A Universidade do Alabama Huntsville (UAH) divulgou nesta quinta-feira os seus dados de medição de temperatura global para fevereiro mediante o sistema de Microwave Sounder Unit (MSU). A anomalia de temperatura planetária que em janeiro foi negativa (-0,046°C) se elevou para 0,016°C. A mudança, portanto, foi mínima com um aquecimento de tão-somente 0,05°C. Notável é a diferença em relação há um ano atrás. Em janeiro de 2007, a anomalia de temperatura global calculada pela UAH era de 0,594ºC enquanto em janeiro deste ano foi de -0,046ºC, uma queda de 0,588ºC em doze meses. Em fevereiro, a temperatura média do hemisfério sul apurada pela Universidade do Alabama apresentou uma anomalia negativa de -0,21ºC. Foi a maior anomalia negativa no hemisfério meridional desde maio de 2006, mas se considerados apenas os meses de fevereiro desde 1993 a metade sul do planeta não tinha um fevereiro com temperatura tão baixa. Janeiro, em escala global, tinha sido o mais frio desde 2000. 
Todos os principais indicadores de temperatura planetária (RSS, UAH, HadCRUT e GISS) indicaram um forte resfriamento neste começo de 2008. No caso do inglês HadCRUT, a anomalia de temperatura caiu de 0,632ºC em janeiro de 2007 para 0,037 em janeiro de 2008, um declínio de 0,595ºC.
Outra medição por satélite, assim como a da UAH, é feita pela Remote Sensing Systems. No caso da RSS, que deve divulgar o seu valor para fevereiro nas próximas horas, a anomalia de temperatura em janeiro ficou em -0,08ºC contra 0,549ºC um ano antes, queda acentuada de 0,62ºC em doze meses. O resfriamento planetário, acompanhando o fenômeno La Niña, foi especialmente rápido no segundo semestre do ano passado. 
O declínio se torna ainda mais significativo se observada toda a série histórica de dados da RSS desde 1978. A temperatura em janeiro de 2008 estava no patamar das décadas de 80 e 90.
A tendência de aquecimento no planeta nos últimos trinta anos é evidente por todos os métodos de medição. O interessante é que, contrariando as projeções de uma elevação contínua nesta década, o aquecimento global atingiu um pico quando do Super El Niño de 1998 e manteve-se praticamente estabilizado desde então. Veja a evolução das anomalias de temperatura da Terra desde 1978 pelos dados da RSS, UAH, HadCRUT e GISS.  O resfriamento ocorrido no planeta nos últimos meses e particularmente em janeiro de 2008 foi extremamente significativo. Tome-se, por exemplo, os dados do GISS da NASA que historicamente tem um bias aquecimentista em seus dados. A queda na temperatura de janeiro de 2007 para janeiro de 2008 parece ter sido a maior de um ano para o outro no tocante ao primeiro mês do ano desde o início da série histórica em 1800. Veja no gráfico a evolução das anomalias de temperatura da Terra nos meses de janeiro calculadas pelo GISS (leia-se também Jim Hansen que é consultor do Al Gore) desde 1880. 
O resfriamento global dos últimos meses não se presta para dizer definitivamente que a tendência de aquecimento global das últimas décadas chegou ao fim, mas reforça a idéia que a temperatura do planeta tem respondido muito mais às forçantes naturais do clima (El Niño/La Niña e atividade solar) do que aos níveis de dióxido de carbono (ver artigo de Joseph D’Aleo). Como assinalei na minha coluna no jornal ABC há poucas semanas, o quadro atual pode ser transitório (leia). O resfriamento recente acompanha um episódio forte de La Niña que causou impacto semelhante na temperatura planetária em 1999 e 2000. A queda da temperatura do planeta também se dá em um período de mínima atividade solar, assim como verificado também em 1996 que igualmente registrou um episódio de La Niña. John Cristy, professor de Ciências Atmosféricas e diretor do Earth Systems Science Center da Universidade do Alabama, observou muito bem em artigo nesta semana que doze meses de dados não estabelecem uma tendência, especialmente em um sistema tão complexo e lento como o clima planetário. Mais ainda quando a causa (La Niña) deste resfriamento de curto prazo é por demais documentada e conhecida. Observa Christy que o resfriamento é atípico, mas tem precedentes, citando a mudança ocorrida entre 1998 e 1999. À medida que este La Niña enfraquecer, a tendência mais provável para os próximos meses, a perspectiva é que a temperatura do planeta volte a aumentar. A grande questão que se estabelece é se o Pacífico está entrando em uma fase fria da PDO (Oscilação Decadal do Pacífico), assim como verificado nas décadas de 50, 70 e 70, o que resultaria em eventos de El Niño mais fracos e curtos no futuro, mais freqüentes e intensos La Niña e uma possível redução ou reversão na tendência de aquecimento planetário a longo prazo. (Gráficos: Anthony Watts) |