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Quinta-feira 08/05/2008 12:16 Criado em: 01/05/2008 - 15:52

Uma enchente para a história

Os moradores mais antigos da região que se impressionaram com as dimensões desta enchente e relembraram grandes episódios de cheia do Rio dos Sinos no passado não estão equivocados. A enchente atual é, em todos os sentidos, de grandes proporções e histórica (veja os jornais de hoje do Vale dos Sinos). As extraordinárias imagens aéreas (abaixo) do repórter Fábio Winter do Grupo Editorial Sinos mostram a gravidade da enchente que aflige agora a região.

  

Muitos dos leitores deste blog sequer eram nascidos quando o Sinos esteve tão alto pela última vez. Fazia apenas seis anos que o homem tinha pisado na Lua, o mundo vivia a Guerra Fria, o Brasil estava sob uma ditadura militar, o presidente era Ernesto Geisel e nos Estados Unidos governava Gerald Ford.Registros antigos da régua mantida pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais em Campo Bom indicam que o nível máximo de 7 metros e 40 centímetros atingidos pelo Rio dos Sinos na cidade nesta quarta-feira seria o maior em mais de três décadas. Em dezembro de 1975, o rio teria alcançado 7,70 metros em Campo Bom, segundo as planilhas publicadas pela CPRM. O dado, entretanto, é objeto de controvérsia e pouco confiável com base em relatos de autoridades da época e historiadores que contestam a ocorrência de uma inundação em dezembro daquele ano, assim como os jornais antigos não trazem qualquer notícia de cheia, o que faz da cheia atual a mais grave desde a grande enchente de 1965 que mergulhou a região numa calamidade histórica (fotos abaixo) com dezenas de milhares de desabrigados e as águas tomando conta do centro de São Leopoldo. O quadro atual revela, assim, o quanto é recorrente o risco de enchente no Vale dos Sinos e o acerto de quem no passado decidiu investir em um sistema de proteção contra cheia como os diques.

  

Se hoje o Sinos inunda extensas áreas do Vale dos Sinos e proporciona cenas comoventes de pessoas que perdem todos os seus pertences em uma noite, há poucos meses era possível cruzar a pé o curso d’água, de uma margem a outra, em alguns pontos. Durante o verão as medições do Serviço Municipal de Águas e Esgotos de São Leopoldo (Semae) chegaram a indicar o Rio dos Sinos com menos de 50 centímetros. Este evento extremo de chuva do fim de semana, provocado por um ciclone extratropical e que desencadeou a enchente, confirma uma vez mais a idéia de que períodos de estiagem são seguidos por episódios de chuva muito intensa em curto período. Em março, quando analisava as condições para o outono, cheguei a comentar que a seca deste ano no Rio Grande do Sul se aproximavam muito da verificada em 2004 e decidi mencionar no prognóstico o risco de eventos pontuais de chuva intensa e o episódio da enchente ocorrida em Pelotas naquele ano. O interessante é que a inundação na cidade do sul gaúcho também se deu na primeira semana de maio e que, assim como agora, a chuva foi mais intensa no leste do Rio Grande do Sul. A história se repete, mas em locais diferentes.

A excelente notícia é que o tempo reserva. Hoje o sol aparece, mas haverá aumento de nuvens e uma pequena chance de chuva isolada e passageira no leste gaúcho, mas a tendência é de tempo muito seco no estado até a próxima semana. A enchente, contudo, prosseguirá. Gradualmente as águas já começam na região entre São Leopoldo e Campo Bom, mas o escoamento do grande volume de água do Rio dos Sinos mais para o sul da bacia agora deve afetar cidades como Sapucaia do Sul, Esteio e áreas ribeirinhas também de Canoas. Em Sapucaia do Sul, já há notícias de desabrigados na manhã desta quinta-feira.

Autor: Eugenio Hackbart
Publicado em 08/05/2008 12:16
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Situação crítica no Vale dos Sinos

A situação é dramática neste momento aqui no Vale dos Sinos e a enchente atinge proporções históricas (veja). O quadro se agravou tanto nas últimas horas que neste momento não existem mais medições do nível do Rio dos Sinos pela COMUSA em Novo Hamburgo e pelo SEMAE aqui em São Leopoldo. Isso porque as águas superaram as réguas de medição. Começa a surgir o temor sobre a integridade dos diques de contenção de enchente em Novo Hamburgo, o que poderia trazer consequências muito graves em caso de rompimento. Antes de ser encoberta pela água, a régua do SEMAE aqui em São Leopoldo indicava 6 metros no Rio dos Sinos, mas observações visuais indicavam que o rio seguia subindo durante toda a manhã. Conforme informações que apuramos junto à Defesa Civil Municipal, os diques construídos após a catastrófica enchente de 1965 estariam preparados para resistir a uma elevação de até oito metros no Rio dos Sinos em São Leopoldo, número que não acreditamos no momento será atingido.

O Sinos está perto de atingir o seu pico em São Leopoldo e já estabilizou em 7,40 metros em Campo Bom. Por toda a região aqui do Vale dos Sinos existem inundações. Bairros de São Leopoldo, Novo Hamburgo e Campo Bom estão debaixo d'água. Em São Leopoldo, onde se encontra a MetSul, o bairro São Geraldo foi tomado pela água e mais de 300 pessoas estão desabrigadas. Muitas foram levadas para o ginásio municipal e outras para casas de parentes. Em Novo Hamburgo, mais 300 pessoas tiveram que deixar as residências devido à enchente. A água atinge os bairros Canudos, Santo Afonso e a Vila Integração. Cerca de 50 pessoas estão alojadas em um ginásio. Grande parte de Novo Hamburgo está sem água. Por recomendação da AES Sul, a Companhia Municipal de Saneamento precisou desligar a energia no posto de captação junto ao rio dos Sinos, na Estrada da Integração, em Lomba Grande. A concessionária indicou a medida como forma de evitar danos aos equipamentos e ainda descargas elétricas devido a enchente, cujas águas invadiram o local.

O observador do INMET em Campo Bom e antigo colaborador da MetSul Nilson Wolff percorreu a região e fez fotos para nós da enchente ontem (veja) e agora de manhã em Campo Bom e aqui em São Leopoldo (veja). A cheia do Rio dos Sinos muda também de forma impressionante o mapa da região, como mostram imagens de satélite (veja). Repito que nas próximas horas a enchente atingirá o seu pico entre São Leopoldo e Novo Hamburgo para começar a ceder entre amanhã e sexta. A preocupação passa a ser agora com a descida desta enorme quantidade de água para o sul em direção aos municípios, pela ordem, de Sapucaia do Sul, Esteio e Canoas (Imagem do post de Fábio Winter do GES/Ziptop).

Autor: Eugenio Hackbart
Publicado em 07/05/2008 12:59
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Grande enchente no Vale dos Sinos

A MetSul ressalta que o quadro de enchente no Vale dos Sinos é muito preocupante e deve se agravar. Medição realizada à uma da tarde pela Prefeitura de Campo Bom indicou que o nível do Rio dos Sinos na cidade atingia 7 metros e 38 centímetros, superando os 7,25 metros registrados durante a grande enchente de setembro do ano passado. Em São Leopoldo, medição durante a manhã do SEMAE acusou 4 metros e 20 centímetros com tendência de elevação (foto abaixo do Rio dos Sinos em São Leopoldo de Ricardo Fuchs / Prefeitura Municipal).

  

Estamos considerando a possibilidade do Rio dos Sinos atingir 6 metros ou mais em São Leopoldo à medida que as água de Campo Bom e Novo Hamburgo alcancem a cidade. A MetSul Meteorologia vinha alertando que o nível do Rio dos Sinos deveria se elevar muito na região do vale devido à chegada do enorme volume de chuva precipitado na nascente durante o final de semana na região da Caará. À medida que as águas avançam pelo curso do rio a situação deve se agravar nesta quarta-feira no Vale dos Sinos, especialmente entre Novo Hamburgo e São Leopoldo. O pico histórico de décadas na região de Taquara e o fato do Sinos ter superado a marca da enchente de setembro do ano passado em Campo Bom sugerem uma cheia de maiores proporções na região. Na seqüência, a elevação do Rio dos Sinos deve afetar também as comunidades ribeirinhas de Sapucaia do Sul e Esteio. Partes de Canoas mais próximas do Sinos também podem experimentar problemas com a cheia do rio nos próximos dias.

Em Porto Alegre, o nível do Lago Guaíba segue baixando. Medição da SPH (Superintendência de Portos e Hidrovias do Rio Grande do Sul) ao meio-dia e meia indicou 1,27 metro contra 1,29 metro da leitura das sete e meia da manhã. Significa que ao meio-dia de hoje o Guaíba estava 6 centímetros mais baixo do que no mesmo horário do dia anterior e 9 centímetros mais baixo do que no final da tarde de segunda-feira. Veja como evoluiu o nível do Guaíba das sete e meia da manhã de ontem até o começo da tarde desta terça.

Por que o Guaíba não vive uma cheia neste momento ? Como vem se explicando, os rios Jacuí e Taquari são os que principais responsáveis pelo volume de água no Lago e estes afluentes não estão contribuindo com volumes de água em níveis críticos. Medição desta tarde do Jacuí em General Câmara indicou o rio com nível próximo do normal. As barragens, inclusive, estão com as comportas fechadas. Já o Taquari, em Bom Retiro do Sul, estava cerca de 4 metros acima do nível normal nesta tarde contra 8 metros acima no domingo, mas segue baixando. O Guaíba deve experimentar um aumento no seu nível com a chegada das águas dos rios dos Sinos e Gravataí, mas que têm contribuição menor para as cheias no lago, o que não dispensará a exigência de monitoramento. Reforço de ar frio ingressa no Rio Grande do Sul na quinta-feira, o que deve trazer vento sul, mas os dados não estão indicando rajadas fortes. Além da bacia do Sinos, onde o vale recebe neste momento todo o volume de água ocorrido na nascente no fim de semana, outro rio que a MetSul Meteorologia vem alertando para cheia há dias é o Gravataí.

  

Grande volume de água ocorreu na região de Santo Antonio da Patrulha e aos poucos está chegando à grande Porto Alegre, provocando forte elevação do Rio Gravataí tanto em Gravataí como em Cachoeirinha. O rio, conforme medição feita em Gravataí, subiu de 1,32 metro na última quinta-feira para 3,66 metros hoje. Ontem a leitura havia indicado 3,48 metros. No domingo, eram 2,85 metros. Veja na tabela, a seguir, com os dados recuperados do arquivo da MetSul, como os rios da região metropolitana estão hoje em níveis próximos ou acima do registrado durante a grande enchente de setembro do ano passado, apesar da cheia ainda não ter atingido o seu auge em São Leopoldo e Gravataí.

Monitoramento25.09.0726.09.0727.09.07Hoje
Sinos – São Leopoldo4,75 m5 mSuperou 4,2 m
Sinos – Campo Bom7,10 m 7,25 m7,18 m7,38 m
Gravataí 3,8 m4,084,18 m3,66 m
Guaíba2,202.48 m2,36 m1,29 m

Neste momento, com base nos dados apurados, a região que mais preocupa é o Vale do Rio dos Sinos. O quadro exigirá monitoramento entre Campo Bom e São Leopoldo nas próximas 24 horas, inclusive com leituras do nível do rio no período da noite. A MetSul Meteorologia seguirá acompanhando a evolução da cheia nas próximas horas.

Autor: Eugenio Hackbart
Publicado em 06/05/2008 15:35
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Ciclone trouxe primeira ocorrência de neve do ano no Sul do Brasil

O ciclone que atingiu o Rio Grande do Sul no final de semana segue se afastando do estado. As imagens de satélite desta manhã de terça-feira não apenas mostram a neblina sobre os rios do norte gaúcho, Santa Catarina e Paraná, assim como o ciclone apresentando enormes proporções em relação aos últimos dois dias e já um pouco mais distante da costa.

Os dados dos modelos numéricos indicam que de ontem para hoje o ciclone completou a transição e teria passado da condição de extratropical para subtropical. Os diagramas de fase de três diferentes modelos globais abaixo mostram a condição corrente (C) do sistema com centro quente em superfície (warm core). O mais interessante, contudo, dá-se na possível trajetória da tempestade. Observem nos mapas localizados no canto superior direito de cada diagrama que dois dos três modelos globais analisados indicam que o ciclone conseguiria cruzar todo o Atlântico Sul e chegar ao sul da África entre os dias 11 e 12 deste mês. Caso estas projeções venham a se confirmar, o fato de um ciclone cruzar todo o Atlântico e eventualmente atingir dois continentes não chegar a ser raro, apesar de menos freqüente. No Hemisfério Norte, há inúmeros casos de ciclones tropicais intensos (furacões) que atingiram o leste dos Estados Unidos e depois se deslocaram para o norte em direção à região de Maritimes, avançando depois para leste, cruzando o Atlântico e chegando ao norte da Europa na forma de intensos ciclones extratropicais.

  

O jornal Zero Hora de hoje traz como manchete principal de capa: "Ameaça agora é a cheia dos rios". Ora, os rios já encheram. Cidades entre os Vales dos Sinos e Paranhana já estão com enchente como Taquara e Rolante. Aliás, a ameaça vem desde o momento que os dados começaram a indicar volumes extraordinários de chuva nas cabeceiras de alguns rios entre sexta e sábado da semana passada. Observem que já na noite da última sexta-feira, logo há quatro dias, publicávamos um boletim destacando o risco de cheias dos rios (leia). Na minha coluna de domingo do jornal ABC Domingo enfatizava a preocupação com os níveis dos rios (leia). O que me estarreceu, contudo, foi ver no mesmo jornal nesta terça-feira uma projeção feita por jornalistas - imagino que especialistas -  de elevação substancial do nível do Lago Guaíba. Zero Hora afirma: "Conforme projeção feita por ZH, a medição deve ultrapassar 1m80cm por volta das 19h30min de amanhã se o aumento do nível verificado ontem - de nove centímetros a cada 10 horas - for mantido nos próximos dois dias. Na manhã de quinta-feira, a água poderia invadir as primeiras casas".

O raciocínio, francamente, é linear e primário. Não se pega a elevação de um rio verificada no período de 10 horas e se extrapola este valor linearmente por vários dias. Seria o mesmo que projetar o resultado final de uma partida de futebol em 18 a 0 porque um time fez dois gols no outro nos primeiros dez minutos do jogo. O Guaíba recebe a vazão de água de diferentes rios que tiveram diferentes volumes de chuva em seus cursos e possuem tempos diferentes de influência junto à área de Porto Alegre pela distância a ser percorrida pelo maior volume de água entre as nascentes e o norte de Lagoa dos Patos. Querem saber o que aconteceu ? O Guaíba baixou nas últimas 12 horas. Medição da SPH (Superintendência de Portos e Hidrovias) indicou um nível de 1,29 metro agora às sete e meia da manhã contra 1,36 metro às cinco e meia da tarde de ontem. Comparando-se com o mesmo horário da manhã de ontem, que indicou 1,27 metro, a elevação em 24 horas foi apenas de 2 centímetros. Às cinco e meia da tarde de sexta-feira, o registro foi de 1,32 metro, quando o Guaíba recebia o grande volume de chuva que caía na cidade de Porto Alegre, o que significa que o nosso lago está hoje de manhã com nível 3 centímetros menor do que na tarde da última sexta-feira. Insisto que a maior influência do Guaíba é a alimentação pelo Jacuí e no caso deste afluente não houve cheia por não ter chovido forte em toda a sua extensão. Já o Taquari, que encontra o Jacuí pouco antes do delta, baixava ainda no final do domingo. A maior preocupação segue sendo a chegada do grande volume de água do Rio dos Sinos, que traz enchente agora para Taquara e Rolante, ao Vale dos Sinos assim como a descida das águas do Rio Gravataí de Santo Antônio da Patrulha para a Grande Porto Alegre, particularmente em Gravataí e Cachoeirinha. Quando a vazão destes dois rios alcançar o Guaíba, apesar de serem afluentes de menor influência na comparação com o Jacuí, o lago pode aumentar mais.

O frio é a ameaça para a população flagelada, uma vez que o sol predomina hoje e nos próximos dias. A madrugada de hoje foi de temperatura baixa a muito baixa em todo o Rio Grande do Sul com mínimas ao redor de 9ºC na região de Taquara e Rolante, onde se concentram a maioria dos desabrigados. No interior, fez 4,3ºC em Quaraí e 3,8ºC em Lagoa Vermelha. Na quinta-feira haverá passagem de nuvens pelo estado que ocasionalmente podem até provocar alguma instabilidade muito isolada e fraca, marcando a chegada de um reforço de ar frio que deve trazer mínimas ainda mais baixas nas madrugadas de sexta e sábado. A próxima madrugada, é bom salientar, será mais fria que esta com chance de geada em alguns pontos do oeste e das áreas mais altas do estado. Finalmente, sabiam que nevou ontem à tarde no distrito do Cruzeiro, a 1.507 metros de altitude, em São Joaquim ? Sinceramente, acreditávamos como quase nula a chance a ponto de sequer ter sido mencionado em previsão, mas o Ciram de Santa Catarina cogitou expressamente tal possibilidade em boletim de aviso e por conta disso merece ser elogiado por uma previsão difícil que se concretizou. A neve durou menos de um minuto, mas caiu na forma de capuchos grandes, segundo o observador da Climaterra que trabalhava no campo quando começou a nevar por quatro e meia da tarde. O episódio confirma uma vez mais que na presença de nuvens de elevado desenvolvimento vertical associadas à circulação de umidade ciclônica pode nevar com temperatura mesmo muito acima da zero em superfície. No Cruzeiro, onde nevou, fazia entre 5ºC e 6ºC no momento da precipitação de inverno enquanto na sede da Climaterra os termômetros marcavam 11,2ºC. O colaborador da MetSul Nadir Tomasi Júnior relatou precipitação de gelo, que descreveu como tendo uma forma de "grão de arroz", pouco antes das três da tarde em Passo Fundo. Havia um Cb na área, segundo Tomasini, e a temperatura era de 12ºC. Mostra-se difícil identificar o fenômeno sem imagens e com temperatura alta, mas a descrição não sugere granizo miúdo.

P.S.: Recebemos informações de que o Rio dos Sinos subiu muito rapidamente nesta manhã de terça em Novo Hamburgo. O meu temor é que a elevação seja violenta rápida como ocorreu em Taquara na madrugada de ontem nas próximas 24/36 horas entre Campo Bom e São Leopoldo. Depois, seguindo o curso, o Rio dos Sinos pode afetar as comunidades de Sapucaia do Sul e Esteio. A quantidade de água que está vindo do Vale do Paranha é enorme e a condições pode se tornar crítica nas áreas próximas dos Rio dos Sinos na região do vale. (12:59)    

Autor: Eugenio Hackbart
Publicado em 06/05/2008 09:26
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Tempo melhora no Rio Grande do Sul após ciclone histórico e em dia de estréia da MetSul Meteorologia no Correio do Povo

A segunda-feira começa com uma excelente notícia. O histórico ciclone responsável pelas inclementes condições meteorológicas da sexta-feira e do fim de semana afasta-se do continente e tem seu centro localizado nesta manhã a aproximadamente 600 quilômetros a leste da cidade do Rio Grande. O ciclone está em intensificação sobre o mar, o que não traz ameaça mais para o Sul do Brasil devido ao seu distanciamento, mas deve ser decisivo para reforçar o ar seco e frio que predominarão nos próximos dias.

  

Nesta segunda-feira, a circulação de umidade ciclônica ainda deixa muitas nuvens sobre o Rio Grande do Sul, particularmente no leste e no norte do estado. No decorrer das próximas horas a cobertura de nuvens deve gradualmente diminuir com a presença do sol na maioria das regiões. O litoral sul gaúcho, onde ainda podem ocorrer rajadas de vento mais fortes, deve permanecer grande parte da segunda-feira com intensa nebulosidade. Como é comum em circulação ciclônica, podem ocorrer precipitações isoladas e de curta duração nas áreas com maior nebulosidade, mas a condição para a chuva deve cessar gradualmente. A partir de amanhã predomina uma condição de tempo seco e ensolarado que pode perdurar durante grande parte da semana. Na quinta-feira pode haver aumento de nebulosidade e uma pequena chance de instabilidade no processo de ingresso de um reforço de ar frio. As próximas madrugadas serão frias, típicas de maio, mas sem extremos de mínimas. Pode gear nas áreas mais elevadas do Sul do Brasil. Os termômetros devem marcar ao redor de 10ºC durante as madrugadas na área de Porto Alegre enquanto no interior devem se situar entre 6ºC e 9ºC na maioria das localidades. Mais para o final da semana, com o reforço do ar frio, são esperadas mínimas menores e que pode chegar a 2ºC a 4ºC na região da Campanha. As condições estarão favoráveis à formação de neblina entre a madrugada e o amanhecer em grande parte do Rio Grande do Sul nos próximos dias. Já as tardes prometem ser muito agradáveis com máximas entre 19ºC e 22ºC na maioria dos municípios gaúchos.

Finalmente, gostaria de fazer uma consideração pessoal e um anúncio que nos alegra neste dia 5 de maio de 2008. Como Diretor-Geral da MetSul Meteorologia, não posso deixar de prestar um reconhecimento público aos companheiros Alexandre Aguiar e Luiz Fernando Nachtigall que desde o fim de semana passado até agora se desdobraram para coordenar o trabalho da MetSul no acompanhamento do ciclone. Foi o nosso maior esforço de previsão, monitoramento e cobertura desde o furacão Catarina de março de 2004. O Alexandre e o Nachtigall trabalharam por dez pessoas, em carga horária de até 20 horas por dia entre sexta e ontem, duelando em vários momentos com falta de energia, queda de sinal de telefone, interrupções de serviço de internet e outros contratempos gerados pela intempérie aqui na região metropolitana a fim de garantir aos nossos clientes, particularmente na área pública, e ao público e imprensa todas as informações possíveis sobre o evento extremo antes, durante e depois da sua atuação. Foram cerca de 50 boletins, alertas e matérias publicados nesta página, em todos os horários, desde o final de semana passada exclusivamente sobre o ciclone. A cobertura do fato não está encerrada, afinal existem materiais pendentes de apuração e publicação. Reafirmamos, assim, nossa crença que o volume de informação deve ser proporcional à gravidade do evento, priorizando-se sempre a precisão e o equilíbrio de forma a auxiliar clientes e comunidade na mitigação de riscos. Digno de nota, igualmente, o extraordinário nível de interatividade dos usuários desta página que bateu todos os recordes de acessos para um fim de semana desde o seu lançamento. Apenas o post (anterior) sobre a cobertura especial do ciclone recebeu quase 500 comentários, fato inédito neste espaço em nível de participação da comunidade em site de Meteorologia sem qualquer precedente até hoje em qualquer site de Meteorologia do Brasil ou América Latina.

Tenho a extrema alegria de comunicar aos leitores deste espaço que a partir de hoje, dentro do seu novo e moderno projeto gráfico, a MetSul Meteorologia estará com sua previsão do tempo no mais tradicional jornal de grande circulação do Rio Grande do Sul, concretizando uma aspiração de anos da nossa equipe.

  

O Correio do Povo, fundado em 1895, publicará diariamente os nossos prognósticos e análises, priorizando sempre o estado gaúcho, mas com informações meteorológicas relevantes independentemente de onde elas estejam ocorrendo.  Diferentemente das tradicionais previsões de jornais, será uma coluna diária de Meteorologia, tanto que receberá o nome Tempo e Clima por compreender temas mais abrangentes que apenas a condição momentânea da atmosfera. La Niña, El Niño, Aquecimento Global, recuperação de eventos históricos e outras informações que não costumam frequentar os espaço de previsão em jornal serão abordados no espaço diário. Não hesitaremos em fazer valer as palavras do século XIX do fundador Francisco Antônio Vieira Caldas Júnior que em seu primeiro editorial de 1º de outubro de 1895 dizia que "o Correio do Povo aspira à honra de se fazer uma folha lida e apreciada por todos e, para isso, não poupará esforços". Não pouparemos esforço também para levar a melhor previsão do tempo e do clima possível aos leitores do secular diário porto-alegrense e rio-grandense que hoje se moderniza.

Autor: Eugenio Hackbart
Publicado em 05/05/2008 09:20
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Cobertura Especial do Ciclone do Feriadão do Dia do Trabalho

A MetSul Meteorologia adverte que as condições atmosféricas devem se deteriorar muito sobre o Rio Grande do Sul e o Sul do Brasil nas próximas horas e em especial durante esta sexta-feira devido à intensificação de um sistema de baixa pressão atmosférica que deve se converter em um ciclone sobre o mar no litoral da região. As próximas 72 horas devem ser de enorme instabilidade no estado gaúcho com chuva forte e rajadas de vento que podem ser intensas, especialmente no leste do estado. A mudança no tempo já teve início com a nebulosidade tomando conta de grande parte do Rio Grande do Sul após um dia que começou com tempo aberto e muito frio na maioria das regiões a ponto de Bom Jesus ter registrado mínima de 0,0ºC e a Grande Porto Alegre ter observado a menor temperatura até agora neste ano na madrugada desta quinta-feira com 5,2ºC em Campo Bom. Na capital, os termômetros marcaram 8,0ºC no Jardim Botânico.

Sexta-feira pode ter chuva forte a intensa e granizo no estado

Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná podem ter chuva localmente forte a torrencial nesta sexta-feira. Há risco de chuva forte nas três capitais do Sul do Brasil: Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba. Na capital gaúcha o risco de chover forte deve se concentrar na segunda metade da sexta-feira. Será o dia com instabilidade mais generalizada na região, uma vez que durante o fim de semana se espera que a chuva perca força e seja menos generalizada no Paraná e Santa Catarina à medida que as precipitações mais intensas se concentrem no estado gaúcho com a oclusão da baixa fechada em superfície. A manutenção do ar frio sobre a região torna elevado o risco de precipitações de granizo nesta sexta-feira. As condições de instabilidade devem persistir na maioria das regiões gaúchas durante o sábado com chuva localmente forte a ocasionalmente torrencial, sobretudo no leste e nordeste gaúcho. Já no domingo a expectativa é que o tempo comece a melhorar em diversas cidades do interior, principalmente mais a oeste, mas no leste e no nordeste do estado ainda deve chover e com alto risco de intensas precipitações localizadas. No fim de semana ainda haverá possibilidade de queda de granizo em pontos isolados com a tendência de nuvens de desenvolvimento vertical e a manutenção do ar frio.

Grande Porto Alegre e Litoral Norte preocupam mais

Tanto nesta sexta-feira como no sábado há possibilidade de chuva forte na maioria das regiões gaúchas, mas as regiões que mais preocupam nas próximas 72 horas estão localizadas na metade leste do estado. Em particular, as áreas de Porto Alegre, região metropolitana e o Litoral Norte estarão sujeitas a precipitações intensas em alguns momentos com acumulados expressivos tanto pela solução do modelo norte-americano (projeção abaixo para as próximas 72 horas) como pelo modelo europeu. A última rodada do americano GFS (12Z) indica 72 milímetros para a capital gaúcha, mas o modelo europeu sugere acumulados maiores no período assim como outras simulações.

Diante do quadro projetado pelas simulações computadorizadas, a MetSul Meteorologia não descarta chuva de 100 a 200 milímetros no Litoral Norte do Rio Grande do Sul com acumulados que localmente podem ser maiores devido ao efeito do relevo (orografia), o que traria o risco de alagamentos nas praias e deslizamentos na região de encosta da Serra do Mar. Não se afasta a possibilidade de alagamentos também em Porto Alegre e cidades da área metropolitana durante a sexta-feira e o fim de semana devido ao risco de precipitações fortes na região da capital nos três dias.

Litoral enfrenta risco de vento forte e grande ressaca

O litoral do Rio Grande do Sul e parte da orla catarinense devem enfrentar uma ressaca que pode ser de maiores proporções do que o habitual, trazendo a possibilidade de erosão costeira e até mesmo danos. As simulações computadorizadas estão indicando agitação marítima extrema na costa gaúcha com vagas de até 8 metros em alto mar. Nas praias, o mar deve estar revolto e mesmo a prática do surfe será perigosa. O modelo de ondas WaveWatch do NOAA está projetando para este fim de semana ondas de até 5 metros no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

  

Já o vento deve começar a soprar com intensidade moderada e rajadas ocasionalmente fortes já nesta sexta-feira, mas será durante o fim de semana que tende a ganhar muita força. Tanto no sábado como no domingo as condições serão favoráveis a rajadas intensas em alguns momentos na faixa costeira do Rio Grande do Sul e que podem se aproximar ou alcançar os 100 km/h nas praias. Mais para o interior do continente, no leste gaúcho, o vento pode soprar com rajadas de 60 a 80 km/h, inclusive na área de Porto Alegre. Ainda na segunda-feira pode ventar forte na orla, especialmente no litoral sul. A ventania associada ao ciclone pode resultar em transtornos para a população como queda de árvores, postes e problemas no abastecimento de energia elétrica.

Ciclone na costa pode ser subtropical

Um sistema de baixa pressão que está neste momento sobre o continente avança em direção ao mar, onde deve se transformar em um ciclone sobre o Atlântico, junto aos litorais do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no fim de semana. Ciclones extratropicais são comuns nesta época do ano no Atlântico Sul, especialmente no litoral argentino. Este sistema do fim de semana, apesar de não guardar qualquer correlação com um sistema de natureza tropical como o Catarina de 2004, pode adquirir características subtropicais, ou seja, uma baixa com centro quente em superfície e frio em níveis altos da atmosfera. Três modelos globais indicam que o ciclone adquiriria um centro quente e se converteria em um sistema subtropical. Veja os diagramas de fase destes três modelos acusando a transição para warm core (centro quente).

  

Sistemas desta natureza têm deslocamento muito lento e podem atuar durante vários dias consecutivos sobre uma região. Em março deste ano, um ciclone subtropical permaneceu uma semana sobre a região do Rio da Prata. Foi o ciclone responsável pela instabilidade que trouxe as trombas d’água (tornados sobre o mar) para as costas de Buenos Aires e Florianópolis.

Frio se prolonga e São Paulo deve ter menores mínimas do ano

Ao contrário do destacado em vários órgãos de imprensa, o ar frio que chegou no começo da semana ao Sul do Brasil não se afastou para o mar e permanece sobre a região, apesar de mais enfraquecido. O avanço da nebulosidade e a atmosfera sobre a atmosfera ainda resfriada manterá a temperatura baixa. É o que explica os baixos valores de temperatura que são registrados na tarde desta quinta-feira não apenas no Sul do Brasil como no norte da Argentina e no Paraguai, onde o céu está encoberto e diversas localidades registram chuva. Às três da tarde os termômetros indicavam 12,2ºC em Santa Rosa; 11,5ºC em Frederico Westphalen; 12,0ºC em São Borja; 12,6ºC em Santo Augusto; 11,3ºC em Palmeira das Missões; 13,0ºC em Cruz Alta; 13,5ºC em Alegrete; 13,6ºC em Quaraí; 13,0ºC em Uruguaiana e 12,8ºC em São Luiz Gonzaga. Na argentina, em Misiones, Posadas tinha no mesmo horário 12ºC e Assunção no Paraguai registrava 11ºC em seu aeroporto. A projeção de temperatura em 850 hPa (nível de 1.500 metros) mostra que a baixa pressão está mantendo o ar frio (cor verde) sobre a região central da América do Sul.

  

O interessante, contudo, deve se dar nos próximos dias e no decorrer da próxima semana. Uma vez sobre o mar, o ciclone mais intenso deve impulsionar ar frio para o norte a ponto da massa de ar resfriada invadir cobrir o Paraguai, invadir o Centro-Oeste e o Sudeste. Veja a projeção do modelo norte-americano para o domingo.

  

Como é comum de se verificar, o ar seca muito a oeste dos sistemas de baixa pressão. Isso deve determinar que na próxima semana o tempo firme no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. As madrugadas seguirão frias no Rio Grande do Sul, mas a temperatura deve cair muito no Centro-Oeste, Paraná e São Paulo durante as madrugadas. O estado paulista deve registrar as menores mínimas até agora neste ano no decorrer da próxima semana. Na capital São Paulo os termômetros podem indicar ao redor de 10ºC por uma seqüência de madrugadas com mínimas até menores em algumas noites, especialmente nos bairros da zona sul da cidade. No interior, excetuando-se a região serrana, mínimas de até 5ºC podem ser esperadas. Deve fazer muito frio também no Paraná e na parte mais sul e oeste da Região Centro-Oeste. Não se descarta mínimas de até 5ºC em Curitiba ou região dos Pinhas na próxima semana. Deve gear no sul paranaense e não se afasta o fenômeno, apesar da chance ser mais pequena, também no norte do Paraná e ocasionalmente até no sul do Mato Grosso do Sul. No Rio Grande do Sul, o tempo seco permitirá uma grande amplitude térmica com noites frias (mínimas ao redor de 10ºC na capital) e tardes agradáveis (máximas em torno de 20ºC). Na Serra, particularmente nos Aparados, pode gear.

Informe abaixo como está o tempo em sua cidade e região com detalhes sobre a chuva, vento e outras variáveis que você entender importante sobre as condições atmosféricas na sua localidade.  

Autor: Luiz Fernando Nachtigall
Publicado em 01/05/2008 16:04
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