Sudestada, ciclone, chuvarada e frio no começo de setembro
No começo da semana se alertava que a semana seria problemática em termos de excesso de chuva, inclusive com risco de inundações, no Centro e Norte da Argentina, Uruguai e no Rio Grande do Sul. Na Argentina, a região de Buenos Aires enfrentou a maior Sudestada dos últimos 21 anos. Trata-se do fenômeno provocado por forte vento de Sudeste que eleva o nível do Rio da Prata, o que resulta em inundações em áreas costeiras.
As águas do Rio da Prata chegaram a alagar algumas ruas da capital argentina. A região do Hipódromo de Palermo foi tomadas pelas águas no auge da Sudestada que ocorreu na noite de quarta-feira.


No pico da Sudestada, cerca de 1600 pessoas foram desalojadas pelo avanço das águas com a rápida subida do Rio da Prata. Algumas tiveram que ser resgatadas de suas casas pelas autoridades.

A maioria das evacuações ocorreu em Quilmes e Tigre, na Grande Buenos Aires. Ruas das duas localidades foram tomadas pelas águas e em muitos locais somente se transitava de botes.

No pico da Sudestada, na noite de quarta para quinta, o nível do Rio da Prata atingiu 3,58 metros, quando o normal é entre 0,30 e 1,29. A maior altura já registrada foi de 4,44 metros em 15 de abril de 1940. Em 12 de novembro de 1989, o nível atingiu 4,06 metros.
A Sudestada tem forte relação com sistemas de alta pressão. No caso desta semana, como é tradicional neste tipo de fenômeno na região da capital argentina, o centro de alta encontrava-se a Sudeste da província de Buenos Aires sobre o Atlântico enquanto sobre o continente atuavam áreas de baixa pressão que favoreciam o gradiente de pressão e o vento forte que represava as águas do Rio da Prata.
No outro lado do rio, no Uruguai, pelo menos duas pessoas morreram afogadas devido a inundações provocadas por chuva intensa. Em Florida, a precipitação chegou a 170 milímetros em apenas 3 dias.
Um homem de 62 anos morreu na quinta-feira em Minas (Lavalleja) ao tentar cruzar de bicicleta um arroio que estava com forte correnteza em conseqüência da chuva torrencial que caía.
Foi a segunda vítima do mau tempo esta semana no Uruguai. Na quarta-feira, um jovem de 20 anos morreu na localidade de Casupá, em Florida, arrastado pelas águas. Em San Jose, sete pessoas ficaram desabrigadas. Havia chovido na localidade 140 milímetros em apenas 48 horas. Em Colonia, às margens do Rio da Prata, o mau tempo também fez estragos. Ali, na margem uruguaia, o nível do rio alcançou 3,10 metros. A intensa agitação das águas gerou impressionantes imagens junto à conhecida Rambla de Montevidéu com ondas enormes estourando a todo momento junto ao muro da praia na enseada entre o Centro e o Parque Rodo.

Em Montevidéu, o vento forte provocou ainda queda de árvores e muitos transtornos devido ao colapso do serviço de semáforos em vários pontos da capital uruguaia.
A região de Montevidéu e de Buenos Aires vai seguir com chuva forte e fortes a intensas rajadas de vento, que devem superar 100 km/h em mar aberto, nas próximas horas. Conseqüência da intensificação de um sistema de baixa pressão que deve dar origem brevemente a um ciclone extratropical. A frente fria associada ao ciclone vai cruzar pelo Rio Grande do Sul entre hoje (sexta) e este sábado com chuva que pode ser forte a localmente intensa no Estado, especialmente nas Metades Norte e Leste do Rio Grande do Sul. No Oeste gaúcho, especialmente na região entre Uruguaiana, Livramento e Santiago, a precipitação só do começo deste mês já supera os 100 milímetros. Em Porto Alegre, apenas na madrugada desta sexta-feira, vários bairros registraram entre 40 e 50 milímetros. A chuva intensa provocou um pequeno deslizamento de terra na Avenida Bento Gonçalves, no bairro Agronomia, zona Leste da cidade. Em Esteio, estrutura que era montada na Expointer cedeu com o solo úmido (fotos de Mateus Bruxel e Paulo Nunes/Correio do Povo).


O ciclone no mar vai impulsionar ar seco e frio para o Rio Grande do Sul, o que vai garantir a melhora do tempo neste fim de semana. Já esfriou em Uruguaiana e neste sábado a temperatura despenca em grande parte do Estado. Chuva e vento, que pode soprar com rajadas fortes no Sul e no Leste, vão aumentar a sensação de frio. O sol já aparece em parte do Estado neste sábado, mas predomina a partir do domingo e segue brilhando no começo da semana. Não será uma massa de ar frio de forte intensidade, mas as madrugadas devem ser de temperatura baixa no começo da semana, inclusive com chance de geada fraca na Serra e na Campanha. O avanço marítimo do ar frio deve permitir que volte a chover, finalmente, na capital paulista na próxima semana, contudo o tempo seco ainda deve predominar no Centro-Oeste. (com reproduções dos jornais La Nación, Clarin, El Pais, canais de televisão da Argentina e Uruguai, além de Met Uruguay).