. Foi muita água anteontem. Foi água demais nos últimos sete dias. Entre 9h de domingo e 9h de segunda-feira choveu 133 milímetros na estação da Epagri em Chapecó, o que segundo o observador Francisco Schervinski é recorde, superando a marca anterior de 112 milímetros do dia 7 de julho de 1983. Em José Boiteux, até a tarde de ontem, a precipitação acumulada em menos de uma semana chegava a 396,6 milímetros, virtualmente 400 milímetros. Uma significativa parte das estações em Santa Catarina tinha acumulados entre 200 e 400 milímetros. No Paraná, no mesmo período, Pato Branco acumulou 360 milímetros e Palmas 321, de acordo com o Simepar. Aqui no Rio Grande do Sul, o acumulado de uma semana até 9h de segunda-feira chegava a 363,5 milímetros em Iraí, número que deve superar 400 milímetros com a divulgação do dado nesta terça-feira da precipitação em 24 horas. São números que ajudam a explicar porque o Sul do Brasil, de acordo com o satélite da NASA que monitora a precipitação em todo o planeta com radares a bordo, foi a região do mundo com mais chuva nos últimos sete dias (mapas abaixo).
Vê-se que não apenas a precipitação agora de abril é expressiva na comparação com o resto do planeta pelos acumulados de sete dias, mas também pelo volume em um mês. Observe no mapa da Nasa abaixo com os acumulados dos últimos 30 dias que o Sul do Brasil é uma das áreas com mais chuva fora da região de influência da Zona de Convergência Intertropical.
O que ocorre no Sul do Brasil nos últimos dias é extraordinário em termos de volumes, mas as causas não podem ser descritas como uma anormalidade. Muito pelo contrário. Quem conhece a história climática regional é sabedor que entre abril e maio há uma tendência para eventos extremos de chuva associados a bloqueios atmosféricos e sistemas frontais quase estacionários, sobretudo em anos de El Niño. Foi nesta época que em 1941, sob intenso El Niño e recorde de PDO (Oscilação Decadal do Pacífíco) que se produziu a grande enchente. Tanto que na edição de 18 de abril do jornal Correio do Povo (abaixo), portanto 10 dias atrás, já alertávamos para esta característica histórica em advertência que fazíamos sobre o risco de chuva excessiva no Sul do Brasil nos dias vindouros, o que veio a se concretizar em demonstração que enchentes sim podem ser previstas com antecedência no Brasil, ao contrário de matéria veiculada pela Rede Globo no Jornal Nacional no começo deste mês.
Os maiores volumes, tal como alertado e sugerido pelos modelos, concentrou-se entre o Norte do Rio Grande do Sul e o Sul do Paraná. Primeiro, houve a chegada de uma frente que tornou-se semi-estacionária para depois recuar para o Sul, formando-se ainda um sistema de baixa pressão com frente fria associada, determinando os excessos de precipitação.
O volume de água nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, Paraná, aumentou dez vezes comparado com a vazão normal, que é de 1,2 mil a 1,3 mil metros cúbicos por segundo, proporcionando um grande espetáculo para os turistas. Com a intensidade da água, o acesso à passarela das Cataratas foi interditado pela administração do Parque Nacional do Iguaçu, por questão de segurança (foto abaixo divulgada pelo parque).
Na hidrelétrica da Itaipu Binacional, o vertedouro segue aberto, o que acontece de forma ininterrupta desde outubro do ano passado. De acordo com a Itaipu, estão passando 4,1 mil metros cúbicos de água por segundo pelo vertedouro aberto, volume que corresponde à água que não é aproveitada para a geração de energia. De toda a história de Itaipu, este é o terceiro maior período com o vertedouro aberto, 167 dias. Historicamente, é um período inferior apenas aos 222 dias entre 25 de outubro de 1997 a 4 de junho de 1998 e aos 243 dias entre 3 de setembro de 1992 a 5 de maio de 1993. O que há de coincidência entre 1992/1993, 1997 e 2010 ? Os três períodos de El Niño mais intenso dos últimos 20 anos !!!
Relatório da Defesa Civil aponta que 47 municípios de Santa Catarina apresentaram problemas até agora por causa chuva. Pelo menos 14 cidades estão em situação de emergência. A chuva levou pontes, inundou cidades e provocou cheia de rios. O Itajaí-Açu começou a baixar em Blumenau, mas segue monitorado atentamente após barragem ter transbordado em Taió devido ao excesso de água (fotos da prefeitura e governo catarinense).
No Rio Grande do Sul, a preocupação é com o Rio Uruguai. Nesta segunda-feira, ele estava com quase 10 metros em São Borja. Deve subir mais hoje em Porto Mauá, Porto Lucena e São Borja, podendo afetar o transporte de balsas na região. Isso porque estará alcançando a região a grande vazão determinada pelo excesso de chuva ocorrido no Norte do Estado durante o domingo e ontem. A cheia vai atingir Uruguaiana e Itaqui com mais força no final da semana e talvez até Entre Rios na Argentina na próxima semana. Moradores já foram orientados a deixar áreas ribeirinhas em São Borja (foto abaixo do jornal NH)
As duas maiores barragens do Norte do Estado estão recebendo enorme quantidade de água, o que obriga a administração a liberar também volumes consideráveis. Às 15h de ontem, a barragem de Itá recebia 11.633 metros cúbicos de água por segundo e liberava 12.813 metros cúbicos por segundo. Na barragem de Machadinho, o ingresso de água era de 8.747 metros cúbicos de água por segundo e a liberação pelas comportas chegava a 6.371 metros cúbicos por segundo. A barragem de Itá fica entre Aratiba (RS) e Itá (SC), enquanto a de Machadinho fica entre os municípios de Maximiliano de Almeida (RS) e Piratuba (SC). A água liberada com a abertura das comportas (foto abaixo de Mauro Gallina/Correio do Povo) segue pelo Rio Uruguai para o Noroeste e depois o Oeste do Estado. Nos últimos seis dias, a região teve precipitação superior a 300 milímetros em vários municípios. De acordo com dados fornecidos pelo Departamento Técnico da Cotrel, Severiano de Almeida teve mais de 330 milímetros.
A excelente notícia é que o tempo seco predomina nos próximos dias, apesar do risco de voltar a chover no final da quarta-feira no Noroeste e Norte do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e Paraná, concentrando-se a instabilidade na quinta nos territórios catarinense e paranaense. Não são esperados, porém, grandes volumes. Mantém-se a previsão de frio, em alguns locais intenso e comparável ao que se observa em julho, nas próximas madrugadas. No final desta terça-feira já faz muito frio com marcas projetadas para antes da meia-noite hoje de 6ºC a 8ºC na Campanha e nos Aparados. No amanhecer desta quarta-feira serão observadas mínimas muito baixas em grande parte do Estado, notadamente na Campanha e no Sul/Sudoeste gaúcho, onde não descartamos marcas de 3ºC a 5ºC na região de Bagé e Jaguarão. Novamente esperamos mínimas menores no Sul gaúcho do que na Serra e segue a possibilidade das primeiras mínimas de um dígito do ano na Grande Porto Alegre nesta quarta e ainda na quinta (produção de Alexandre Aguiar).
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 27/04/2010 05:30
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Depois de tanta água....enchente !!
Um temor que alimentávamos e divulgamos desde o ano passado se materializa. Muito dificilmente um ano que começa com El Niño, ainda mais de moderada a forte intensidade, como visto entre dezembro e janeiro, acaba não registrando enchente no outono. Após os volumes extremos de chuva da semana que passou, com acumulados de 200 a 400 milímetros em algumas localidades, somou-se a chuva deste domingo que foi intensa em algumas das áreas já castigadas. Novamente, entre o Norte do Rio Grande do Sul e o Sul do Paraná, registrou-se precipitação em volume enorme com marcas superiores a 100 milímetros em alguns pontos. Caso da região de Iraí aqui no Estado. Diversas localidades do Noroeste, Missões, Planalto Médio, Alto Uruguai e Serra acumularam entre 50 e 100 milímetros apenas neste domingo. A instabilidade, como a MetSul Meteorologia alertava, iria voltar a explodir sobre o Sul do Brasil e ainda rumaria de Norte para Sul em direção ao Rio Grande do Sul.
Nos últimos dias advertimos sistematicamente de que o Rio Uruguai deveria enfrentar cheia no Oeste. Hoje, diante da forte subida já observada no Noroeste e ainda com o que caiu e ainda cairá de chuva nas nascentes, particularmente nas localidades da divisa gaúcha e catarinense, estamos declarando um alerta de iminente enchente afetando a Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. O Rio Uruguai em São Borja voltou a subir neste domingo após a abertura das comportas das barragens de Itá e Machadinho. A medição, realizada às 13h, apontava 8 metros e um aumento de 16 centímetros por hora, o que já alagava áreas ribeirinhas (foto abaixo de Juliano Jacques/Correio do Povo).
Como advertimos ontem, no final do sábado, Santa Catarina voltaria a ter chuva intensa neste domingo. As fortes áreas de instabilidade (ver imagem de radar abaixo) provocaram precipitações em grande volume durante a tarde e o começo da noite, em especial na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina.
A Prefeitura de Concórdia irá decretar situação de emergência nesta segunda-feira devido à forte chuva deste fim de semana. Parte da cidade foi tomada pelas águas, com prejuízos para as pessoas, após o transbordamento do rio dos Queimados que já voltou ao seu leito (fotos abaixo da Rádio Concórdia).
No Paraná, temporais voltaram a atingir o Oeste do Estado. Estações meteorológicas chegaram a acusar vento de 135 km/h, caso de Marechal Cândido Rondon. Em Cianorte, o colaborador da MetSul Igor Camacho capurou imagens belísismas de raios de uma forte tempestade elétrica na região.
Agora à noite, assim como se esperava, rios começaram a subir rapidamente em Santa Catarina. Um é o Itajaí-Açu em Blumenau. O nível do rio que era de 5,22 metros no início da tarde domingo já atingia 6,78 metros às 22 horas. O radar do Simepar (imagem abaixo) mostrava há pouco mais chuva, inclusive forte, avançando para a região, o que nos traz grande preocupação quanto ao risco de enchente e deslizamentos de terra.
Centro de baixa pressão atua nesta segunda-feira no Rio Grande do Sul e a frente fria associada traz chuva forte para o Sul do Brasil com novos temporais que podem alcançar São Paulo. A instabilidade, porém, não será o retrato dos próximos dias. A baixa pressão ao avançar pelo Atlântico se converte em ciclone a Sudeste do Chuí em mar aberto e que se tornará intenso a maior distância do continente. Assim, seus reflexos mais importantes devem se dar no oceano. Já nesta segunda o tempo começa a abrir pelo Sul e o Oeste do território gaúcho. O ciclone impulsionará ar seco e frio para o Estado. A partir de terça e até o final da semana o sol predomina A estabilidade atmosférica favorecerá neblina nas madrugadas e trará forte resfriamento noturno. As madrugadas serão frias nos próximos dias com mínimas de até 4º C a 6ºC na Campanha. Na Serra, o frio será mais intenso nas baixadas.
Fica a expectativa pela primeira mínima de um dígito (abaixo de 10ºC) do ano na Grande Porto Alegre, o que, tradicionalmente, ocorre em abril, mas ainda não se deu em 2010, mas que pode acontecer na região entre a quarta e o sábado. O modelo americano (acima) projeta marcas abaixo de 10ºC para Porto Alegre nesta semana. (Produção de Alexandre Aguiar com agradecimento para meteorologista Sheila Paz do Simepar)
Autor: Luiz Fernando Nachtigall Publicado em 26/04/2010 00:13
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Semana começa com ameaça de mais chuva e transtornos
A chuva se transformou em calamidade no Paraná. As intensas precipitações desde a metade da semana que passou já afetaram 225 mil pessoas em 27 cidades do estado. De acordo com o balanço da Defesa Civil, divulgado no sábado, mais de 9 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, 1.325 permaneciam em abrigos e o restante foi para casa de parentes e amigos. Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (RMC), e Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, decretaram emergência. Em todo o Paraná, quase 3 mil residências foram total ou parcialmente destruídas.
Neste sábado, apenas em 24 horas, a precipitação beirou 130 milímetros em Guaratuba, litoral paranaense. Desde o dia 21, algumas localidades paranaenses registraram mais de 300 milímetros, sobretudo na região de Palmas. Veja no mapa como algumas localidades atingiram marcas equivalentes a de dois meses em menos de cem horas.
Não é possível dizer sem análise de campo se houve tornado, downburst (microexplosão) ou uma violenta frente de rajada, mas, sem dúvida, o que afetou o aeroporto de Cascavel, no Oeste do Paraná, na sexta-feira foi um evento muito extremo de vento. Como já relatado ontem aqui no Blog Direto da MetSul, o vento destelhou o aeródromo e ainda arrastou um avião que estava parado na pista e que acabou por sofrer danos em sua fuselagem. As telhas foram arremessadas a até 100 metros de distância. De acordo com o administrador do aeroporto, o anemômetro registrava até 160 km/h antes de deixar de funcionar.
Agora à noite, chovia forte no Leste de Santa Catarina com acumulados de até 50 milímetros em alguns pontos. As imagens de radar do Instituto Simepar do Paraná e de satélite mostravam áreas de chuva mais intensa especialmente concentradas no Litoral Norte de Santa Catarina.
A MetSul Meteorologia alerta que ao longo desta domingo e em parte desta segunda-feira há um alto risco de chuva localmente intensa em alguns momentos até com transbordamento de córregos e elevação de níveis de rios no Leste catarinense. As áreas que mais podem ser afetadas são a região de Florianópolis, o Vale do Itajái, o Litoral Norte e o Sul de Santa Catarina. A instabilidade que afeta o estado vizinho está avançando para o Sul e a chuva atinge a maioria das regiões gaúchas neste domingo. A MetSul mantém o alerta de chuva forte a intensa para o Rio Grande do Sul, principalmente para as Metades Norte e Leste no domingo e na segunda-feira. Em alguns municípios, deve chover o equivalente à média de todo mês em 24 horas. O novo episódio de precipitação intensa no Norte gaúcho deve elevar ainda mais o Rio Uruguai que deve passar por cheia na próxima semana na Fronteira Oeste. Na segunda-feira, a formação de um ciclone extratropical na costa gaúcha manterá a instabilidade e ainda trará vento forte para o Leste do Estado. O sistema frontal associado pode levar chuva forte a intensa e temporais novamente às áreas castigadas do Oeste catarinense e do Sudeste do Paraná assim como à província argentina de Missiones e ao Sul do Paraguai. (Com reproduções da Rede Globo e capas dos jornais Gazeta do Povo e O Estado do Paraná, além de imagens gentilmente cedidas pela meteorologista Sheila Paz do Instituto Simepar)
Autor: Luiz Fernando Nachtigall Publicado em 25/04/2010 01:15
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Tornado in the ground - Arrasadora onda de tornados em andamento nos Estados Unidos
Uma grande onda de tornados atingirá os Estados Unidos da tarde para a noite deste sábado e durante a madrugada de domingo. Pela primeira vez em 2010 o Centro Nacional de Previsão de Tempestades (SPC) norte-americano elevou o nível de alerta ao máximo. A advertência abrange vários estados do país, mas, principalmente, Alabama, Arkansas, Louisiana e o Mississippi.
Tornados já começaram a tocar o solo no Mississippi e na Louisiana neste sábado, provocando muitos estragos. As primeiras informações dão conta de feridos. Nas proximidades da localidade de Tallulah, Louisiana, uma planta química foi atingida com feridos e pessoas soterradas, informa a rede NBC. Diversas casas teriam sido completamente destruídas em Yazoo City por um tornado com mais de um quilômetro de diâmetro que teria ainda feito um shopping center sofrer pesados danos (imagem abaixo de webcam da cidade e do radar - clique para ampliar) mostrando um bow echo sobre Yazoo). A Nascar cancelou todas as atividades no autódromo Talladega Superspeedway, no Alabana, devido ao risco de tornados. O treino de classificação para a Aaron’s 499 foi cancelado e o grid de largada para a corrida de domingo será definido pela pontuação dos pilotos.
É importante recordar que os meses de abril e maio são os de maior risco para tempestades severas e tornados nos Estados Unidos. Até o momento os tornados estavam escassos nos Estados Unidos, após o ano de 2009 ter registrado ocorrências do fenômeno abaixo da média histórica, mas as condições atmosféricas mudaram nesta semana na América do Norte e passaram a ser favoráveis a tempo muito severo. Para a MetSul, não é possível descartar que apenas entre hoje e amanhã sejam relatados mais de 50 tornados em poucas horas nos Estados Unidos.
Autor: Luiz Fernando Nachtigall Publicado em 24/04/2010 15:31
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A fronteira encarangou
Estavam com saudades destas notícias ? Pois elas voltaram. O amanhecer do sábado em algumas cidades do Estado teve frio tão intenso quanto no auge do inverno. Assim como a MetSul Meteorologia previa, Bagé poderia amanhecer no sábado com 4ºC. Fez 3,7ºC. É a menor temperatura até agora em 2010 no Rio Grande do Sul. A mínima média de julho em Bagé é de 8,7ºC, ou seja, estivéssemos em julho e ainda assim teríamos tido marca muito abaixo da média no município. Os termômetros indicaram ainda 5,1ºC em Santana do Livramento (foto abaixo de Daniel Brada/Correio do Povo de Livramento nesta manhã); 5,3ºC em Jaguarão; 5,8ºC em Quaraí; 6,9ºC em Dom Pedrito; 7,3ºC em Santa Vitória do Palmar; 7,6ºC em Santiago; 7,9ºC em Canguçu; 8,1ºC no Chuí, 8,6ºC em Uruguaiana; 8,7ºC em Encruzilhada do Sul; 8,8ºC em Caçapava do Sul; 9,0ºC em Alegrete; 9,2ºC em Rio Grande; e 9,4ºC em Santa Maria.
Os observadores do Instituto Nacional de Meteorologia no interior não informaram sobre geada, mas consideramos quase certo que tenha ocorrido o fenômeno em pontos localizados da fronteira com o Uruguai e da Campanha, considerando as mínimas na região. Em Melo, capital do departamento uruguaio de Cerro Largo, bem perto da fronteira brasileira, a mínima na madrugada deste sábado chegou a 2,6ºC. Mais ao Sul, no interior uruguaio, que é um país sem maiores altitudes, chegou a fazer 0ºC. No território uruguaio, os termômetros acusaram 0,2ºC em Florida; 1,4ºC em Durazno; 2,2ºC em Rocha e Tacuarembó; 2,6ºC em Melo; 3,0ºC em Salto; 3,5ºC no Aeroporto Internacional de Montevidéu (Carrasco) que não fica no departamento da capital uruguaia e sim em Canelones; 4,5ºC em Montevidéu; 4,6ºC em Rivera; e 5,0ºC em Laguna del Sauce (Maldonado).
Nas nossas áreas elevadas aqui do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, as mínimas não tiveram nada de excepcional, como se imaginava, pela umidade alta e as nuvens, mas o vento trazia sensação térmica negativa. As mínimas deste domingo não devem ser tão baixas quanto as da última madrugada pela maior umidade, mas volta a fazer mais frio no decorrer da semana. Reiteramos o alerta sobre risco de chuva forte devido a um sistema de baixa pressão que passa a atuar no Estado neste domingo e trará instabilidade para a maioria das regiões. Pode chover forte em vários pontos do Estado entre amanhã e segunda, podendo cair até 100 milímetros em 24 horas em algumas localidades, o equivalente a média mensal, sobretudo na Metade Norte, mas alguns modelos projetam chuva em maior volume também para o Leste gaúcho.
Autor: Luiz Fernando Nachtigall Publicado em 24/04/2010 10:58
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Chuva atinge marcas históricas e o pior é que vem mais água para o Sul do Brasil
Quando no começo da semana começamos a lançar alertas de chuva em volumes extremos, com acumulados que poderiam chegar a 200 a 400 milímetros, confesso que pensei mil vezes antes de sugerir acumulados tão altos. Quanto mais extrema a previsão, maior o risco nela embutida do erro. Contudo, se a previsão não for extrema na situação extrema, maior é o risco de ela se distanciar do acerto. Muitas vezes, portanto, é preciso ousar, relegar o temor do erro e expor a realidade nua e crua daquilo que tu enxergas e pensa para o público. Os norte-americanos têm expressão denominada sanitization que, na prática, constitui-se em remover a informação ou dado sensível ou crítico. Seria algo como "aliviar" ou ‘limpar" a informação. Quando se está jogando com informação que pode salvar vidas e preservar patrimônio, não existe espaço para alerta genérico, descontextualizado ou "amainado".
A semana termina com volumes extremos e marcas históricas de chuva no Sul do país. O Paraná é um dos estados mais afetados. As intensas precipitações das últimas 72 horas no estado afetaram diretamente 70 mil pessoas em 22 cidades, segundo relatório da Defesa Civildivulgado na tarde desta sexta-feira (reprodução acima do jornal Gazeta do Povo). Cidaders da Região Metropolitana de Curitiba tiveram até 140 milímetros nas últimas 24 horas. O vento forte derrubou árvores e destelhou casas. Em, Cascavel, pelo menos 80 casas e prédios tiveram destelhamentos. Choveu mais de 100 milímetros na cidade só entre ontem e hoje. A cobertura do aeroporto de Cascavel foi danificada e destroços foram lançados na pista do terminal (reprodução abaixo da CGN Notícias). A força do vento chegou a movimentar uma aeronave de 50 toneladas que estava na pista. O avião girou cerca de 90 graus. A cauda da aeronave ficou danificada.
O pior foi reservado para o Sudoeste e o Centro-Sul do Paraná. Em Palmas, 100 pessoas estão desalojadas e 40 ficaram desabrigadas. No município, a chuva afetou 150 residências. Em General Carneiro, o balanço da Defesa Civil aponta 80 desalojados e 50 desabrigados. A água e o vento danificaram 74 casas. Em Pato Branco, o grande volume de chuva que caiu nesta quinta-feira fez novamente o Rio Ligeiro, que corta a cidade, transbordar. Residências foram atingidas. Nada comparado a Francisco Beltrão que ficou parcialmente submersa em inundação histórica na cidade (imagens cortesia do Jornal de Beltrão).
A que caiu entre ontem e hoje em Francisco Beltrão é a segunda maior em 30 anos: 178 milímetros foram registrados pelo pluviômetro do Iapar. Nos dois dias foram 274,6, enquanto que a média do mês de abril é de 150 milímetros. O dia mais chuvoso da série histórica é 1º de julho de 1991, quando choveu 183,6 milímetros. Em 1983, quando ocorreu a maior enchente da cidade (fotos abaixo), também foram registrados dias bem chuvosos, entretanto sem os volumes das últimas horas. Naquele ano, de Super El Niño, o Iapar anotou 156,2 mm em 19 de maio, 137,8 em 7 de julho e 140,2 mm em 31 de maio. Outra grande enchente, em maio de 1990, registrou 140,2 milímetros somente no último dia do mês.
Em Santa Catarina, são 13 os municípios que tiveram estragos por conta da chuva. De acordo com a Defesa Civil Estadual, 15 mil pessoas foram de alguma forma afetadas. Quase duas mil estão desalojadas (foram encaminhadas para a casa de parentes) e outras 203 estão desabrigadas (em abrigos temporários). Apenas entre 8h de terça-feira e 8h de hoje a chuva somou 208,1 milímetros em Ouro, 211,4 em Dionísio Cerqueira e 176,8 em Lages, segundo dados do Ciram. Aqui no Rio Grande do Sul, entre 9h de terça e 9h de hoje choveu 245,2 milímetros em Iraí, sendo 33,3 de terça para quarta, 141,4 de quarta para ontem e mais 70,5 entre ontem e hoje. Veja no mapa de chuva estimada por satélite desta semana como se produziram acumulados de 200 a 400 milímetros, em especial entre o Norte gaúcho e o Paraná.
Uma massa de ar frio chegou ao Estado e em Bagé a estação automática do Instituto Nacional de Meteorologia registrou 8,3ºC na manhã de hoje, enquanto a média histórica das mínimas para o mês de abril é de 13,5ºC no município. Em Livramento, os termômetros marcaram a mínima de 8,6°C; em Canguçu, 8,8ºC; em Quaraí, 10,3ºC; em Jaguarão,10,2ºC; e em São Gabriel, 11,7ºC. No Uruguai, fez 4ºC em Florida e Paso de Los Toros. Na Argentina, cidades do interior da província de Buenos Aires amanheceram com marcas negativas. Bahia Blanca teve 2,6ºC abaixo de zero. Em Ezeiza, aeroporto internacional da capital argentina, 2,6ºC positivos. Ocorre que este ar frio não nos livrará de mais chuva, uma vez que o ar quente avançará de novo do Norte para o Sul, gerando instabilidade. Veja a animação comparando a projeção de temperatura em 850 hPa entre a noite de hoje e a noite de domingo.
Com isso, se já não bastassem os 200 a 400 milímetros que já caíram, existe o potencial para mais 100 a 200 em algumas das localidades mais afetadas com o novo pico de instabilidade esperado para este fim de semana e o começo da semana. A chuva mais intensa seguirá nas próximas horas no Paraná e São Paulo, mas retornará para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, afetando ainda o Uruguai. Observe na animação das imagens de satélite de hoje que o sistema frontal pouco evoluiu, o que fez com que a área de tempo aberto e ensolarado chegasse imediatamente ao Sul de Porto Alegre, mas sem garantir a melhora do tempo na capital gaúcha e região que tiveram uma sexta-feira com cara de inverno.
A animação abaixo com a projeção de chuva do modelo americano até a metade da próxima semana mostra que neste fim de semana as áreas de chuva forte recuam para o Sul com o estabelecimento de um sistema de baixa pressão. Pode chover forte no Leste de Santa Catarina, por exemplo, mas é entre domingo e segunda-feira que o quadro vai se deteriorar de vez com chuva forte a intensa aqui no Estado, não se descartando mesmo temporais isolados.
Algumas localidades podem registrar acumulados perto de 100 milímetros em apenas 24 horas. Este sistema de baixa pressão deve dar origem a um ciclone extratropical na costa gaúcha ou a Sudeste do Chuí na segunda-feira, com rajadas de vento no Sul e no Leste do Estado, mantendo a instabilidade de circulação até terça.
Atualização - 23/04 - 21:30: O quadro é de alerta para a cidade do Rio de Janeiro e áreas vizinhas nas próximas horas. Forte instabilidade se aproxima vinda de São Paulo associada ao deslocamento da frente fria e há risco de temporal com chuva localmente forte a intensa assim como rajadas de vento. Aqui no Rio Grande do Sul, a temperatura entre 7ºC e 10ºC agora na Metade Sul e no Sudoeste indica que a madrugada deste sábado será gelada nestas regiões com as menores mínimas até agora do ano no Estado e com valores mais típicos de julho. Não se descarta até a primeira geada do ano na Campanha. O amanhecer terá ainda neblina localizada. No Norte e no Nordeste do Estado, as nuvens e a maior umidade impedem resfriamento mais intenso.
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 23/04/2010 19:47
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Chuva "de balde" no Sul do Brasil
A chuva acumulada em 24 horas na estação do Instituto Nacional de Meteorologia em Iraí, Noroeste do Estado, até nove da manhã de hoje chegou a 141 milímetros. Nas 24 horas anterior já tinham caído 33,3 milímetros. Como seguia chovendo forte no município do Noroeste gaúcho após a leitura da metade da manhã de hoje, o provável é que o acumulado nas últimas 72 horas já atinja os 200 milímetros, marca já anotada em Nonoai, também no Norte gaúcho. Interessante é que nos primeiros 20 dias de abril praticamente não havia chovido na região.
Já em Santa Catarina, apenas em 24 horas no acumulado até três da tarde de hoje, havia chovido 178 milímetros em Dionísio Cerqueira e 149,6 em Novo Horizonte. Inúmeras cidades do Norte do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina têm registros de 100 a 150 milímetros desde o começo da semana. Já no Paraná, onde a chuva mais intensa chegou mais tarde, somente entre meia-noite e quatro da tarde de hoje, ou seja, em tão-somente dezesseis horas, as estações do Instituto Simepar tinham acusado impressionantes 151,4 milímetros no município de Pato Branco e ainda 154 em Palmas. A ondulação da corrente de jato para Norte, com o deslocamento da massa de ar frio em direção ao Rio Grande do Sul, contribui para levar a forte instabilidade mais ao Norte da Região Sul e ao Sudeste do Brasil nas próximas 24 a 48 horas.
As condições seguem favoráveis a chuva forte no restante desta quinta e ainda no começo da sexta-feira na Metade Norte gaúcha enquanto em Santa Catarina e o Paraná podem ter chuva em grande volume por ainda 24 horas. Não bastasse, o Centro e o Norte do Paraná, onde segue quente, podem ter temporais nas próximas horas. São Paulo e Mato Grosso do Sul da mesma forma estão sob risco de temporais nesta reta final da semana por conta do avanço desta frente fria.
Autor: Eugenio Hackbart Publicado em 22/04/2010 16:04
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Tormentas Made in Argentina
Impressionante como a instabilidaded explodiu no Norte da Argentina a partir das dez da noite de quarta, mantendo sua intensificação nesta madrugada de quinta-feira. O que está ocorrendo corrobora a solução do modelo americano que vinha projetando durante o dia de ontem tanto a intensificação como o deslocamento de uma baixa pressão que resultaria no avanço de fortes áreas de instabilidade das províncias de Corrientes e Misiones, Norte da Argentina, para o Sul do Brasil, o que nos leva a manter o pesado alerta lançado na tarde de ontem (ver post abaixo). Duas animações que preparamos na MetSul Meteorologia nesta madrugada, uma com a sequência de fotos de satélite do Cptec/Inpe e outras com as imagens compostas dos radares do SMN da Argentina, ilustram como a instabilidade explodiu nas últimas cinco horas no Norte da Argentina e como ela se desloca para o Sul do Brasil.
A saída do modelo americano da madrugada desta quinta-feira insiste em chuva forte a intensa na Metade Norte gaúcha e em Santa Catarina. A animação a seguir é do campo de pressão atmosférica e precipitação para 3 da manhã de hoje, 9 da manhã, 3 da tarde e 9 da noite desta quinta-feira. Entre a madrugada e amanhã de hoje, a instabilidade associada ao centro de baixa invade o Rio Grande do Sul e ainda por cima ganha força. À tarde, as nuvens pesadas já estariam sobre grande parte do território gaúcho com chuva forte. Na noite de hoje, segundo a projeção abaixo do modelo americano, a chuva seria torrencial em um maior número de pontos da Metade Norte.
Sob uma atmosfera muito instável como a que se apresenta não é possível descartar novos temporais , sobretudo no Oeste, Centro e Norte do Estado com chuva intensa, granizo e vendavais ocasionalmente fortes. Mantém-se o risco de tempestades severas também no Paraguai e na provincia argentina de Missiones. Para a tarde de hoje, o modelo norte-americano indica valores de CAPE de até 4.000 J/kg, o que é altíssimo, para Misiones e a área a Sudoeste de Foz do Iguaçu.
O quadro, assim, segue sendo de alerta e de elevado risco. As condições atmosféricas regionais continuarão sendo monitoradas atentamente 24 horas por dia pela MetSul Meteorologia com alertas na mídia, aqui no Blog da MetSul e no nosso Twitter @metsul. Siga-nos e fique bem informado !
Autor: Luiz Fernando Nachtigall Publicado em 22/04/2010 02:11